A expressão "você estava no lugar errado e na hora errada" nunca fez tanto sentido como naquele momento. A entrada repentina dos seis homens empunhando armas poderosas, as ameaças entoadas em gritos, a pressão nos funcionários da joalheria de luxo...
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— E então? — Jeongguk ocupou a sua cadeira. — O que achou das coisas aqui na Blenxer?
— Quer que eu seja carinhosa ou que seja extremamente sincera? — O encarei com receio. — Os dois não dá.
— Sincera.
— Feche essa empresa.
— É... É sério? — Engoliu em seco.
— Eu não entendo nada de negócios, mas vocês não realizam o teste do produto aqui nas instalações e isso é extremamente necessário pra quem vende equipamentos desse tipo — falei em tom normal, escolhendo bem as palavras para não magoá-lo. Eu sabia que a Blenxer era importante para ele. — E, bem, montar um espaço destinado a testes requer uma movimentação de muito dinheiro.
— Eu posso arranjar — disse rápido, claramente nervoso. — Você sabe que eu consigo.
— Sei e pensei nisso também, mas amor... — respirei fundo. — Vale a pena tentar reconstruir a marca com dinheiro sujo? — Questionei baixo, incerta se deveria levantar essa questão ou não. — Você não se sente nem um pouco mal por isso? — Jeon mordeu o lábio inferior, parecendo estar pensativo. — Fora que a empresa não tem boa fama. Mesmo que o produto fique excelente, as pessoas terão receio na hora de comprar e isso demora muito tempo pra reverter — ele soltou um longo suspiro e jogou a cabeça para trás, apoiando-a sobre o encosto da cadeira.
— Fechar a empresa seria um baque muito grande para o meu pai.
— Mas é o mais coerente a se fazer quando pensamos na fase em que ela está — caminhei até o mais velho e sentei em seu colo, atraindo a sua atenção no mesmo instante. — Você se preocupa demais com isso aqui e agora eu tenho certeza de que nunca sairá desse esquema de fazer assaltos porque sempre vai precisar roubar mais e mais pra manter a empresa viva. Eu acredito que a Blenxer não se sustenta sozinha, Jeongguk.
— E o que você sugere que eu faça pra manter a minha família com dinheiro?
— Venda tudo e abra uma nova empresa — Jeon riu soprado. — Você me disse que tem um valor considerável guardado no banco e que pode usá-lo pra pagar todos os funcionários quando decretar falência, então eu pensei em utilizar o dinheiro da venda dos produtos, de todo o maquinário e dos prédios pra abrir um novo negócio — ele ajeitou a cabeça para me olhar com as sobrancelhas arqueadas e eu ri. — Sim, amor, você pode até colocar os rapazes do galpão pra trabalhar contigo e, assim, todos finalmente encerrariam os assaltos — falei com animação e Jeongguk riu alto, parecendo divertir-se com o que ouvia. Bom, pelo menos eu havia conseguido desmanchar a sua expressão de tristeza. — Viajei muito?
— É... Viajou — sorriu. — Que tipo de empresa você acha que eu devo abrir pra contratar os caras? — Cruzou os braços enquanto prendia o riso. — Consultoria de crimes? Cursinho preparatório pra assaltantes? — Ao ouvir as propostas, liberei a minha gargalhada e logo fui acompanhada por ele.