POV. DRACO
Há momentos em nossa vida que tudo parece deixar de ter sentido; você se sente perdido, sem saber o que fazer, como agir, o que pensar, o que sentir ... E então alguma coisa acontece que muda exatamente tudo, bagunça você, seus pensamentos e sentimentos, você acaba entrando em conflito com você mesmo e se questionando mais do que o comum. Há momentos em nossa vida que tudo parece uma desordem, você deixa de ter um rumo; mas então aquela pessoa, sabe, aquela pessoa ? Seu encaixe perfeito, sua alma gemea, a tampa da sua panela, sua outra metade, chame do que quiser ! Ela aparece e faz com que tudo ganhe sentido, mas um sentido novo, totalmente fora de tudo o que você imaginou ou planejou, algo bom e tranquilo, tão facil quanto respirar. Uns dois anos atras - mais o menos - eu nunca imaginaria que estaria passando por isso. Sempre fui tão centrado em mim, egoísta e arrogante. No entanto, agora eu sinto a dor dela, queria estar no lugar dela e desejei com todas as minhas forças que aquilo fosse mais um pesadelo sinistro. O que me matava de verdade era não poder fazer absolutamente nada enquanto ela gritava de dor. Ela era aquela pessoa em minha vida, e eu teria que assistir ela partir da forma mais terrivel possivel. Minha vida, toda a minha vida estava ali, morando dentro dela, eu me esvairia com ela, porque nada mais faria sentido se eu não a tivesse mais. Nunca mais ! Pensar nisso era insuportavel; eu poderia sobreviver se ela estivesse bem e feliz ao lado de outra pessoa - eu a amava o suficiente para querer que ela fosse o mais feliz possivel, mesmo que não fosse ao meu lado - ,pelo menos é isso que gosto de pensar, tenho certeza que minha reação seria outra. Mas viver sabendo que ela não respira mais, que seu coração silenciou-se para sempre, que ela nunca mais iria sorrir ? Seria devastador, acabaria comigo em segundos e eu acolheria a morte com uma felicidade imensa, na esperança de poder ve-la mais uma vez, seja la onde for. Eu não deixaria isso acontecer, eu lutaria até o fim para que ela vivesse. Eu estava determinado o suficiente, tanto que consegui me mover - mesmo com o corpo parecendo estar arrebentado por dentro - e fiquei de joelhos desajeitadamente, apoiando as mãos na parede ao lado. Rodolphus notou meu movimento e girou a varinha na minha direção, cessando os gritos de Hermione. Encarei ele com fúria, de relance vi Hermione se curvar sob seu corpo e se abraçar, tremendo.
— Eu vou matar você ! — falei com a voz fraca, porém raivosa.
Rodolphus riu e cruzou os braços no peito.
— Estou tremendo de medo, sobrinho. Acho que vou sair correndo e gritando feito uma garotinha — debochou ele.
Com dificuldade me coloquei de pé, virando-me de frente pra ele.
— Não vai ter tempor pra isso. Eu vou trucidar você, seu filho da ...
Rodolphus agitou a varinha na direção de Hermione, me calei no mesmo instante.
— Se eu fosse você tomava cuidado com as palavras. Eu não sou tolerante e nem miserecordioso — falou em tom de ameaça.
Hermione puxava o ar para seus pulmões com força. Eu detestava ve-la assim, eu faria Lestrange pagar e seria doloroso para ele e extremamente prazeroso para mim.
— Eu não ligo, não tenho medo de você. Pra mim tudo o que sai da sua boca não passa de um monte de merda !
Seus olhos cintilaram de raiva.
— Vamos ver se sua namoradinha concorda — dizendo isso ele abriu um sorriso de escarnio — Levante-se, sua imunda ! — rosnou, dando um chute nas pernas de Hermione.
Meu sangue ferveu e minha visão tingiu-se de vermelho. Antes que eu pudesse reunir forças para reagir Hermione se colocou de pé, ergueu a cabeça e encarou Rodolphus com desprezo. Isso me surpreendeu, ela não estava mais com medo e sua postura deixava claro que ela não se curvaria diante dele. Ela secou as lagrimas que manchavam seu rosto e com a voz firme disse:
— A única pessoa imunda nesse lugar é você! Eu estou de pé, e não vai ser você que vai me derrubar.
