69. Diante de um louco

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Fui conduzida até o quarto por Dakho e o coreano trancou a porta assim que avisou que logo retornaria com a minha refeição. Ele estava tão apressado que não parou para ouvir uma palavra sequer. Contrariada e bastante agitada, percorri o cômodo inteiro e o barulho dos meus passos serviam apenas para me deixar ainda mais tensa. Shin não recuaria? O que seria daqui para frente, então? Eu continuaria sendo a sua refém? Para sempre? E se os rapazes não me encontrassem mesmo tendo o auxílio do JP? Será que acionariam a parte corrupta da polícia para ter algum reforço especializado? Céus... A minha cabeça iria explodir! Eu só quero ir embora! Quero esquecer que um dia namorei um bandido completamente louco.

— Os meus pais devem estar muito preocupados... — Falei baixo, observando o céu escuro e sem nuvens através de uma das janelas. — Onde será que eu estou?

Os minutos passavam e era horrível não ter ideia de quantos foram e de quantos ainda faltavam para que o dia finalmente amanhecesse. O meu braço doía muito e as minhas pernas cada vez mais fragilizadas me obrigaram a sentar na cama mesmo estando altamente agoniada, ansiosa pelo passar das horas. Só queria que o tempo até o meu resgate passasse depressa e que o instante de ver os meus pais e o Jeongguk chegasse logo. Angustiada, eu observava os meus pés descalços com interesse quando a porta se abriu e revelou Dakho e uma mulher. Ambos traziam bandejas com comidas e bebidas. Depois que as colocaram sobre o colchão macio, simplesmente saíram dali e me deixaram sozinha novamente. Não falaram nada. A mulher, que aparentava ter os seus quarenta anos, nem me olhou, foi como se eu não estivesse ali.

— Ótimo... — Suspirei, entristecida. — Oficialmente uma prisioneira — engoli em seco, sentindo a minha garganta arder pela vontade de chorar. — Por que você está fazendo isso comigo, Hoseok?

Enquanto comia, não pude continuar segurando as lágrimas e cedi ao desejo de chorar. Chorei bastante ao mesmo tempo em que me obrigava a colocar os alimentos na boca e a engoli-los. Eu precisava de força física, precisava estar bem para lutar por minha segurança e para ser resgatada pelos meus amigos. E entre a abundante quantidade de lágrimas grossas e de uma variedade de alimentos como pão, presunto, queijos e sopa de cenoura, acredito que mais de uma hora se passou daquela forma. Depois que comi e bebi tudo o que estava disponível para mim, segui para o banheiro e molhei o meu rosto e os meus braços em busca de alguma sensação de frescor, limpeza. Eu não queria tomar banho em um espaço suspeito, que não me oferecia o mínimo de confiança.

— Meu Deus... O que vai ser de mim? — Cada segundo mais aflita, eu, agora mais forte e disposta, andava pelo quarto. — O que eu vou fazer aqui dentro? — Acenei negativamente com a cabeça, inconformada. — Vou enlouquecer — parei de caminhar e apoiei as mãos em uma das paredes, cansada de tanto circular sem rumo pelo cômodo amplo. — Quanto tempo se passou? — Olhei para fora. O céu continuava exatamente igual. — Será que está mais perto de amanhecer?

— Senhorita — assustei-me com a presença repentina de Dakho. Como entrou sem que eu percebesse? — Preciso que me acompanhe mais uma vez.

— Pra onde? — Disparei, tensa. — O que o Wonho pretende?

— Se continuar agitada assim, vou ter que concordar com o que a senhorita disse sobre enlouquecer — falou com a mesma seriedade anterior. — Shin não vai te agredir fisicamente e nem vai te forçar a nada.

— Não vai me forçar a nada? — Ri soprado. — E o que está acontecendo justo agora?

— Me acompanhe, (s/n).

— Tenho escolha, Dakho? — Abri os braços e encolhi os ombros. — Juro que preferiria que o maluco dos bilhetes fosse alguém que eu não conhecesse ou que não tivesse gostado um dia — confessei quando já caminhávamos pelo corredor. — O meu choro, os meus gritos de desespero ou até a revolta implacável me fazendo quebrar aquele quarto inteiro certamente já teria feito o sequestrador me libertar.

Criminal | Jeon JungkookHistórias para pegar e não largar. Descubra agora