29. Meu Jeongguk

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Após algumas horas dentro do carro, logo reconheci o galpão. Por que estávamos aqui de novo? Não deveríamos estar no hotel agora? O rosto de Jeongguk ainda brilhava por causa do sangue e eu me segurava para não perguntar se ainda doía muito. Ele saiu do carro e adentrou o local deixando-me sozinha dentro do veículo. Caminhei vagarosamente até o interior do galpão e o encontrei chorando compulsivamente no sofá.

— Ei! — Me aproximei com pressa e passei a acariciar as suas costas. Jeon já havia se livrado do paletó e apoiava o rosto nas mãos. Eu deveria estar chateada com ele, mas não conseguia. — O que acha de tomar um banho? — JK negou com um simples balançar de cabeça. — Posso... Fazer um curativo?

— Não deveria ficar aqui vendo essa cena deprimente — disse com dificuldade pelo choro. Apenas fiquei calada, porém mantive o afago em suas costas. Não sabia o que dizer e preferi esperar que ele falasse algo. — Hyorin foi a minha noiva — disse de repente. Como eu já suspeitava. — Ela me abandonou pra ir cuidar dos negócios do pai no Japão.

— E-Eu sinto muito — sussurrei.

— Todo mundo sabia sobre nós. Os meus pais, os meus amigos... — chorou ainda mais e eu fiz questão de puxá-lo para o meu colo. Me sentia incomodada por vê-lo chorando daquela forma por causa de outra mulher, mas não conseguia me distanciar dele nesse momento. — Na época, eu descobri que ela tinha outro e agora... Agora descobri que ela me traiu com o Jay também. Não foi apenas um homem. Porra... — fungou. — Justo o Jay.

— As coisas são complicadas mesmo, mas pelo menos você descobriu a tempo — afastei os seus cabelos escuros do seu rosto quando ele virou-se para me encarar. — Seria muito pior se você já estivesse casado com ela.

— É, mas eu perdoei quando descobri a primeira traição. Pretendia me casar mesmo assim, mas ela foi embora — ficou calado, agora encarando as suas mãos avermelhadas.

— Há quanto tempo ela se foi?

— Um ano.

— Por isso que o Jay e algumas pessoas do evento disseram que você se recuperou rápido?

— É — retirou a cabeça do meu colo, sentando-se novamente. — Não fale mais no Jay, pelo menos por hoje.

— Certo — encarei o seu rosto um pouco inchado e suspirei. — Posso fazer o curativo agora?

— Pode — Jeon já havia parado de chorar e encontrava-se apoiado no encosto do sofá. Fui até a cozinha com pressa e peguei a maleta de primeiros-socorros, voltando em pouco tempo após lavar as mãos. Não podia correr o risco de Jeongguk desistir. — Puxa os cabelos pra trás — pedi e ele apenas me encarou por um tempo. Envergonhada, sentei-me no sofá e abri a maleta.

— Me desculpa — disse de repente. Levantei o rosto para encará-lo e a sua expressão de tristeza me preocupou.

— Por quê?

— Nós estamos tendo algo importante e eu estou aqui chorando por outra mulher. Isso não é justo com você — ainda me encarava com atenção. Eu suspirei, olhando para o interior da maleta. Ele tinha razão, mas eu não queria magoá-lo mais. — Eu estou sendo um filho da puta contigo.

— Você ainda gosta dela?

— Não. Eu sinto algo, mas não é amor — disse baixo. — É decepção, sabe? Frustração... — suspirou. — Eu projetei em Hyorin todas as minhas expectativas em relação ao futuro e, de repente, ela foi embora. Disse que voltaria, mas não voltou.

— Eu pareço com ela em alguma coisa?

— O quê? Não — riu. — Por que a pergunta?

— Pelo que entendi de tudo o que ouvi até agora, você não tinha perspectiva alguma de melhora e de repente me conheceu. Você ficou mais tranquilo, se apaixonou por mim e agora estamos aqui. Tudo isso aconteceu depois de mim e me faz pensar agora que eu te faço lembrar dela.

Criminal | Jeon JungkookHistórias para pegar e não largar. Descubra agora