Um sorriso ivoluntario se esboçou em meu rosto. Era exatamente por isso que eu a amava, sua força, sua determinação, sua teimosia ... era contagiante. Ela era de fato uma Grifinoria, e eu a amava por isso. Rodolphus virou a mão lhe acertando um tapa na face com tanta força que ela cambaleoou para tras. Não sei da onde veio, mas me senti enérgico e avancei contra ele, lhe acertando um murro na garganta. Ele se apoiou em seus joelhos tentando recuperar o ar. Dei uma joelhada em seu rosto e ele cambeleou para o lado, se escorando na parede, ele conseguiu acertar um chute em meu estomago e eu perdi o ar. No mesmo momento Hermione avançou, pulando nas costas dele, tentando arrancar a varinha de suas mãos. Ele se debateu, derrubando-a no chão, e então virou-se apontando a varinha para ela. Sua boca se moveu e eu sabia o que viria a seguir, ainda com falta de ar enlacei meu braço no pescoço dele e o puxei para tras, dando um mata leão. Eu paertava com toda a força, seu rosto começou a ficar vermelho. Hermione levantou-se para pegar a varinha dele, mas ele a chutou, e ela perdeu o passo, tropeçando para tras. Ele apontou a varinha para cima e com a voz sufocada disse:
— Estupefaça !
O feitiço atingiu meu ombro e eu fui lançado para tras, batendo com as costas em alguma coisa dura e escorregando para o chão. Senti a dor se espalhar por meu corpo e tentei me levantar, apoiando-me no armario a minhas costas. Soltei o ar com peso, finalmente em pé me virei para avançar contra Rodolphus novamente, mas alguma coisa me atingiu no rosto e eu caí mais uma vez. Minha visão ficou turva e escura.
— Avad ... — começou Rodolphus.
— Não ! — ouvi Hermione gritar seguida por um barulho alto, que interrompeu Rodolphus.
Pisquei algumas vezes tentando enxergar direito. Rodolphus estava em cima das costas de Hermione, que estava caida no chão. Ele segurava em seu maxilar, puxando sua cabeça para tras; sem pensar duas vezes me levantei e corri até onde eles estavam, agarrei sua capa e o puxei para tras, tirando-o de cima dela. Me virei para ir contra ele e encontrei a ponta da varinha bem a minha frente, apontada na direção entre meus olhos. Rodolphus sorriu de forma afetada, mas ainda assim, com um ar de sarcasmo.
— Você acha mesmo que pode contra mim ? — disse ele com raiva — Acabo com você em dois segundos, assim como fiz com a vagabunda que você chamava de mãe.
Engoli o nó na garganta. Ele estava dizendo que tinha matado a minha mãe ? Não, não, não. Isso não podia ser verdade. Meus olhos arderam e eu dei um passo na direção dele; uma mão se fechou firme em meu braço, segurando-me no lugar, era macia, pequena e familiar.
— Você não fez isso, seu ... — murmurei com incoerência, completamente atordoado.
— Ah, eu fiz — ronronou — e foi maravilhoso ! Se não acredita em mim pode perguntar para a sangue-ruim ou se preferir, posso mostrar a você — disse em tom de quem se diverte.
Olhei para tras, para Hermione, em busca de ajuda. Ela assentiu freneticamente, lagrimas escapando de seus olhos. Então eu tive certeza; minha mãe estava morta, foi assassinada pelo cretino parado em minha frente. Meu coração se contorceu e eu voltei-me para ele furioso.
— Eu vou acabar com você ! Você a matou seu merda, infeliz ! Você... a... matou ... — eu gritei, mas minha voz foi se perdendo até sumir.
Eu tinha perdido a fala, o pensamento, tinha perdido a mulher que me deu a vida. Mesmo com todos os defeitos que ela tinha, mesmo tendo se envolvido com o crapula do meu tio, ela sempre esteve comigo, me ajudando. Sempre. Instantaneamente me senti mal, a ultima vez em que tinha falado com ela eu fora extremamente rude - tinha minhas razões, mas pensar em nossa ultima troca de palavras me deixou desconfortavel. Eu devia tanto a ela. Mesmo eu tendo tratado-a como a tratei, ela tentou me alertar sobre o que estava prestes a acontecer, e eu a ignorei. Cambaleei para tras e me escorei na parede, Hermione veio comigo, sua mão antes em meu braço passou para meu pescoço e ela me envolveu em um abraço apertado.
— Eu sinto muito — sussurrou ao pé de meu ouvido.
Eu funguei, as lagrimas vindo como uma avalanche. Uma risada de prazer estrondou pelo comodo; Hermione me soltou e nós dois olhamos para a direção do som. Rodolphus ria tanto, que estava curvado sob o proprio corpo, uma mão apoiada na parede. Eu queria arrancar seus olhos e seus dentes, amassar a cara dele, calar aquela risada cravando-lhe uma adaga na garganta. Eu estava tomado pelo ódio.
— Isso esta ficando cada vez melhor — disse ele entre risos.
— Eu vou mata-lo — falei baixo demais para que ele ouvisse, mas Hermione ouviu e me lançou um olhar apreensivo e assustado.
Por fim ele parou de rir, mas manteve um sorriso triunfante no rosto. Girou a varinha entre os dedos e começou a caminhar, como se estivesse pensando em alguma coisa.
