Capítulo 38

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- e aí, beleza? - Kaique puxa Yuri da cadeira para um forte e aconchegante abraço. Fred fulmina o momento com o olhar automaticamente. Não entendia muito bem porquê ficara daquele jeito mas estava visivelmente desconfortável e incomodado. Quando vê o momento se estender rapidamente se coloca na frente dos dois rapazes com a mão estendida para Kaíque: - e aí, parceiro. De boa? - diz Fred, sem conseguir esconder o descontentamento com a situação. Kaíque rapidamente franze a testa e o encara com soslaio enquanto olha novamente para Yuri, que fica sem ter onde esconder o rosto quando percebe toda a situação: - ah... Kaíque esse é o... - o desconforto foi tanto que em um lapso Yuri sem querer esquece o nome do mais velho mas logo se recobra: - ...Fred! Kaíque, Fred. Fred, Kaíque - diz enquanto se senta novamente na cadeira da mesa onde estavam. Kaíque estende a mão cumprimentando Fred de volta quando sente este apertar sua mão com mais força que o normal: - eu só passei pra dar um oi mesmo, Yuri - diz o rapaz: - a gente se vê por aí. Na verdade, algo me diz que vai ser logo - Ele olha maliciosamente para o mais novo que se encolhe levemente no assento enquanto Fred continua quieto e com a expressão dura e fechada enquanto observa o outro ir embora.

- nem é inconveniente esse moleque aí né - Fred reclama assim que Kaíque corta a outra esquina: - que isso, playboy... ciumes? - Yuri brinca com o amigo enquanto vê o rosto dele queimar com a ironia na pergunta: - se liga Yuri, eu com ciúme de tu? - Fred dissera mas por dentro sabia que a resposta era "claro que sim". Por mais que não fosse demonstrar, o playboy estava sim ruído de ciúmes do mais novo. Só não iria admitir. E não foi muito difícil perceber só pelo comportamento de Kaíque com Yuri: o abraço, a maneira de falar, os toques, que algum interesse no mais novo ele tinha. E não era apenas um interesse amistoso, pelo contrário, era bem mais que isso.

- mas sério... - Yuri ri da cara do playboy ao mesmo tempo que prefere cortar o gelo daquela conversa e voltar para a anterior: - ...cê ainda não me disse o que rolou contigo e com a Bela. O que cê falou pra deixar minha amiga daquele jeito? - Fred respira novamente antes de responder de forma direta: - a verdade. - Dá um gole em sua cerveja e continua: - que eu tentei de tudo mesmo pra sentir algo por ela mas não deu. A sintonia, aquela parada toda não rolou. Não aconteceu e eu não ia ficar fingindo que nada tava acontecendo ou prolongar essa conversa. Tu pode me achar um canalha e eu confesso que já fui muito mas mudei muito nisso. Não consigo mais magoar alguém. Brincar com uma pessoa. Então preferi ser sincero com a Isa. Simples assim - Yuri pela primeira vez ficou sem fala. Surpreso com a atitude do mais velho. Mas uma surpresa boa. Pôde ver que finalmente algo estava mudando no rapaz. Claro que faltava muito ainda mas para ele, aquilo já era um grande começo.

- nossa... - Yuri tentava achar as palavras: - ...cê fez o certo então. Ela vai ficar bem - disse enquanto terminava seu último copo. Resolveu parar por ali. Estava ficando tarde e precisava ir para casa e ajudar o pai com o trabalho no frete. Também preferiu pular a parte na qual Isabela disse que Fred com certeza estava apaixonado por outra pessoa. Em que isso poderia lhe interessar? Com certeza devia ser alguma menina de seu período: - o papo foi bom playboy, de verdade. Mas eu tenho que ir agora. Já são quase seis horas e eu tenho que ajudar meu pai no frete - O mais velho estava distraído, novamente com os olhos perdidos em Yuri. Mas rapidamente voltou a terra e olhou para o relógio. Como as horas puderam passar tão depressa? Se sentiu traído pelo tempo: - porra que isso, passou tão rápido assim? - exclamou, um pouco frustrado. Yuri deu um sorriso para o playboy enquanto o mesmo diz: - tá bom, bora. Vou te deixar em casa - Fred chama uma das assistentes do bar para fechar a conta. Era a mesma moça que tentara flertar com ele logo que chegaram e estava tentando de novo. Estava nitidamente jogando todo o charme e a beleza em cima do rapaz mas este não pareceu ter notado, como antes. Yuri não tinha se dado conta antes de como havia ficado incomodado com aquela situação, só quando a mulher repetiu o ato. Estava visivelmente constrangido e irritado com a atitude da mulher.

