Capitulo 32: Parte 3

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-TRAGAM UMA MACA!- gritei saindo do carro e abrindo a porta traseira vendo que estava piorando.- CADÊ PORRA? BORA CARALHO, SE ELE MORRER EU MATO TODOS!- gritei com a voz embargada e passei as mãos nos cabelos os puxando com força sem saber o que fazer, e com o desespero me sugando cada vez mais ficava difícil pensar em algo.

Não demorou muito e uma equipe médica apareceu ao meu lado, tiraram ele do carro e colocaram na maca correndo para dentro do postinho. Fui atrás deles praticamente no automático, até que fui barrada.

-A gente cuida dele agora, você pode ir fazer a ficha.- me deu um sorriso reconfortante e passou pelas portas a mil, olhei para os lados e comecei a respirar fundo tentando controlar minha respiração e me acalmar.

Quando vi que aquilo não estava adiantando de porra nenhuma e o medo dele morrer me corroia a cada segundo, corri para o carro e procurei meu celular, o peguei com as mãos trêmulas e liguei para o Rafa. Quando pensei que ia cair na caixa postal a voz rouca e sonolenta dele chegou até meus ouvidos.

-Floquinho?

-Rafa… ele… ele, ele te-teve uma overdose.- disse baixo com a voz mais embargada do que pensei e tentei controlar as lágrimas.

-O que Natacha? Quem teve uma overdose e onde você está?- a voz dele estava em alerta agora e respirei antes de falar.

-No postinho, amor, eu, eu, eu… eu acho que ele vai morrer.- um soluço saiu da minha garganta e uma nova corrente de lágrimas desceram em meu rosto.

-Quem Natacha? E que história é essa?- escutei ele batendo alguma coisa e soltando uma sequência de palavrões.

-O Felipe, Rafael!- de repente tudo ficou em silêncio e o que se escutava era a respiração ofegante dele e meu choro.

-Tô colando ai.- disse com a voz estranha e rápido.

-Não demora.- funguei e desliguei me encolhendo no banco e deixando as lágrimas caírem.

Felipe foi um filho da puta, não merecia nem se quer um olhar de desdém meu, fiquei puta com ele e o fiz leva uma surra do caralho, mas depois a raiva passou, e ele sempre esteve comigo. Foi uma das pessoas que me fortaleceu, que não me deixou cair ou me matar com a automutilação depois que perdi minha mãe. Foi ele junto com o Rafa que me defendia quando eu não tinha força para isso. 

Merda! A cada dez memórias da minha adolescência e fase adulta, oito são com ele. O desgraçado querendo ou não é importante para mim e eu não estou preparada para mais uma perda, na verdade nunca estive!

Escutei batidas no vidro do carro e levantei o olhar dando de cara com o Loiro. Abri a porta e me joguei nos braços dele molhando todo o seu peito.

-Ele, ele… ele…- comecei gaguejando, mas o Rafael me interrompeu.

-Shiii, depois você me conta Floquinho, agora tenta se acalmar que isso não faz bem pro nosso bebê.- falou com a voz firme e calma enquanto massageava minha cintura com os dedos.

Porém eu sei que isso é tudo fachada para não me deixar mais nervosa, porque lá no fundo ele está chorando como um bebê. Pensando nisso o apertei com mais força e me desgrudei. Levantei minha mão até seu rosto e comecei a acariciar sua barba por fazer.

-Tô aqui contigo, beleza? Vamos rezar para nada de grave acontecer com ele.- falei em uma batalha ardente para não deixar as lágrimas caírem e tentei me acalmar, mas meu coração estava apertado demais para conseguir tal feito.

O Rafael não falou nada, apenas me puxou para mais perto e me abraçou com força deixando as emoções virem a tona e senti as lágrimas dele no meu ombro.

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