2. Diferente, mas duvidoso

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O caminho pareceu durar algumas horas

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O caminho pareceu durar algumas horas. Eu não possuía muita noção de tempo estando trancada naquele porta-malas, então o que me restava era deduzir. Havia chorado bastante, mas já não conseguia mais. A minha cabeça era preenchida por ideias sobre como seria o lugar que eles estavam me levando e o que aconteceria quando chegássemos lá. Poderia ser óbvio, afinal, o que pode acontecer com uma moça no meio de vários rapazes que praticamente a sequestraram? Meu corpo estremeceu e eu me encolhi ainda mais, fechando os olhos com força. O carro parou e eu pude ouvir algumas vozes abafadas ecoarem do lado de fora, ficando mais baixas gradativamente. Eles foram embora e me deixaram aqui? Céus, eu vou morrer por asfixia. O plano é esse, então?

— Vamos — assustei-me com o barulho do porta-malas sendo aberto e com a voz grave do palhaço. Eu deveria chamá-lo dessa forma? Era melhor nem manter contato. — Você poderia... Hm... Se apressar? Estamos cheios de serviço pra fazer.

Levantei-me com pressa e ele me guiou com calma até o interior de um galpão. Uma calma completamente inesperada que até me deixou um pouco confusa. Não pude contar por causa da rapidez que passei por ali, mas vi um grupo de uns seis ou sete rapazes parados perto da escada. Eles estavam de costas e já não usavam as máscaras, apenas o palhaço demoníaco ainda tinha a sua grudada no rosto. Incrivelmente, até agora, ele havia mostrado ser o oposto do que aquela máscara representava. O meu destino final foi dentro de uma sala minúscula onde praticamente só se via a penumbra das coisas.

— Sente-se — ele ordenou e eu prontamente obedeci. — Vou ter que te amarrar. Não posso correr o risco de você fugir e nos denunciar — disse enquanto o barulho das cordas sendo desenroladas por suas mãos se fazia presente. — Junte os braços atrás do seu corpo.

— V-Vocês vão... — parei para respirar fundo e falar normalmente. — Vocês vão me liberar no fim da tarde como o outro rapaz disse? — O palhaço riu soprado e amarrou as minhas mãos assim que eu as juntei. Não sabia como ele conseguia enxergar ali.

— Pode ter certeza de que iremos fazer isso, eu garanto — respondeu quando terminou o serviço. — Abra a boca, por favor — tive que atender ao seu pedido, mesmo com o medo me corroendo, e um pano foi colocado em minha boca. — Gritos nos deixam irritados e você certamente não gostaria de nos ver desse modo. Estou saindo agora — disse com rapidez e saiu, me deixando sozinha naquele lugar medonho.

E se ali tivesse bichos? Ratos, baratas... Cobras, talvez? Chacoalhei a cabeça tentando retirar aquilo dos pensamentos e tentei enxergar a sala melhor, mesmo com dificuldade. No canto havia uma mesinha e duas cadeiras. A lâmpada que deveria iluminar o local era fraca por provavelmente estar quase queimando e apagava às vezes. Minha cabeça pendeu para trás e eu me assustei ao encostar em algo gelado. Era um armário que deduzi ser de ferro devido à sua temperatura.

— Ei! — Alguém sussurrava ao longe e eu me senti livre do aperto do pano em minha boca. — Acorda — mexi a cabeça para ouvir melhor, mas ainda não tinha forças para abrir os olhos. — Vamos! Não tenho a noite toda — agora o meu corpo era chacoalhado e eu, ao ouvir a palavra "noite", abri os olhos rapidamente.

Criminal | Jeon JungkookHistórias para pegar e não largar. Descubra agora