Capítulo 56

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- ninguém vai me dizer nada? - Miguel continua, confrontando cada um sentado à mesa: - acho melhor eu ir né...
- Você não vai à lugar nenhum seu moleque! - Miguel interrompe Yuri que já se levantava da mesa em direção à porta. Mas o mais novo não se intimida com o tom agressivo do segundo patriarca, ao contrário. Assume uma expressão séria e confronta o pai de Fred fixamente: - ...primeiro que meu nome não é "moleque", pra começar - Yuri enfrenta o militar que agora assume uma expressão de puro ódio à ele. Fred se levanta, tomado pela fúria e pronto para defender o mais novo: - você tá maluco?
- Senta aí Fred - O irmão mais velho de Fred, Max, se interpoe em defesa de Miguel mas este não se intimida: - acho bom tu ficar na tua Maxmiliano. Tu mal vem aqui e quando vem se acha no direito de falar alto comigo? - Nicolau apenas observa a cena. Elisa começa a ficar nervosa mas nada faz para conter os ânimos do marido e do primogênito da família. A esposa de Max apenas encarava a situação como se fosse uma boa fofoca pela expressão que tinha.
- ninguém vai pra chácara nenhuma. Vocês tão pensando que isso aqui é o que? E eu quero esse moleque abusado fora da minha casa agora.

- AGORA CHEGA MIGUEL! - Nicolau se levanta, mesmo com idade, os punhos cerrados na mesa visivelmente esgotado do autoritarismo e prepotência do filho e faz com que todos se espantem com seu tom potente e de igual para igual com o filho: - quem é você pra vir dizer quem frequenta ou deixa de frequentar a MINHA CASA em angra dos reis? Casa essa que eu construí sozinho sem a ajuda de ninguém e que mantenho com o MEU DINHEIRO, fruto do MEU TRABALHO? - Miguel se espanta com a reação explosiva do pai que até aquele momento sempre se mostrou "pacífico" e permissivo aos seus olhos: - Que isso vô, tá doido? Respeita meu pai - Max tenta enfrentar o avô mas este se volta contra ele sem nenhum tipo de pesar: - e você cala essa boca seu moleque. Que você é outro. Só procura os pais e lembra que tem família quando tá com a corda no pescoço. Ou você pensa que eu não sei o que você apronta dentro das forças armadas? - Yuri observa o irmão mais velho de Fred se encolher com um ratinho acuado e começando a suar de nervoso. Miguel encara o primogênito com uma expressão de séria dúvida. O militar de alta patente podia ter os defeitos que tivesse mas desonesto e corrupto definitivamente não estava em sua ficha pessoal: - e quanto a você Miguel - o patriarca volta a se dirigir ao filho: - muito cuidado quando falar do que for referente a mim. Goste você ou não eu sou seu pai e você me deve respeito.
- VOCÊ NÃO...
- CALA A BOCA! EU NÃO TERMINEI - Nicolau corta a interferência prepotente do filho, que logo se cala: - você gosta muito de exibir sua posição de militar não é? Com esse distintivo pra cima e pra baixo e usando disso pra falar o que bem quer pras pessoas só que aqui dentro Miguel, quando estiver falando comigo, o SEU PAI, vai ter que me respeitar e abaixar essa sua voz. E que eu nunca mais veja você destratar qualquer convidado meu nesta casa. Estamos entendidos?

  Miguel permanece com uma carranca explícita diante de todos mas sem fala alguma diante de Nicolau que repete a pergunta: - eu perguntei se estamos entendidos Miguel - O pai de Fred levanta a cabeça para olhar o pai, que esperava por uma resposta mas apenas fez um aceno de cabeça, sem mais delongas. Yuri e Fred permaneciam ali, olhando atentamente a situação e para todos enquanto Max e o restante se retiram da sala. Elisa ainda tenta se desculpar.

- eu... sinto muito. - ela diz, se dirigindo a Yuri que apenas faz um aceno de cabeça para a mulher que logo se retira junto de seu primogênito e a nora. Após os ânimos de todos relaxarem, Yuri resolveu quebrar o silêncio: - olha, desculpa seu Nicolau. Mesmo. Não devia ter respondido seu filho, mas é que...
- Você não fez nada mais que o certo, meu filho - diz Nicolau ao mais novo: - Miguel é muito prepotente e cheio de si. Estava na hora de encontrar alguém que não tivesse medo de seu jeito mal encarado. E eu não vou admitir que ninguém sofra nenhum tipo de preconceito nesta casa que também é minha. - o ancião acaricia a cabeça do bolsista, que se sente lisonjeado pelo carinho. Fred permanece em silêncio. A raiva que sentira pelo pai fora intensa o suficiente para que lhe tirasse até o ânimo. Logo os três homens terminaram o café da manhã e enquanto os dois rapazes estavam no carro de Fred rumo à casa de Yuri, o bolsista diz:

- ei, não deixa a atitude do teu pai estragar nosso dia - diz o mais novo percebendo o humor negativo no qual Miguel deixara seu parceiro. O presidente do DCE acaricia a mão do bolsista e logo esboça um sorriso: - não aguento mais essa situação com ele. Nunca entendi o que eu fiz pra esse cara pra ele ser assim só comigo. O Maxmiliano pode até cuspir na cara dele que tá tudo certo agora eu? - Yuri escuta atentamente o desabafo do rapaz: - mas tu tá certo - diz, beijando a mão entrelaçada de Yuri na dele: - não vou deixar essa babaquice do meu pai acabar com os nossos planos. Vem, vamo falar com os tios. Ou já posso chamar de meus sogros?

  Yuri dá um breve sorriso enquanto se aproxima do mais velho para lhe dar um beijo antes de saírem do carro. Ao baterem a porta do veículo, não esperavam que já fossem encontrar conhecidos logo pela manhã.

- Oi Yuri. Fred? Você por aqui?

Razões e Emoções (A #Freuri Fanfiction)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora