POV. HERMIONE
As vezes fico me perguntando como uma pessoa pode ser tão horrivel, desprovida de sensibilidade, pré conceituosa e tantas outras coisas que Narciza Malfoy é. Acho que chorei o resto da noite. Depois da confusão fomos para minha casa. Draco não pregou os olhos, e murmurava com ele mesmo a todo instante, ora irritado, ora triste. Eu podia imaginar seu conflito interno, mas, achei melhor não colocar em palavras o que eu pensava a respeito. Faz três dias que Draco esta dormindo em casa - sem que meus pais saibam. Papai ainda não conversou comigo direito, mamãe me pedia paciência e entendimento. Duas coisas que eu não estava tendo. A chuva la fora fez derreter a grossa camada de neve que se acumulara desde o Natal. Eu estava deitada em minha cama lendo um livro, encolhida no moletom de Draco. Olhei o relogio mais uma vez,17:23. Faziam quatro horas que Draco saira, a unica coisa que ele disse é que precisava ir ao Gringotes resolver umas coisas. Ficar sozinha agora era estranho e inquietante, me acostumara tanto com Draco estando por perto que nem mesmo um livro conseguia me distrair. Levantei e fui até minha gaveta da escrivaninha, peguei o pequeno saco de Pó de Flu que a Sra. Weasley me dera no ano passado - quase não usei. Escrevi um pequeno bilhete para Draco e deixei em cima da cama. Sem me importar em trocar de roupa desci as escadas as pressas, puxando o cabelo para tras e o amarrando para cima em uma rabo de cavalo mal arrumado.
- Vai derrubar a casa - reclamou minha mãe da cozinha quando pulei o ultimo degrau fazendo um barulho oco no piso de madeira.
- Estou indo ver Harry - anunciei adentrando a cozinha.
- Não demore para voltar e coma alguma coisa. Você precisa se alimentar direito - disse minha mãe, sua voz gentil.
Esbocei um sorriso, acenei e sai em direção a lareira, entrei na na mesma, peguei um punhado de Pó de Flu e falei claramente "Casa do Black". Segundos depois escorreguei para fora levantando uma camada de poeira e carvão. Definitivamente não fora uma boa ideia, ja que fiquei toda suja. Olhei em volta para conferir se estava na casa certa e graças a Merlin estava.
- Harry ? - chamei me levantando devagar.
Escutei o barulho ensurdecedor de pés correndo, Harry apareceu na ponta da escada e sorriu mastigando.
- Mione - disse de boca cheia.
- Eu mesma - falei abrindo um sorriso.
Ele se aproximou de mim e me envolveu em um abraço de urso.
Estavamos sentados na mesa, uma vasilha cheia de batata frita entre nós.
- E o emprego de Auror ? - perguntei pegando uma batata e enfiando na boca.
- Cansativo - respondeu fazendo uma careta - toda essa história de assassinato a trouxas, tem me deixado acordado algumas horas a mais.
Mordi meu labio inferior sentindo-me uma traidora por saber toda a verdade e não contar.
- Imagino - murmurei desviando o olhar de seu rosto.
- Hermione ... posso te fazer uma pergunta ? - perguntou ele de repente, me olhando com atenção.
Meu coração deu uma leve acelerada enquanto eu assentia.
- Sabe que Malfoy foi intimado a prestar explicações por ter sido visto na casa de uma das familias assassinadas, não sabe ? - falou devagar.
- Sei - respondi rapido.
Ele franziu os labios e hesitou um pouco.
- Você sabe de algo a mais ... sabe porque ele estava la ? - a voz de Harry soou séria.
Olhei para ele nervosamente, querendo contar tudo a ele mais uma vez, mas, prometi a Draco que não faria isso. Balancei a cabeça em negativa.
- Tem certeza ? - perguntou desconfiado, me encarando.
Tentei evitar seus olhos.
- Harry, isso é com Draco. Eu ... não tenho detalhes - menti.
- Você sabe mais do que esta contando. Na verdade você não esta me contando nada - acusou ele, seu tom um pouco magoado.
