Esmael carregou a 9mm e pensou em todas as vadias que existiam no mundo. Ele já estava ficando inquieto com aquilo tudo. Mas aquela sensação de impotência e inferioridade tinha que acabar.
– Impotência é o caralho – disse ele fechando a porta do seu quarto todo desarrumado atrás de si e descendo as escadas com pressa, a pistola já sacada na mão – Sou é muito macho e vou provar para todo o mundo...inclusive para aquela vaca da Leia. A vadia vai aprender a nunca mais rejeitar um cavaleiro branco como eu. Sou culto porra! Ela nem sequer merecia um cara como eu. Puta pobre ainda.
Encontrou a mãe conversando com a empregada na porta da casa. Ela arregalou os olhos quando viu a pistola na mão do filho. Leia tentou escapar.
– Não adianta correr sua vagabunda – disse ele apontando a 9mm. – Chegou a hora do acerto de contas.
A mãe de Esmael pulou na frente.
– Ta ficando louco filho?
Esmael apontou para o peito da mãe.
– Sai mãe ou eu vou te matar também. Muito embora você mereça mesmo pois sempre foi uma puta. Eu sei que você traia meu pai com o patrão dele.
– Que merda você está falando? Por acaso não tomou seu remédio hoje.
Esmael viu Leia cruzando a rua e disparando em direção a um carro fazendo sinal para entrar. Mas o carro acelerou e ela correu a esmo pela rua movimentada se sábado a tarde. Não preciso de remédios. A raiva veio a tona.
– Você não merecia meu pai sua vaca e muito menos um filho como eu.
Deu um tiro no peito da mãe que caiu na porta da própria casa sangrando até morrer.
– Que foi isso? – O pastor Clovis que morava na casa ao lado veio em direção ao som do tiro e quando viu a cena levou as mãos na cabeça – Que foi que você fez rapaz? E enfurecido se jogou em cima de Esmael que estava como que em estado dw choque por ver sua mãe morrendo.
– Não se aproxime...
Tarde demais. Outro tiro e outra morte. A mulher de Clovis e sua filha mais nova, Patrícia vieram socorrer o homem e Esmael se enfureceu.
– Saiam daqui suas putas megeras ou mato as duas.
Esmael tinha uma raiva danada de Patrícia que era novinha e já tinha dado para todos os meninos da escola e do bairro, menos pra ele. E o pior que a piranha dava uma de santinha porque seu pai era pastor. E dona Laura era tão desgraçada quanto a filha porque roubava parte do dízimo arrecado na igreja para si. Esmael não tinha certeza se era verdade, mas pelo menos era o que todos diziam.
– Você matou meu marido. Que sua alma arda nas profundezas do inferno.
Quem vai arder primeiro vai ser você. Deu um tiro na cabeça de dona Laura e antes que Patrícia esboçasse qualquer reação, levou um tiro na barriga.
Havia muitas crianças brincando na rua. Ao ouvir a sinfonia macabra de gritos e tiros, os pais correram para salvar suas proles e Esmael se sentiu sozinho. Ele odiava a solidão. Mas ele não tinha terminado a missão.
Correu em direção ao parque procurando Leia. Ela não poderia ter ido tão longe. O coração estava disparado. Adrenalina correndo pelas veias. Esmael nunca tinha se sentido tão bem. As coisas não tinham saído como ele havia planejado. Mas foda-se, não dá para chorar pelo leite derramado. E ele era macho, independente das merdas que Leia havia falado para ele. Bicha ele não eta. Impotente menos ainda.
– Mas o que diabos há de errado comigo? Por que nenhuma vagabunda quer dar pra mim. Nem mesmo a porca da empregada.
Havia duas garotas sentadas num dos bancos de pedra que ficavam ao redor da caixa de areia onde várias crianças brincavam nos escorregadores e gangorras. Elas estavam se beijando mas pararam para rir de Esmael.
Ele balançou o cano da pistola na direção das lésbicas.
– Riem disso agora suas aberrações.
Elas se levantaram gritando socorro e Esmael atirou pelas costas. Matou as duas. As crianças correram para o colo dos seus pais que imediatamente entraram em seus carros de luxo e pneus cantaram.
