Quando Emily chegou a Ravenwood naquele início de inverno, teve imediatamente a sensação desconfortável de que a cidade havia encolhido desde sua infância. Não fisicamente, talvez. As ruas continuavam estreitas, as fachadas antigas ainda se alinhavam ao longo da avenida principal como dentes gastos, e o sino da igreja continuava tocando as horas com aquele som metálico e cansado que ela lembrava das férias de verão passadas ali quando tinha oito ou nove anos. Mesmo assim, alguma coisa parecia menor. Comprimida. Como se Ravenwood tivesse passado anos afundando lentamente dentro de si mesma enquanto o resto do mundo continuava andando.
Ela observava tudo pela janela do carro da avó enquanto seguiam pela Willow Road, uma rua longa e quase vazia perto da extremidade norte da cidade. As árvores secas se inclinavam sobre o asfalto rachado, e havia folhas acumuladas nas sarjetas em montes escuros que o vento empurrava de um lado para outro. Emily percebeu que quase nenhuma casa tinha luzes acesas. Algumas estavam claramente abandonadas, com janelas pregadas por tábuas e jardins mortos, mas mesmo as habitadas pareciam fechadas demais, silenciosas demais, como pessoas fingindo dormir para evitar abrir a porta a um estranho.
Sua avó dirigia devagar, os dedos finos agarrados ao volante com força desnecessária. O rádio antigo do carro soltava uma música baixa entre chiados, e o cheiro de hortelã e tecido velho no interior do veículo trouxe de volta lembranças que Emily não revisitou por anos. Ela lembrava daquela mulher como alguém severo e firme, uma presença sólida dentro da família, mas agora havia algo frágil nela. Não era apenas a idade. Parecia cansaço acumulado. Um tipo específico de desgaste que Emily tinha visto em enfermeiros de hospitais e em parentes que passavam meses cuidando de alguém doente.
Quando o carro virou no final da rua, Emily viu a casa.
Ela estava no extremo oposto da residência da avó, parcialmente escondida atrás de árvores nuas. Grande demais para aquela vizinhança. Escura demais mesmo sob a luz cinzenta da tarde. As janelas do andar superior pareciam vazias de um jeito perturbador, e a tinta descascada das paredes fazia a construção lembrar um cadáver antigo abandonado à chuva. Emily não sabia explicar exatamente por quê, mas sentiu imediatamente um aperto involuntário no peito. Seu olhar ficou preso na casa durante tempo suficiente para que sua avó percebesse.
— Não olhe muito praquele lugar — disse a velha, ainda encarando a estrada.
Emily desviou os olhos devagar.
— Ela está abandonada?
A avó demorou um pouco antes de responder. Tempo suficiente para o motor do carro preencher o silêncio.
— Está vazia há anos.
Mas aquilo não parecia verdade. Não completamente. Havia uma sensação estranha na casa, uma impressão quase física de presença. Emily tentou afastar o pensamento enquanto descarregavam as malas, mas continuou olhando para o fim da rua durante o resto da tarde, principalmente quando percebeu que os moradores evitavam passar pela calçada em frente à propriedade.
Naquela noite, o vento aumentou. O quarto de hóspedes onde Emily dormia continuava igual ao da infância, com o mesmo papel floral desbotado e o mesmo relógio antigo sobre a cômoda emitindo um tique-taque irritantemente alto durante o silêncio da madrugada. Ela demorou a pegar no sono porque sua mente permanecia agitada pela viagem, pelas lembranças da mãe — que detestava Ravenwood e nunca explicava direito o motivo — e pela sensação persistente de que havia alguma coisa errada naquela rua.
Pouco depois das duas da manhã, acordou subitamente.
Por alguns segundos permaneceu imóvel, sem entender o que a despertara. O quarto estava escuro, exceto pela luz opaca da rua atravessando as cortinas. Ela ouviu o vento raspando nos galhos das árvores, ouviu os canos da casa estalarem, ouviu o som distante de um caminhão passando na estrada principal da cidade. Então tornou a escutar.
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SOMBRAS DA NOITE
TerrorEste livro de contos curtos de terror apresenta uma coleção de histórias arrepiantes e sobrenaturais. Em um dos contos, um menino descobre segredos obscuros sobre sua família ao se aventurar pelo porão proibido da casa de sua avó, onde encontra uma...
