A expressão "você estava no lugar errado e na hora errada" nunca fez tanto sentido como naquele momento. A entrada repentina dos seis homens empunhando armas poderosas, as ameaças entoadas em gritos, a pressão nos funcionários da joalheria de luxo...
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— Me diga você, então — insisti, agora encarando Eunbi.
— Nem ouse, sua desgraçada! — Jeongguk gritou quando a mulher abriu a boca para falar algo. — Eu já disse que conversaremos em casa, (s/n).
— Mas eu não quero conversar em casa! Quero saber nesse instante o que está acontecendo na minha frente! — Rebati alto, irritada. Logo em seguida, o rapaz apertou a minha mão e eu rapidamente me livrei daquele contato doloroso. — O que deu em você pra me segurar desse jeito? — O encarei com revolta e Jeon continuou sério, focado na outra. — Não vai falar nada? — Ele negou com a cabeça. — Mesmo?
— Não, (s/n).
— E você, Eunbi?
— Não — a loira disse firme, ainda mantendo a troca de olhares com Jeon.
— Certo... — ajeitei a minha bolsa em meu ombro e saí dali às pressas, deixando os dois sozinhos. Na verdade, eu era a única que estava sobrando naquele encontro.
Os nossos pais ficaram confusos quando me viram retornando à mesa sozinha e de imediato perguntaram por Jeongguk. E mesmo com a cabeça cheia de teorias sobre o que Eunbi poderia ter feito de mal para Jeon, pensei em uma desculpa para a situação e disse que o rapaz estava conversando com um amigo e que eu havia voltado antes com o intuito de tranquilizar todos eles. Após concordarem sorridentes, os casais retomaram a conversa sobre viagens ao redor do mundo e eu fingi estar atenta ao que falavam enquanto sentia a minha cabeça pesar de tanta dor. Os meus pensamentos eram tomados apenas pela misteriosa relação entre aqueles dois, que, levando em consideração a demora de JK para chegar, provavelmente ainda discutiam em frente ao banheiro feminino.
— Quando o Jeongguk voltar, eu acho que podemos ir embora — falei para todos assim que tive a oportunidade. — Eu tenho que ir trabalhar bem cedinho amanhã.
— Entendemos completamente, minha querida — Minji, a minha sogra, disse. — Poderemos nos encontrar mais vezes. Foi um jantar maravilhoso.
E bem no momento em que concordei, o meu namorado ressurgiu no meu campo de visão. Jeon andava rápido e trombava nas pessoas em seu caminho, aparentando estar bastante atordoado e nervoso. O que estava acontecendo? Quem era Eunbi, afinal? O moreno sentou-se ao meu lado e, agitado, bebeu um longo gole de vinho na sua taça. O seu pai anunciou que iríamos embora e ele concordou de imediato, esforçando-se ao máximo para não parecer um desesperado. Mas esse disfarce não funcionava comigo. Quando o moreno pagou a conta, recebeu uma ligação e nos conduziu até a área externa do restaurante. Lá, descobrimos que um funcionário da sua residência havia vindo especialmente para dirigir o seu carro, já que todos nós havíamos bebido, e nos levar até as nossas casas. Ao chegarmos na minha, os meus pais se despediram do genro e desembarcaram primeiro, deixando-me apenas na presença do rapaz e de seu motorista. Os meus sogros haviam ido embora de táxi.
— Vamos pra minha casa — a sua fala estava longe de ser uma pergunta, mas o seu tom denunciava certo receio.
— Não, eu não vou — respondi com seriedade e ele suspirou alto, cansado. — Estou chateada e já vi que você não tem intenção alguma de me falar o que aconteceu naquele restaurante — nos entreolhamos. — Eu tenho que ir trabalhar amanhã e não vou perder uma madrugada de sono tentando te convencer a fazer o básico — retirei o cinto de segurança e, diante do seu silêncio, saí do carro. — Boa noite — Jeon permaneceu calado e eu simplesmente caminhei na direção da minha residência. Não havia o que ser dito. Pelo menos da minha parte.