Capítulo 86

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Yuri

- nossa, você por aqui? - Yuri perguntou.
- é po. E aí, como foi lá no hospital? Liberaram ele né, tô sabendo - Yuri riu do amigo: - claro que tá né zé, foi eu que te disse - Kaíque e Yuri riram juntos enquanto entravam no ICAES.

  E isso fez com que Yuri lembrasse de perguntar a Kaíque o que ele fazia no ICAES aquela hora: - mas e aí, tá fazendo o que por aqui? - Kaíque respirou antes de dar a notícia: - então, é que nesse meio período do acidente do seu amigo eu nem tive tempo de te falar. Acabei descolando uma vaga de segurança aqui no ICAES. Começo hoje inclusive.
  "Amigo". As palavras pegaram Yuri numa infinita dúvida. Vivera tanto com Fred e já haviam trocado intimidade suficiente para saber que aquilo estava longe de ser apenas uma simples "amizade". Esqueceu até de se surpreender com a notícia que Kaíque compartilhou. E não sabia o motivo mas aquilo definitivamente não lhe passou bons presságios.
- ah... poxa, que legal mano. Espero que se dê bem aqui, de verdade - o mais novo dera um abraço no mais velho que retribuiu, o apertando bem. Yuri não entendeu o porquê mas aquilo o intrigou. De uns tempos pra cá, sentia Kaíque bastante próximo em sua vida. O rapaz o ajudava em praticamente tudo. Até se ofereceu a ficar com seu pai, seu Aloísio, durante umas semanas no frete pois seu primo precisou se ausentar para assistenciar a esposa que havia tido um parto bastante doloroso e complicado.

- ér... eu tenho aula agora - Yuri diz, se soltando do mais velho que sorria para ele: - Ah, claro po... sem problema mas aí, quer fazer alguma coisa mais tarde? Não sei, um cine. A gente também podia comer algo.
  Mais uma surpresa. Mas não havia porquê não aceitar o convite. Provavelmente só poderia ir visitar Fred no dia seguinte já que teria uma prova oral na faculdade e teria que estudar bem.
- é, acho que é uma boa. Sei lá, pode ser sim - diz o bolsista: - beleza então. Te pego umas oito então? - "me pega?" Pensou Yuri. O cuidado de Kaíque para com ele estava deixando o bolsista cada vez mais ressabiado e intrigado: - sem problema mas eu posso te encontrar no shopping. Deve ser mais viável pra tu, não? - Kaíque sorriu e deu um leve chacoalhão na cabeça do mais novo, como um sinal de carinho.

- eu quero te buscar ue. Sai dessa frescura vai. Fica pronto que oito horas em ponto eu tô lá. Fui, preciso me apresentar na reitoria.

  E com um beijo leve em seu rosto, Yuri vê Kaique se afastar mais e mais até sumir por entre os corredores do ICAES.
  uma ação que realmente deixou vários pontos soltos em sua cabeça.

                          ***********

  - sério amigo? - Jennifer pergunta, incrédula a Yuri. O dia passou depressa e logo era noite. Mais precisamente restando apenas meia hora para o horário combinado com Kaíque. Yuri ficou atônito o suficiente para correr até Jennifer e decidir contar sobre: - ai... não sei, Yuri. Agora que você e o Fred estão praticamente juntos. Só falta oficializar tudo. E depois da exposição e ainda teve o acidente do Fred junto... não sei amigo. Não sei sinceramente se vale a pena você colocar sua quase relação com ele em risco dessa forma.
- quê?! Que risco, Jenni? Fala sério, o Kaíque e eu somos só amigos - o rapaz falara: - amigo desculpa ser eu a te falar isso mas com tudo o que você contou não sei ele quer só ser seu amigo não, viu? Vigia isso aí - Jennifer dá um beijo no rosto do amigo e logo organiza suas coisas: - eu vou indo. Amanhã é a famosa prova oral que todo mundo fala da Lumiar e eu preciso realmente me concentrar - O bolsista havia chamado a amiga para passarem a tarde juntos estudando então resolveram juntar o útil ao agradável aproveitando também para atualizarem alguns assuntos. Jennifer havia contado a Yuri que Sol e Lui haviam se separado definitivamente e que Benjamin e a mãe da jovem estavam cada vez mais próximos. No meio tempo, os crimes de Theo também haviam vindo à tona e o ex-empresário estava atualmente foragido da polícia.

- espero que ele pague por tudo que fez - diz o amigo de Jennifer: - e por falar em foragido depois tenho que te atualizar sobre umas coisas mas tem que jurar que não vai sair daqui.
- e quando foi que eu fiz a fofoqueira hein? Relaxa - E dito isso, a filha de Sol deixa o quarto do rapaz que estava dando uns últimos toques na roupa e no cabelo, verificando se estava tudo certo antes de ir ao encontro de Kaíque que chegara no horário certinho. Nem um minuto à mais ou à menos.

