A expressão "você estava no lugar errado e na hora errada" nunca fez tanto sentido como naquele momento. A entrada repentina dos seis homens empunhando armas poderosas, as ameaças entoadas em gritos, a pressão nos funcionários da joalheria de luxo...
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— Não tem, mas eu não sou o tipo de médica que faz coisas ilegais — rebati com pressa. — Sabia que é proibido alimentar os pacientes? — Perguntei e ele gargalhou alto ao invés de me responder.
— Sabe o que pareceu?
— O quê? — Cruzei os braços.
— Quando aqueles instrutores nos dizem que é proibido que o visitante alimente os animais do zoológico — riu novamente e eu me controlei para apenas sorrir e não gargalhar. Ele era idiota, mas não chegava a ser de uma maneira ruim. Para a minha infelicidade, era um idiota que me divertia. — Traz uma barrinha de cereal pra mim, doutora.
— Você é mimado mesmo.
— Eu? — Arregalou os olhos e se posicionou na cama, deitando-se corretamente. — Você não sabe o quanto eu sofro em segredo, (s/n) — me encarou em completa seriedade e nós ficamos em silêncio. — Ah, me perdoe. Eu... Eu não queria faltar com respeito.
— Tudo bem, pode me chamar pelo nome — sorri brevemente. — Sem o doutora.
— Ah, ótimo — sorriu para mim. Um sorriso de respeito. Belíssimo. Ah, o que você está fazendo? Médica pervertida! — Posso contar com a sua ajuda?
— Não, eu não posso fazer isso.
Mesmo após muita insistência, consegui me manter firme na decisão de não levar comida para ele. Recolhi as informações que precisava e sai do quarto rindo enquanto ouvia os seus pedidos para que eu não lhe deixasse sozinho. Entreguei a ficha para a enfermeira que ficaria responsável de passá-la para o médico responsável e só ele poderia falar com os acompanhantes do senhor mimado do quarto dez. Enquanto caminhava pelos corredores, tentei controlar o meu riso ao notar que ele era muito insistente e isso o fez parecer simpático e divertido. Como Jeongguk conseguiu me envolver em uma relação boa tão rápido? Eu já tinha vontade de voltar até lá para conversar mais um pouco.
— Você fraturou o tornozelo — falei após olhar para a sua ficha. Estávamos no nosso segundo encontro da noite. — O que estava fazendo? Pulando corda? — Zombei e ele riu.
— Não, eu... — parou de falar e encarou a televisão ligada. — Eu estava... Hm... Você conhece parkour?
— Nossa! — Arregalei os olhos. — Você faz?
— Faço — respondeu rápido, sério.
— Muito perigoso, Jeongguk. Você poderia ter se machucado sério ao ponto de ficar sem andar — ele riu mais uma vez, mas agora eu estava séria.
— A sensação do perigo é o que me move, (s/n) — seu tom de voz saiu grave agora. Nos encaramos por alguns segundos e eu tive aquela sensação mais uma vez. O que estava acontecendo comigo? — Você é estrangeira, certo? — Assenti. — De que parte do mundo?