Segurei o coração do colar que, o Rafa tinha colocado no meu pescoço, e dei um meio sorriso. Olhei para o branquelo a minha frente e vi o rostinho de casado nele, mesmo que ainda estivesse com um sorriso bobo.
-Rafa, ainda falta três horas de viagem, você não ter que eu leve o resto do caminho? Tu tá mó cansadão aí e eu já dei um cochilo.- ele negou.
-Fica mec, que aí tá tudo suave.- acabei rindo da forma que ele falou e depois revirei os olhos.
-Se tu quer pagar de trouxa, pra mim tudo bem.- percebi que a música já tinha parado um bom tempo e tentei ligar a tela do celular, bem, tentei, porque ele continuou desligado. Olhei para o Rafa e paguei demência, entregando a ele. -Tô, descarregou.- falei como se ele não tivesse dito que isso não podia acontecer.
Ele pegou o celular sem acreditar e eu olhei para minhas unhas.
-Porra, Natacha! Eu te falei o que idiota? Tu sabe que eu preciso de alguma coisa pra me comunicar, fia, imagina se alguma coisa acontece com nós, ou tá acontecendo no morro? O que nós faz otária?- falou irritado do nada e encarei ele séria cruzando os braços.
-Desculpa tá legal? Se eu tivesse visto que esse caralho ia descarregar eu tinha deixado quieto!- ele não falou nada, mas continuou com a cara de merda.- Pra que esse estresse todo, Felipe não tá no morro? Ele não é o dono? Ele sabe o que faz, tem tudo sobre controle.- tu pelo menos olhou pra mim? Porque ele não.
Eu também não fiz questão não, ele que se foda, mas que tem coisa aí tem, tenho quase certeza.
Depois disso ele não abriu mais a boca e ficou com a para de cu dele, peguei o travesseiro que estava no banco de trás e me deitei de costas para ele sentindo o vestido me machucando. Juro que se eu estivesse de lingerie tinha tirado essa merda.
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Me acordei assim que entramos na cidade e passei a mão nos cabelos tentando controlá-los enquanto me sentava sentido minhas costas doerem. Olhei para fora e percebi que já era bem tarde pois quase não tinha carros nas ruas e estava escuro. Vi o Rafa de olhando de soslaio e paguei a louca jogando o travesseiro no banco de trás e ajeitei a porra do vestido que eu já tinha vontade de rasgá-lo.
Rafael não abriu a boca em momento algum, apenas me olhava se certificando que eu estava bem. Porém devido a velocidade que ele conduzia o carro e esta com a mesma cara de algumas horas atrás, eu sabia que ele estava escondendo alguma coisa e pelas atitudes dele não era nada boa e não serei eu que irei pagar de insistente.
Não demorou muito e a gente passou pela barreira do morro e assim que colocamos os pés ali dentro ele acelerou ainda mais, me deixando irritada.
-Aí Rafa! Acho que levei um tiro no braço, está doendo muito!- fiz voz de desespero e passei a mão pelo braço, olhando para ele logo depois.- Ah não me enganei, é só tuas paranoias mesmo!- dei o sorriso mais debochado que existia e desci do carro, já que acabamos de chegar em casa.
Mas paguei com minha própria língua quando ele saiu do carro e os sons de tiros chegaram até nossos ouvidos, me fazendo arregalar os olhos e ele me olhar debochado. Ligou o rádio e já se escutava os gritos do Felipe.
Corri para dentro da casa dele, nossa, e assim que entrei no quartinho ele olhou para mim negando.
-Dessa vez tu não vai ir.- falou sério enquanto colocava os bagulhos todo no corpo e preferi nem discutir.
-Sai da porta, cara.- passei a mão no cabelo enquanto tentava entrar.
-Tô te falando, tu não vai sair dessa casa. Primeiro que tu tá de vestido e segundo é melhor tu ficar.
-Mas…
-Mas porra nenhuma, tô te pedindo na moralzinha pra tu ficar quieta. Tem como?- suspirei cansada demais para aquilo e me virei subindo para o quarto a passos fundos.
Tirei minha roupa ouvindo os tiros cada vez mais alto e fui até o guarda roupa pegando a primeira coisa que vi e jogando o vestido para longe de mim. Me sentei na cama, passando a mão por debaixo dela e senti um fuzil e uma pistola colados nas grades. Respirei algumas vezes tentando me acalmar e assim que a raiva tinha passado percebi a merda que tinha feito.
Deixei ele ir embora para a porra de um confronto sem nem ao mesmo da boa sorte, sendo que a probabilidade daquela ser a última vez que possa ver ele vivo é altíssima. Esfreguei meu rosto com força e senti o remorso bater, fazendo meu coração ficar pequenininho. Me encolhi na cama e fiquei olhando para a porta enquanto rezava para que o Rafa voltasse sã e salvo para mim, ou eu nunca me perdoaria. A chuva de tiros estava ficando cada vez mais forte e repetitiva, me deixando mais aflita.
Porra rato de esgoto, se você não voltar inteiro eu vou te bater muito!
Por isso era melhor eu está lá com eles, minha mente ficava ocupada demais para pensar em alguma coisa além de me manter viva e matar os vagabundos que estavam invadido, mas aqui dentro dessa casa escondida eu só conseguia pensar em coisa negativas.
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Já havia uma hora que os tiros tinham acabado e nada do Rafael das as caras ou pelo menos avisar que estava vivo e eu já estava pronta para levantar do sofá e correr lá para fora atrás do meu marido, quando o filho da mãe abriu a porta e passou por ela, me fazendo suspirar aliviada e me levantar no mesmo instante.
Corri até ele e o abracei pelo pescoço, pouco me fudendo se ele estava sujo com sangue ou fedendo, só em ver que ele estava inteiro na minha frente já me deu um puta vontade de chorar.
-Não faz mais isso, pelo menos me avisa que está vivo e desculpa por ter te dado as costas.- falei rápido e senti os braços dele na minha cintura e um beijo na minha cabeça.
-Me desculpa por mais cedo também, fiquei bolado de graça. Agora eu preciso tomar um banho, tô cansadão.- me afastei vendo um meio sorriso na boca dele e logo ele subiu.
-Quem invadiu?- perguntei indo atrás dele.
-Milícia.
-Algum interesse fora pegar o morro?- ele assentiu com a cabeça.
-Ainda não sei o que é direito, vou tirar esse papo a limpo com o Ret amanhã.
Entrou no banheiro e eu tirei minha roupa jogando no chão e indo atrás dele. Cheguei por trás e beijei o ombro dele sentindo o mesmo se arrepiar. Rafa se virou com um sorriso malicioso e segurou minha cintura me puxando para mais perto, desceu a cabeça para meu pescoço e começou a mordiscar ali.
-Quer dizer que eu tenho uma esposa tarada?- chupou de leve a região e depois passou a língua.
Me soltei dele e fui me abaixando enquanto passava as unhas pelo abdômen dele até chegar no seu pau que estava semi ereto. Peguei o mastro grosso e médio e beijei a cabeça rosada, olhando safada para ele e passando a língua pela extensão, observando a mandíbula dele travar e sem muito mimimi cai de boca.
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Envolvida✔
Teen Fiction+16 Cinco anos haviam se passado desde que Natacha foi presa, e agora o que queria era apenas voltar para casa e para o aconchego de seus familiares; retomar a vida de onde parou ao lado do marido e do melhor amigo. Só não esperava que o mundo tives...