Esqueci o quanto ele era observador e o quanto me conhecia, claro que ele sabia que eu estava escondendo alguma coisa. Suspirei e me empertiguei.
- Harry, não vim aqui para um interrogatório. Vim por que estou com saudades e preciso ... conversar com meu melhor amigo - falei, em seguida fiz beicinho.
Ele tentou se manter serio, mas por fim suspirou e sorriu.
- Me desculpe - murmurou.
- Sem problemas - respondi.
- E então ... o que houve no Natal além da briga entre você e Ron ? Você foi embora cedo, nem se depediu - indagou.
Respirei fundo. Pelo visto Gina cumpriu com sua palavra e não disse nada a Harry, isso era bom e ruim. Ao mesmo tempo em que não queria que ele soubesse por terceiros, também queria que outra pessoa contasse, assim eu seria polpada do sermão de mais um. *É agora Hermione, respira, inspira e não pira !* falei a mim mesma. Tomei folego mais uma vez.
- Tenho que te contar uma coisa - falei.
Harry ficou tenso, seus ombros travaram em uma linha reta. Ele gesticulou para que eu falasse.
- Harry ... ai caramba, não sei como dizer isso. Você vai querer me estuporar - murmurei mais comigo mesma.
- Hermione, desembucha ! - falou impaciente.
Mordi o labio inferior e tampei o rosto.com as mãos.
- Você vai ser tio - falei rapido, minha voz saindo abafada por minha mão.
Abri um pouco os dedos para olha-lo. Harry riu pelo nariz.
- Isso é impossivel, eu não tenho ... irmãos ... Hermione ... - as palavras foram perdendo intensidade conforme sua fixa caía.
Tirei as mãos do rosto e mordi a parte interna de minha buchecha enquanto esperava ele absorver o que ouvira. Seus olhos focaram em mim arregalados e incrédulos.
- É o que eu to pensando ? - balbuciou.
- Depende do que esta pensando ...
- Mione, você ... ? Você esta gravida do Malfoy ? - falou levantando-se num rompante e tropeçando um passo para tras.
Assenti e comecei a contar tudo a Harry; desde os vomitos até a ida ao Hospital, a reação de Draco e a briga entre ele e Narciza, meus olhos se encheram d'agua ao contar essa parte.
- E agora, o que vão fazer ? - perguntou ele, o tom preocupado.
- Não faço ideia Harry. Estou completamente sem rumo - ri comigo mesma sem humor - Sinceramente estou decepcionada comigo. Sempre fui tão objetiva, centrada ... Não sei o que fazer. Draco tenta me tranquilizar mas, só funciona enquanto ele esta por perto - encolhi um pouco os ombros diante de minha dependência.
Harry percorreu as mãos pelo cabelo e suspirou.
- Esse cara ... ! Malfoy é um imbecil ! - grunhiu Harry.
Franzi o cenho para meu melhor amigo.
- Não se esqueça que ele não fez nada sozinho - falei.
Ele bufou e voltou a sentar-se, inclinou o corpo na minha direção.
- Hermione ... logo você ? - falou atordoado.
- A ultima coisa de que preciso agora é sermão - resmunguei, meio triste, meio irritada.
- Isso é bem mais que um sermão. Estamos falando de outra vida. Estamos falando de como isso afeta você. Sabe que me preocupo com você. Mione você é como uma irmã para mim, não posso simplesmente não falar nada a você e comemorar. - disse serio.
Ouvindo-o falar assim fez-me lembrar de mim mesma. De como eu o tratei por tanto tempo, como era protetora em relação a ele. Eu sabia que a unica intenção dele era ser sincero comigo, era cuidar para que eu não fosse tola. Não que estivesse dando muito certo, mas, o que vale é a intenção. Uma lagrima ivoluntaria escapou do canto de meus olhos e eu a sequei depressa com a manga da blusa de Draco.
- Não chore ... eu só quero que saiba que vou estar aqui pra você, em qualquer situação, a qualquer hora ! - dizendo isso esticou a mão para segurar a minha por cima da mesa.