- deixando bem claro que minha torcida é pelo Fred - diz dona Quitéria. Desde que soube toda a verdade a mãe de Yuri era a maior torcedora pelo relacionamento dos dois rapazes. Havia se afeiçoado bastante pelo playboy. Yuri apenas riu: - Tá bom, dona Quitéria. Tô legal? Essa roupa caiu bem?
- tá um gatão filho - Disse a mulher: - deus te abençoe e jesus que te proteja.
- amém - finaliza o rapaz, dando um beijo

  Ao entrar no carro, Yuri não pôde deixar em como Kaíque estava bonito. Usava uma camisa social branca, a gola levemente solta pelo peito nu. Uma calça jeans escura e sapatos extremamente elegantes, que caíram muito bem à roupa. O mais velho sempre fora bonito e atraente embora Yuri nunca havia reparado mas naquele dia estava em uso excessivo dos adjetivos.

- e aí, vamo? - o mais velho dizia. Yuri apenas se perguntava o porquê de todo aquele exagero: - Tá bem trajado pra quem vai só num cinema ali perto né - Kaíque esboçou um sorriso cheio de charme: - eu só gosto de andar bem arrumado ué, quê que tem? - Yuri apenas sorriu de volta enquanto ambos pegavam o trafego até o shopping.

  Por incrível que pareça, Kaíque não havia mudado em todos aqueles anos afastados. Continuava o mesmo rapaz gentil, carismático e divertido de sempre. À todo momento, cuidava de Yuri com um zelo estranho e não saiu de seu lado em um minuto sequer. Optaram por um filme de terror que estava em cartaz e tão logo o filme acabou, decidiram jantar em um restaurante dentro do shopping, o bolsista incomodado com toda a situação já que Kaíque fizera questão que o mesmo não gastasse um tostão durante o passeio.

- odeio isso mano, sério - Yuri dissera enquanto comia. Decidiram degustar da comida italiana do Spoletto, o preferido de Kaíque: - só queria que você sentisse a emoção que eu sinto toda vez que como aqui. Sério, dá uma relaxada - Kaíque dissera enquanto engolia seu ravióli sem nenhum remorso. Yuri escolheu o prato menos caro do restaurante, para ao menos, balancear os gastos do mais velho. Enquanto ambos comiam, conversavam levemente sobre várias coisas. Yuri pôde perceber um certo brilho no olhar de Kaíque enquanto o fitava, deixando o bolsista automaticamente sem jeito.

- quê que foi? Cê não para de me olhar - Diz o mais novo, agora visivelmente envergonhado. Kaíque apenas sorriu. Mas não um sorriso como outro qualquer. Um sorriso carregado de ternura e sentimento. Com bastante carinho envolvido. O rapaz respirou fundo antes de proferir as palavras seguintes.

- Yuri... eu sei que tu tá imaginando que tô estranho contigo. Ou que não te chamei aqui por acaso, enfim. A verdade é que você tá certo - Yuri de repente parou com o pedaço da sobremesa entre a boca à mastigar. Fitou com cuidado a expressão de Kaíque enquanto este tentava tocar sua mão devagar: - Yuri... durante todos esses anos você nunca percebeu nada de estranho em relação à mim com você? - Yuri engole em seco o restante do pedaço de torta que colocara na boca há minutos antes: - quando a gente brincava, eu sempre me preocupava contigo. Sempre queria estar perto de você. Te proteger de tudo. Lembra? Até que fui embora e a gente ficou aquele tempão afastado. E agora voltei a te reencontrar e... - Kaíque pousa finalmente sua mão sobre a de Yuri antes de concluir: - ...e não sei se tô disposto a te perder de novo.
- ah relaxa mano, a nossa amizade é pra sempre se depender de mim, tu sabe disso - Yuri responde, ingenuamente mas Kaíque revira os olhos enquanto solta um sorriso malicioso: - não é possível que tu nunca tenha reparado nada? Yuri eu... eu tenho um carinho a mais que uma simples amizade por você desde aquela época. Até hoje eu nunca te esqueci. Não é possível que tu nunca tenha reparado no jeito que te olho, no jeito que te trato. No jeito que você me deixa quando toca em mim mesmo que inocentemente. Yuri não é possível que tu não tenha percebido em todo esse tempo que eu tô... tô apaixonado por você. Na verdade eu sempre fui apaixonado por você e tudo que te peço é uma chance.

  Yuri engole a própria saliva, as mãos trêmulas enquanto escuta o mais velho terminar. O ambiente inteiro girando ao seu redor.

Razões e Emoções (A #Freuri Fanfiction)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora