A expressão "você estava no lugar errado e na hora errada" nunca fez tanto sentido como naquele momento. A entrada repentina dos seis homens empunhando armas poderosas, as ameaças entoadas em gritos, a pressão nos funcionários da joalheria de luxo...
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— O quê? — Saiu em um grito.
— Acha que eu vou te soltar pra você me bater e fugir? — Franzi o cenho, confusa. Ontem não havíamos acertado que confiaríamos um no outro? É... De fato, não dá para acreditar em bandido.
— JK, eu... Nós... Nós combinamos — relembrei. Estava nervosa demais e tudo o que eu queria dizer se embaralhava na minha cabeça.
— Eu sei, mas essa é uma situação atípica. Nunca ficamos tanto tempo com um refém e lá embaixo não há muitos integrantes da equipe, pois a maioria saiu pra realizar uma operação. Desculpe, mas... — me olhou com pesar. — Não posso arriscar.
— Você acha que eu vou ter coragem de tentar algo? Olha o seu tamanho! — Falei mais alto. — Eu não sou maluca — o rapaz riu, mas logo negou com a cabeça.
— Sinto muito — ouvi o seu suspiro. — Se isso te conforta, eu prometo não olhar pra você. Vou te respeitar, não tenho intenção alguma com isso aqui — me olhava atentamente. Era algo completamente estranho e que invadia a minha privacidade, então eu não permitiria. — Manterei os olhos fechados com força, confie em mim.
— E se eu chutar o seu rosto e correr? — Ergui uma sobrancelha.
— Vai conseguir abrir uma porta de duas folhas com as mãos presas pela algema? A porta de entrada do galpão é desse tipo — deu de ombros e eu suspirei.
— Eu prefiro fazer as minhas necessidades na roupa — falei com firmeza e eu podia imaginar a surpresa estampada em seu rosto agora. — Pode me levar de volta.
— Mas...
— Me leve de volta — insisti e ele suspirou.
Ele me encarou enquanto respirava pesadamente. Eu tinha toda a atenção voltada para as partes descobertas de sua cabeça. Os seus cabelos eram negros, brilhantes e, pelo que parecia, deveriam ser macios também. A máscara, que hoje não era a de palhaço possuído, cobria o seu rosto por completo, porém eu conseguia identificar que o rapaz estava apreensivo. JK ficou alguns minutos em silêncio, mas logo se pronunciou.
— Tudo bem — disse de repente. — Me perdoe pelo desrespeito. Só... Só termine logo — falou de forma embolada enquanto, agitado, retirava a algema que prendia os meus pulsos. — Estou na porta e saberei se tentar fugir pela janela — apontou com a cabeça para a parede atrás de mim e eu olhei para a janela pequena que havia no cômodo. Eu não passaria por ali nem se perdesse dez quilos.
— Não se preocupe — sorri fechado e esperei que ele saísse. Tranquei a porta e retirei a minha calça com rapidez, pois não queria demorar e correr o risco de deixá-lo irritado.
— Acabou? — Perguntou após bater na porta alguns minutos depois.
— Sim.
JK entrou e me prendeu novamente enquanto dizia que aquilo era necessário para que os outros não achassem que ele estava sendo brando demais. Fomos juntos até o cômodo que seria reservado a mim até o momento em que o JM voltasse e JH já havia arrumado a cama de solteiro para que eu a ocupasse. Agradeci aos três rapazes e logo fui deixada sozinha naquele quarto. Ainda estava presa, porém pelo menos agora eu tinha uma janela gradeada que me permitia ver o dia lá fora.