- obrigada e volta mais vezes, vai ser um prazer - ela dizia. Yuri percebera a intenção e logo que Fred ia responder, se pôs na frente: - ah valeu, quem sabe um dia - Yuri dizia. A moça rapidamente entendeu o tom rude nas palavras do bolsista e logo se pôs para dentro do bar. Fred olhou para a mulher e para Yuri e logo caiu na gargalhada quando se deu conta.

- tô tentando encontrar a graça a mas até agora... - dizia, de forma ríspida enquanto os dois se colocavam a caminho do carro de Fred que estava logo do outro lado da rua: - ciúme, marrentinho? - Fred dizia, em tom de deboche. E por outro lado havia ficado bastante um pouco contente com a reciprocidade do sentimento, mas não queria novamente deixar transparecer: - não pira, playboy. E para de me chamar assim. Vamo logo - Yuri rebate enquanto abre a porta do carro e assim que entra a bate com força, claramente irritado. Fred permanece rindo enquanto liga o motor e logo dá a partida com o veículo.

  Não demorou muito para que logo estivessem na porta da casa de Yuri. Afinal, o bar de Orfeu não era muito longe dali. Apenas do outro lado da estação de piedade. Yuri já estava se ajeitando para descer quando Fred pega sua mão. Não demora muito para que todas as mesmas sensações que o playboy lhe desperta a cada vez que o toca voltassem juntas: - acho que nem preciso agradecer por ter passado esse dia comigo, de verdade - o mais velho dizia: - eu senti muito a tua falta. Muito mesmo - Yuri sentiu sua respiração falhar e o batimento cardíaco acelerar na mesma hora. Logo disse: - também tava, playboy. Mesmo. E da próxima vez eu juro que pago a conta, foi mal pelo constrangimento nisso - Fred riu enquanto Yuri se desculpava: - para de se incomodar com essas coisas, Yuri. Já falei, eu não me importo com isso. E se tu chegar na minha porta com o dinheiro vou te fazer voltar. Ou queimar ele na tua frente. Sei ser bem louco quando quero - os dois acabam rindo um com o outro: - vou indo, playboy. Te vejo amanhã né? - Yuri pergunta: - o que tu acha? - Fred responde. Yuri já ia saindo do carro quando o mais velho morde os lábios e logo o chama novamente: - ou! - Yuri retorna ao assento de novo. Fred o puxa para um longo e apertado abraço. Yuri retribui, sem nenhuma vontade de soltá-lo. O corpo do mais velho era quente e aconchegante e lhe envolveu por completo. Queria morar ali pelo resto da vida mas logo voltou a sí: - preciso ir agora, Fred. Até amanhã - Yuri sai do automóvel enquanto Fred responde: - até... - e logo dá a partida com o veículo, sem desviar um segundo sequer sua atenção de Yuri.

  O resto do dia do jovem fora bastante intensivo. Não teve muito tempo para descansar, apenas jogou a mochila em um canto e logo foi com o pai trabalhar no frete. E a todo momento, não deixou um minuto sequer de pensar em Fred. Na verdade, era o que mais fazia nos últimos dias. E parecia que com o passar do tempo os pensamentos apenas aumentavam e se fixavam cada vez mais na cabeça do mais novo. "O que ta acontecendo comigo?" Pensava. Sim, porque, todas as suas reações com o mais velho deixava tudo cada vez mais claro: o formigamento com o toque dele, as sensações em seu estômago como se mil borboletas voassem ali a cada vez que o via e o sentia, os pensamentos vinte e quatro horas por dia no mais velho, sem deixá-los por um segundo, e para arrematar a crise de ciúme que tivera no bar quando a jovem flertara com o playboy em sua frente. Todos aqueles sentimentos e reações só explicavam e apontavam uma coisa para ele.

  Yuri havia deixado de ver Fred como amigo fazia tempo.
  Por mais que quisesse fugir e esconder, não podia.
  Era difícil admitir mas não havia outra saída.
  Não sabia como nem quando aconteceu mas foi inevitável.
  O rapaz estava se apaixonando cada vez mais pelo amigo playboy da faculdade.
 
  O amigo popular, improvável e que jamais lhe passaria pela cabeça tamanha aproximação e intimidade. Menos ainda a hipótese de um sentimento dessa magnitude.
Mas não havia mais o que fazer nem como fugir dessa triste realidade. Era um fato para Yuri: estava apaixonado por Fred. E estava ficando cada vez mais difícil esconder esse fato até de sí mesmo.

Razões e Emoções (A #Freuri Fanfiction)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora