44. Outra face

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— Como você pode achar que vai chegar aqui na nossa base, observar tudo o que a gente faz, tirar fotos e fazer vídeos da minha namorada, entregar tudo para o Jay e no final não dar em nada? — Jeon falou tudo rápido e extremamente alto antes de cruzar os braços e encarar o homem com ódio.

— D-Desculpa, senhor JK! — Murmurou. — E-Eu estava... Estava precisando de dinheiro — disse em meio a um choro desesperado que surgiu de repente. Meu peito apertou. — Estou em uma situação difícil — fungou. Jeongguk riu e eu o encarei em completa incredulidade.

Certo que o infiltrado estava totalmente errado por fazer negócios com Jay e vigiá-los, mas o JK deveria, no mínimo, se lembrar de que fez a mesma coisa no passado. Ele solicitou a ajuda financeira de Jay e teve que fazer assaltos para quitar a dívida. Custava ter um pouco de empatia? Aish! Eu deveria estar esperando demais de um criminoso ao pensar nisso. E mais uma vez me peguei caindo na real. Será que fiz certo em confiar tanto neles? E se tivesse mais cautela ao me relacionar com todos daqui para frente? Adiantaria?

Pare com isso, (s/n). Você namora um deles e se não se entregar ao relacionamento, nada fará sentido. 

— Eu vou te desculpar, cara — Jeon disse enquanto concordava com a cabeça. Sério? Isso é maravilhoso! Sorri abertamente, mas logo tive que cobrir a boca para controlar o meu possível grito de susto quando JK segurou o pescoço do rapaz com força. — Mas eu não posso te devolver para o Jay inteiro, não é?

— S-Senhor, por favor! Minha família...

— Você deveria ter pensado na sua família antes de se submeter a esse tipo de serviço — o moreno o interrompeu. — Agir contra a gente é suicídio, cara. Lembre-se sempre disso.

— O que quer que a gente faça, senhor? — Um reserva perguntou.

— Hm... — Jeon pôs a mão livre no queixo. — Acho que uma surra está de bom tamanho, não é?

— Parte dois? — Ele riu enquanto encarava o infiltrado.

— O que acham? — JK olhou para os demais da base e eu me escondi atrás de Taehyung no momento. Se ele me visse agora, certamente atrapalharia o meu plano de saber no que isso vai dar para, se necessário, intervir.

— Digam que vocês não concordam — murmurei para que Kim e Jung ouvissem.

— Não podemos — V disse no mesmo volume. — Pode ser — falou alto, respondendo a pergunta do meu namorado. 

— Por quê? — Sussurrei enquanto puxava a sua camiseta com força, irritada. — Ele não pode apanhar mais.

— Concordo, pode bater — Hoseok disse por fim.

— Vocês enlouqueceram? — Tive que me controlar para não gritar.

— Temos que dar o exemplo, (s/n) — JH sussurrou. — Sinto muito.

Jeongguk sorriu abertamente e logo os reservas se aproximaram. Eu não estava reconhecendo o meu namorado e tinha medo do que aconteceria nos minutos seguintes. Os rapazes fizeram uma fila e a partir dali cada um teria o direito de espancá-lo o quanto quisesse. Ao ouvir a informação, saí do meu esconderijo atrás do corpo de V e iniciei o meu caminho até JK, porém fui interrompida pela mão do hacker. Tae disse que seria pior se eu falasse algo e naquele momento, me senti totalmente impotente. Os gemidos de dor e o barulho de socos preencheram o lugar e eu me vi obrigada a encerrar aquilo. Não, isso não faz parte de mim. Nunca vai fazer. Eu definitivamente não posso compactuar com essa merda.

— JK! Faça isso parar! — Minha voz saiu um pouco esganiçada e os olhos do moreno se arregalaram quando me ele percebeu ali. — Por favor, amor! — Resolvi apelar. — Peça pra eles pararem. 

Criminal | Jeon JungkookHistórias para pegar e não largar. Descubra agora