Esmael estava sozinho mais uma vez. Observou que todos tinham ido embora com exceção de um guarda que conversava com uma garota em prantos.
– Leia meu amor. Venha aqui – Esmael escondeu a arma atrás da cintura e se aproximou deles.
O guarda levou a mão no coldre e protegeu Leia atrás de si estufando o peitoral por traz do colete a prova de bala Ele tinha um porte atlético e imponente de um alfa. Esmael odiava este tipo de homem. A natureza era tão injusta com ele.
– Para trás rapaz, eu não quero te machucar.
– É ele policial. Esses rapaz é louco. Mata ele. Mata pelo amor de Deus!
Esmael estava sereno.
– Não dê ouvidos a ela 'seu policia. Minha namorada tem os miolos frouxos e não tomou se remédio hoje. – disse ele rodando o dedo ao lado da cabeça para reforçar as suas palavras.
– Para trás!
O policial puxou a arma, mas Esmael era mais rápido. O tiro perfurou o olho esquerdo e a bala se alojou no crânio. O corpo caiu inerte e a figura de Leia surgiu atrás dele boquiaberta.
– Agora só resta você, Leia.
Não tinha escapatória. Esmael não sabia o que seria dali em diante. Depois de matar a mulher que o rejeitou, o que faria. Suicidar. Tenho que me suicidar. Esmael ja tinha ido longe demais. Não tinha mais volta para ele. A sociedade e as mulheres nunca o aceitariam como ele era dw verdade. A natureza é seletiva meu chapa. E ele não fazia parte do grupo dos machos alfa. Ele era beta. Sempre fora. Nada mudaria isto. Uns lideram, outros são liderados. Uns ganham, outros perdem. Esmael sabia que não podia lutar contra a maré. Só lhe restava uma saída.
Apontou a pistola para Leia mas não conseguiu apertar o gatilho.
– O que há de errado comigo? Por que você e todas as mulheres me odeiam?
Lágrimas escorriam pela face cor de jambo de Leia. Sua voz saiu disonante:
– Nada meu querido. Nada.
– Então por que me rejeita?
Leia buscou palavras mas não saiu nenhuma resposta dos lábios da mulher que ele amava. Ele só queria um abraço. Só queria ser amado. Estava tão sozinho.
Ela se aproximou e Esmael não conseguia apertar o gatilho. Ele pensou que iria ganhar um beijo, mas Leia o abraçou. O corpo dlea estava quente. Esmael teve uma ligeira ereção e pensou em apertar a bunda de Leia, que modesta parte era enorme.
– Não sou esse tipo de homem. Sou puro e íntegro – disse o homem que acabara de matar seia pessoas. Uma inclusive, sua própria mãe. – Não quero só seu corpo, mas sim seu coração e sua vontade.
Esmael esperou nesta hora a compreensão da mulher que ele amava. Mas o silêncio foi sua única resposta.
– Você não me ama, né?
O que veio depois aconteceu muito rápido. Esmael tentou se livrar do abraço quente de Leia, mas também tinha que lutar contra a própria força da carne.
Ele fechou os olhos e tentou beija-la. Nesta hora Leia o empurrou e socou o punho de Esmael como ela havia aprendido mas aulas de defesa pessoal. A pistola ficou mole na mão dele e ela conseguiu virar o jogo.
– Vou te falar o que eu amo – deu tiro no peito dele e quando o corpo grande de Esmael caiu no chão quente da pracinha, Leia se aproximou. – Eu amo a mim mesma.
As palavras lhe sairam espontâneas e ela chegou a rir por isso. Depois descarregou o pente na cara de Esmael.
Sirenes de polícia zuniram próximo.
Leia sentou no banco de pedra com a arma no colo e riu, os olhos fitando o nada.
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SOMBRAS DA NOITE
TerrorEste livro de contos curtos de terror apresenta uma coleção de histórias arrepiantes e sobrenaturais. Em um dos contos, um menino descobre segredos obscuros sobre sua família ao se aventurar pelo porão proibido da casa de sua avó, onde encontra uma...
