A expressão "você estava no lugar errado e na hora errada" nunca fez tanto sentido como naquele momento. A entrada repentina dos seis homens empunhando armas poderosas, as ameaças entoadas em gritos, a pressão nos funcionários da joalheria de luxo...
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— Eles é que vão matar — Jeongguk disse com desinteresse. — Eu não — deu de ombros.
— Isso é sério mesmo? — Cruzei os braços, irritada.
— Claro que é.
— Você realmente acredita nisso?
— No quê?
— Que não vai matar ninguém? — Ele bufou. — Você deu a ordem.
— Que se dane!
— Jeongguk, isso não é o certo — ele riu soprado antes de sair do cômodo em passos rápidos, fugindo de mim. Não demorei para ir atrás. — Eles são pessoas, possuem famílias, podem ter namoradas, espos...
— São bandidos, (s/n) — me interrompeu em um grito, me assustando. — Você não deve se importar tanto, já que eles estão te cercando pra te pegar — manteve a troca de olhares com firmeza, estava irritado também. — São eles ou você, o fato é esse — retirou a camiseta e foi até uma mesinha, largando a pistola ali. Eu nem percebi que Jeon havia levado a arma. — JP pensa que vai me intimidar, mas eu vou dar uma resposta à altura.
— Você... Você já matou alguém? — Nos encaramos mais uma vez. — Mesmo que tenha sido por defesa? — Questionei receosa, talvez não querendo ouvir a resposta. Jeongguk pegou a arma mais uma vez e seguiu até o closet. Ele parecia um pouco desnorteado, acredito que isso se devia pela pergunta repentina.
— Ainda não foi necessário — sua voz soou distante por ele já estar em outro cômodo. — Mas se precisar, eu mato — completou enquanto vinha ao meu encontro. Eu já não conseguia reconhecer o rapaz doce que conheci no hospital. — Não posso ter pena de todo mundo, (s/a). Estou inserido nesse meio e se não me garantir, eu vou morrer.
— As coisas não se resolvem assim.
— E o que você quer que eu faça? — Me olhou com indignação e impaciência. — Quer que eu chame a polícia? — Riu sem vontade, nervoso. — Porque é assim que vocês, os honestos, agem, não é?
Optando por não rebater e permitir que aquela conversa se transformasse em discussão, apenas me afastei do maior e retornei para o lugar em que estava antes da sua chegada. Ainda precisava colocar as minhas roupas. Já vestida, desci sem nem me dar ao trabalho de conferir se Jeongguk ainda estava no quarto. Ele foi tão incompreensivo com o meu posicionamento que até me surpreendeu. Emburrada, ocupei um lugar no sofá da sala após recolher as nossas peças que ficaram ali e passei a encarar o lado externo da residência através do vidro que servia como parede.
Jeongguk seria mesmo capaz de matar uma pessoa? Ele não parece ser o tipo de homem que faria isso. Mas eu não deveria me espantar e nem esperar muito dele, afinal, estou falando de um criminoso. Não vou negar que sou apaixonada por ele, mas também não vou negar que ele tem um caráter duvidoso. Um lado seu é o homem que conheci no hospital, o filho dedicado que rege a empresa da família, e o outro é o que tive contato quando fui levada como refém, o bandido que assalta lojas e bancos em busca de dinheiro para manter o alto padrão de vida. E, bem, eu devo confessar que não estava tão limpa nessa confusão toda, já que ando usufruindo dos bens adquiridos através de suas ações e até participei de uma delas.