Sinto minha cabeça latejando ao me pôr sentado na cama. Percebo que a mesma está coberta por uma faixa, igualmente ao meu pulso direito e minha perna. Pisco os olhos várias vezes tentando recuperar o foco até que consigo identificar o lugar onde estou.
O quarto de um hospital.
Por um momento, meu coração acelera ao lembrar-me de Kimberly. Então logo me ponho de pé com pressa, mas sinto minhas pernas fracas e acabo sentando novamente na cama.
- Aonde pensa que vai?- Vejo minha mãe entrando no quarto segurando uma bandeja com um copo de água e alguns comprimidos.
- Preciso ver Kimberly... Onde ela está? Ela está bem? Se machucou?
- Calma, querido- Rebecca diz ao pôr a bandeja no móvel ao lado da cama- ela está no quarto ao lado e vai ficar bem.
Fecho os olhos e respiro aliviado.
- O que aconteceu?- Pergunto.
- Antes de tudo, tome o remédio que pedi a enfermaria para eu mesma te entregar.
Obediente e apressado por respostas, faço o que pede sem contestar.
- Pronto- Digo ao engolir- agora conte-me.
- Tudo bem, senhor-impaciente- Diz ao se sentar ao meu lado- bem, já fazem três dias desde o ocorrido com Charles- Ela para de falar por um momento- ele não sobreviveu, filho.
Sinto meu coração falhar duas batidas ao ouvir suas palavras.
- O quê?
- Quando vocês entraram numa briga, Charles estava drogado e sem controle, e apesar de você o ter acertado várias vezes...- Ela continua como se ainda tentasse digerir o que havia acontecido- A perícia fez todos os procedimentos chegando a conclusão de que ele morreu por overdose, dando fim a luta de vocês.
Eu estava atordoado demais com aquelas informações. Sentia a dor de cabeça ameaçando voltar. Ponho as mãos no rosto tentando de alguma forma, digerir as suas palavras. Então após longos minutos, volto a abrir meus olhos. Sentia meu corpo pesado e minha mente sobrecarregada.
- Kimberly já sabe disso?
- Não- Ela responde.
- Preciso vê-la, mãe. Preciso saber que ela está bem com meus próprios olhos.
- E você verá, mas precisa descansar um pouco mais.
- Já descansei o bastante- Digo adiantando-me em levantar, mas logo sinto um dor em minha costela que me faz recuar.
- Viu? Eu te disse que precisa descansar mais- Ela me dá uma bronca- agora pare de ser teimoso e volte a se deitar.
Solto um suspiro frustrado e faço o que manda.
- Só mais uma hora e depois irei vê-la.
- Você é tão teimoso- Minha mãe balança a cabeça em desaprovação, mas logo, retoma uma expressão séria- quando vim mais cedo, encontrei Clara aqui.
Volto meus olhos em sua direção atento, mas continuo calado ouvindo o que tem pra dizer.
- Ela parecia nervosa, mas quando viu que você ainda estava desacordado, me pediu para entregar essa carta- Ela estende a mão me entregando a mesma- eu não sei o que houve entre vocês dois e o porquê dela ter se demitido, mas espero que as coisas se resolvam, pois não pretendo me meter nesse assunto.
- Obrigado- Digo ao pegar a carta.
- Bem, eu vou na cafeteria aqui perto, e logo estarei de volta.
Aceno lhe dando um fraco sorriso. Logo, Rebecca sai do quarto me deixando a sós com a misteriosa carta. Então após alguns segundos, abro-a.
"Nós nos conhecemos desde pequenos e posso dizer o quanto sempre te admirei. Sempre me esforcei para deixar claro o quanto eu te amava, mas você parecia nunca se importar com isso até que aconteceu naquele dia, na casa da árvore. Nosso primeiro beijo. No momento, eu não entendi porque você havia feito aquilo, mas dentro de mim cresceu uma grande esperança de poder ficarmos juntos. Mas então o tempo passou e nós crescemos, e sempre alimentei esse sentimento por você. Tinha esperança de que um dia você fosse me corresponder. Foi quando então seu pai morreu, foi difícil, até que você se mudou com a sua mãe. Já se passaram 10 meses e mesmo distante, meu amor por você continuou intacto. Então deve imaginar o quanto fiquei feliz quando ligou para mim naquele dia dizendo que precisava da minha ajuda com a sua mãe e a nova casa. De qualquer forma, vi a oportunidade como uma nova chance para te conquistar. Foi quando Kimberly apareceu acabando com todas as minhas chances. Eu estava com raiva, queria te ter só pra mim, por isso agi daquela forma. Estava cega e o queria de qualquer jeito. Espero que possa me perdoar um dia e quando isso acontecer, estarei esperando por você."
Dobro o papel e o ponho dentro do envelope outra vez, então com um longo suspiro, fecho os olhos e tento relaxar. Sentia-me sobrecarregado. Longos minutos se passam até que desperto do sono que havia tomado conta de mim. Me ponho sentado e devagar, me coloco de pé. A dor insiste em voltar, mas evito fazer movimentos bruscos e consigo caminhar lentamente.
Eu parecia um velho de noventa anos enquanto fazia caminho para fora do quarto do hospital, mas isso pouco me importava. Tudo o que eu queria era ver Kimberly. Dou passo por passo até ao lado só para encontrar uma porta com a ficha de Kimberly. Sim, eu estava no quarto certo. Dou duas batidas devagar com a mão, mas não há resposta. Então dou mais duas batidas e o silêncio continua.
Não penso duas vezes antes de abrir a porta, mas quando posso vê-la deitada na cama com os olhos fechados enquanto respira devagar, sinto meu corpo aliviado ao saber que está bem. Entro no quarto fechando a porta em seguida e aproximo-me da cama. Concentro meus olhos no seu rosto que parecia dormir tranquilamente. A máquina soava o bip marcando os batimentos do seu coração enquanto o soro estava conectado em seu braço.
Então após alguns minutos lhe admirando, seus olhos se mexem indicando que já despertou. Não demora até ela abrí-los. Instantaneamente, eles se voltam para mim.
- Chris...- Ela susurra agitada ao me ver.
- Calma, meu amor- Abaixo-me para que sua mão estendida alcance a minha- eu estou bem.
Sua mão logo segura a minha com força enquanto ela fecha os olhos deixando o ar sair de sua boca em alívio. Mas logo, lágrimas começam a descer dos seus olhos.
- Anjinho- Sento-me na cama ao seu lado para chegar ainda mais perto- não chora.
Ela logo se põe sentada fazendo uma rápida expressão de dor. Então com as mãos, toca meu braço, perna, ombro, pescoço me conferindo de cima pra baixo para ver se está tudo no lugar. As lágrimas ainda caíam de seus olhos enquanto voltavam para os meus. Então com a minha mão, alcanço sua bochecha e limpo suas lágrimas com o polegar.
- Eu estou bem- Digo para lhe tranquilizar.
- Eu tive tanto medo de te perder.
Logo nos abraçamos deixando que esse ato, recarregue nossas forças e nos tranquilize. Não havia nada melhor do que sentí-la em meus braços protegida por mim.
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Academia Lawrence
RomantikTudo acontecerá através dos olhos de Kimberly Evans e Chris Taylor. Ambos não possuem nada em comum. Kimberly é filha do sócio do diretor da Academia Escolar Lawrence, sonha em ser uma violinista profissional. Mesmo tendo toda sua família indo contr...