Tentei sorrir.
- Eu sei que sim - apertei seus dedos.
Senti uma pontada de orgulho repentina do meu melhor amigo. Ele amadureceu de muitas formas, mas, a mais significativa era o modo como ele lidava com as coisas agora. Conversamos mais um pouco sobre meu atual estado de gestante, Harry tentava de todas as maneiras não falar alguma coisa que fosse me chatear, mas eu sabia que ele estava perplexo com a ideia de eu não ter me cuidado. Em alguns momentos ele deixava escapar um "logo você" e "nunca imaginei que você ...". Minha vida teve varias reviravoltas em poucos meses; tudo ficou do avesso quando Draco me agarrou naquele corredor para me fazer parar, para que eu não gritasse, tudo desandou ainda mais quando o vi sorrir pela primeira vez - sorrir com os olhos, sem sarcasmo - , tudo se bagunçou naquele pequeno confronto que tivemos na Torre de Astronomia. Eu não faria a prova final, a N.I.E.M (Niveis Incrivelmentes Exaustivos em Magia), isso com certeza prejudicaria minha carreira profissional no mundo da magia. Pensar nisso me deixou com raiva de Ronald.
- Pode pedir a McGonagall que te deixe voltar ... não acho que ela ia recusar - disse Harry quando comentei com ele sobre isso.
- Não acho que ela vá ceder. Ela ficou realmente zangada com o que aconteceu - falei acre.
A vasilha - antes cheia de batatas - agora estava vazia. Eu estava com as pernas cruzadas em índio na cadeira, Harry se empurrava para frente e para trás em sua cadeira, louco para cair e bater a cabeça. Nesse momento escutamos a porta abrir, alguns segundos se passaram e Gina adentrou a cozinha tirando seu casaco e jogando-o no encosto de uma cadeira. Ela deu um selinho em Harry e correu para o meu lado, sorrindo. Devolvi o sorriso enquanto ela se inclinava e me abraçava com força.
- Oi meu amoooooooor - cantarolou em meu ouvido me soltando.
Dei uma risadinha.
- Oi Gina - respondi - e aí, como esta a vida de noiva ? - falei animada.
Ela lançou um olhar a Harry e os dois trocaram um sorriso.
- Uma correria! Sabe como eu sou indecisa né ? Não consigo me decidir em nada: vestidos, flores, e todas essas frescuras de casamento - resmungou sentando-se ao meu lado.
Eu ri pelo nariz.
- E você Mi, como vai a vida de mamãe ? - perguntou descontraída.
Então seu sorriso desapareceu, ela arregalou os olhos e tampou a boca, ergui as sobrancelhas para ela.
- Me desculpa Mione - balbuciou, olhando de mim para Harry, que tinha um leve sorriso nos labios achando graça.
- Relaxa Gina. Harry ja sabe - contei.
Ela soltou um suspiro aliviado.
- Ainda bem. Não aguentava mais guardar isso para mim - disse ela, dando um sorriso brincalhão.
- Imagino seu esforço - provoquei.
Ela semicerrou os olhos para mim e sorriu de lado.
- Bota esforço nisso, Gina guardar um segredo é de impressionar qualquer um - alfinetou Harry.
- Acho melhor você ficar na sua meu amor - disse ela a Harry.
Ele ergueu as mãos como quem se rende.
- Tudo bem. Gosto de ter minha cabeça sob o pescoço - retrucou zombeteiro.
- Ótimo - respondeu a ruiva dando um sorriso amarelo e sarcastico.
Ver os dois se provocando me fez pensar em Draco e me perguntar o que ele estava fazendo e se ja tinha voltado. Passei a tamborilar na mesa com os dedos, ponderando se ia ou não embora.
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Reverse - Dramione
Fanfiction"Minha vida toda foi uma cilada. Eu errei, fui fraco e me submeti a ordens de um mestiço imundo, virei um assassino e me orgulhava disso. A marca negra ainda estava ali em meu ante braço para me lembrar todos os dias do quão desprezivel minha vida e...
