89. Inimigo em comum

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— Vai! Vai! Corre! — A ordem era proferida aos gritos por vários homens em meio a toda aquela sequência de passos desesperados. Estava uma bagunça, o verdadeiro caos.

— Fica abaixada, mãe — pedi ao ouvir mais disparos. A mais velha, tomada pelo medo, rapidamente se jogou no chão, optando por ficar deitada ali. — A sala é blindada, mas não dá pra confiar em nada.

— Vem pra cá também! — Ela chamou em um sussurro, como se alguém pudesse nos prejudicar se a escutasse.

— Um minuto.

— Onde está o JM? — Alguém perguntou alto. A voz esganiçada deixava evidente toda a sua preocupação com a situação crítica que teriam que enfrentar nos próximos minutos.

— Não sei — outro rapaz respondeu.

— Temos que focar em protegê-lo — ofegante, continuou a falar. — Nada pode acontecer com o senhor Park, ouviram? — Aumentou o volume da voz, tenso. Que otário! Como pode se preocupar mais com o Jimin do que com ele próprio? — Vamos garantir que o nosso chefe saia daqui sem complicações — mais passos apressados ecoaram e eu não pude identificar o que o homem disse em seguida. Bufei. — E aí?

— A rota alternativa está livre — alguém bem mais ofegante respondeu extremamente alto. — Eles ainda não tomaram tudo, então temos alguns minutos. Poucos, mas temos.

— É o suficiente — o bajulador concluiu. Como pode? Não me conformo! Ele estaria disposto a se ferir somente para proteger o JM? — Vamos encontrar o senhor Park e escoltá-lo depressa! — Uma nova sequência de passos veio logo após. Aquele som era estressante. — Se esforcem pra não serem atingidos! Se alguém se ferir, vai ficar pra trás! — Gritava. — A ordem é revidar os disparos enquanto recuamos! Vai! Anda!

— Recuar... — Sussurrei, espantada. — Jimin vai tentar fugir... — Analisei o cenário e suspirei. O barulho ensurdecedor dos tiros me deixava apreensiva. — Isso evita mortes desnecessárias, no entanto... — Respirei fundo. — Dá a ele a chance de conseguir ir embora.

— Filha, deita aqui comigo — preocupada, a minha mãe insistiu. — Vem.

— Encontrei o JM! — Mais um grito reverberou do outro lado. Aliado ou inimigo? — Vamos! Corram!

— Porra... — Aflita, apoiei a alça do fuzil no ombro direito e esfreguei o rosto com as mãos. — É horrível não ver nada, não ter noção do que está acontecendo... — Liberei o ar com força, indignada. — E o pior é não ter ideia de quanto tempo passou — umedeci os lábios secos. — Essa é uma ação rápida... Extremamente rápida... — Olhei na direção da parede de vidro, que estava escondida atrás da cortina fechada. — Será que o pessoal do Jay está aí fora?

— Nem pense! — A minha mãe, assustada, sentou no chão. — Não chegue perto daquela parede, você me ouviu? — Usou o seu tom autoritário, que tinha um efeito altamente disciplinador em mim. Droga. — Senta aqui agora, (s/n)!

— Mãe, eu...

— Não me importa se você está segurando uma porcaria de fuzil ou não! — Estava completamente séria, apavorada com a possibilidade de que eu me aproximasse do local. O som dos disparos potentes apenas deixava tudo ainda mais assustador e dramático. — Eu sou a sua mãe e estou mandando você sentar aqui comigo! — Derrotada, suspirei alto e a obedeci. Coloquei a AR-15 no meu colo e bufei. — Ótimo.

— Se eles nos vissem aqui, seria muito mais fácil pra...

— E se essa droga de parede não é blindada o bastante? — Me interrompeu. — Você não conhece esta casa! Não sabe quais foram os materiais que o Jimin usou aqui! — Falava rápido. — E se algum daqueles homens usar um tipo de munição que aquela merda ali não bloqueia? — Nos entreolhamos. — E então? Eu perco você?

Criminal | Jeon JungkookHistórias para pegar e não largar. Descubra agora