— Você, sabia que sua mamãe o vendeu a mim ? — disse ele de repente, esfregando o queixo.
Semicerrei os olhos em confusão.
— Ela me procurou anos atras. Implorou para que eu o afastasse da Sangue-ruim, queria que eu desse um fim nela e no bastardo que ela deu a luz — continuou ele — e em troca ela me daria tudo o que eu quisesse. Da pra acreditar em minha sorte ? Um unico tiro e dois acertos — ele riu um pouco ao dizer isso.
Franzi o cenho e olhei brevemente para Hermione. Ela encarava Rodolphus com atenção, como se ele fosse uma cobra prestes a dar o bote - na verdade essa era exatamente a situação, ele se aproximava cada vez mais em passos exageradamente lentos.
Eu permaneci em silêncio, não queria acreditar em uma palavra dele, mas, alguma coisa em meu interior me dizia que ele estava falando a verdade. Me movi puxando Hermione para tras de mim, de modo que eu pudesse protege-la.
— E devo admitir que foi um bom negocio. Você foi muito útil pra mim, reunindo seguidores e fazendo todo o trabalho sujo por mim. Seus anos como Comensal da Morte valeram a pena, não acha ? Realmente um exelente trabalho, ja que todas as coisas "erradas" vão apontar para você — disse ele, ainda em tom pensativo.
— Draco, do que ele esta falando ? — Hermione sussurrou. Coloquei meu braço para tras, procurando a mão dela, seus dedos encaixaram-se nos meus e eu apertei sua mão.
Eu não podia explicar tudo naquele momento, ela com certeza não ia gostar do que eu tinha para contar, mas eu tinha esperanças de que ela entendesse as razões de eu ter feito tudo o que eu fiz. Tomei folego, esperando.
— Uma pena que motivos de força maior me obrigam a ter de matar você — seu tom estava carregado de ironia — eu realmente não queria fazer isso.
Seu sorriso se alargou e ele parou a poucos centimetros de onde estavamos.
Eu estava com as costas colada em Hermione, prenssando-na contra a parede. Não tinhamos para onde ir, não quando estavamos fracos demais para aparatar e sem nossas varinhas.
— Eu estive pensando por muito tempo em como fazer isso de um modo satisfatorio. Esses três anos foram divertidos, não posso negar. Ver você sofrer e choramingar pelos cantos por causa de uma sangue-ruim foi sensacional ! Mas ainda é pouco.
"Você vai pagar por sua familia de merda, vai pagar por querer me enfrentar Draco. Não sei se sua imprestavel mãe contou, mas fomos namorados na adolescencia e Lucius a roubou de mim, roubou meu cargo ao lado de Voldemort, ele sempre passou por cima de mim. E agora é a minha vez de passar por cima de cada um que carregue o sobrenome Malfoy ! Vou tomar o poder no mundo bruxo, todos vão temer a mim, seguir minhas ordens e não vai haver mais nenhum Malfoy para me atrapalhar." — sibilou, os olhos faiscando de raiva.
Todas as coisas que ele dizia, não faziam o menor sentido para mim, embora eu não achasse que fosse mentira - pelo menos não a parte sobre ele e minha mãe. Mas aquilo tudo estava ficando sem pé nem cabeça, minha mente trabalhava com rapidez, dando voltas nauseantes.
— Essa sua "vingança" é patética — cuspi — Ficou tão obsessivo a esse ponto ? Que pena de você, Lestrange — falei em tom de zombaria.
Hermione apertou meus dedos levemente, em forma de alerta.
—Guarde sua pena para quem realmente precisa. Por exemplo, a Sangue-ruim, garanto que o estado em que vou deixa-la sera digno de pena — retrucou.
Trinquei os dentes com raiva.
— Você não vai tocar nela — falei com a voz fria e dura.
— Claro que eu vou — ele riu pelo nariz, então apontou a varinha na minha direção — Crucio ! — exclamou.
Eu perdi completamente o controle de meu corpo, meus joelhos cederam e eu me dobrei neles enquanto aquela dor lancinante tomava conta de mim.
Eu não ouvia nada além de um zumbido alto, então a dor cessou depois de alguns minutos, cordas se prenderam ao redor do meu corpo e eu não conseguia me mover nem um centimetro. Minha respiração estava descompassada, minhas palpebras pesavam. Senti as mãos de Hermione em meu rosto, mas não consegui ver o rosto dela, logo em seguida eu apaguei.
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Reverse - Dramione
Fanfiction"Minha vida toda foi uma cilada. Eu errei, fui fraco e me submeti a ordens de um mestiço imundo, virei um assassino e me orgulhava disso. A marca negra ainda estava ali em meu ante braço para me lembrar todos os dias do quão desprezivel minha vida e...
