Capítulo 46

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Yuri

Finalmente amanheceu.
Yuri não pregrara o olho à noite inteira pensando no que havia ocorrido um dia antes. O beijo impulsionado e completamente "absurdo" que dera em Fred. E agora, sentado na beirada da cama, pensava em como iria encarar o mais velho. Tinha a certeza que ele iria xingá-lo dos piores nomes.

E Isabela? Iria fazer o máximo para que a notícia nunca chegasse nos ouvidos da amiga. Não podia e nem devia magoá-la dessa maneira. Seu celular vibrou. Na verdade só agora Yuri se deu conta de que ele vibrara à noite inteira. Abriu para ver as notificações. Mais de cinquenta mensagens em sua caixa postal.

"Yuri, fala comigo. Por favor"
"Po Yuri sério, não foge de mim"
"Yuri..."

Haviam outras quarenta e sete como essas. Yuri resolveu ignorá-las. Sem falar as vinte que haviam em suas redes. Largou o telefone sob a cama e foi rapidamente arrumar suas coisas para ir à faculdade. Sabia que se não saísse de casa até as sete e meia muito provavelmente Fred estaria em seu portão do jeito que estava aflito nas mensagens que lhe enviara. Rapidamente o mais novo escovara os dentes, colocou os livros em sua bolsa, engoliu um copo de leite e saiu sem nem esperar sua mãe se levantar. Queria chegar cedo ao ICAES e, de preferência, sem dar de cara com ninguém à não ser inevitavelmente suas amigas e que também eram suas colegas de classe.

Finalmente era o último dia de aulas no ICAES. Yuri teria um mês para repor suas energias e pensar em como iria administrar seus novos horários no semestre seguinte. Enquanto estava conferindo uma caixa de mensagens em sua rede social ouviu um farfanar de buzina à seu lado.

- e aí, Yuri - Era Kaíque. Yuri nem se lembrara a última vez em que vira o amigo. Já fazia um bom tempo: - tá perdido aí? Quer uma carona? - chamava o rapaz, dando alguns tapinhas na porta do motorista. Yuri pensou em recusar mas havia tanto tempo que não falava com Kaíque. Sentia um pouco de falta das conversas brandas e leves que os dois tinham. E também para ele, quanto mais cedo chegasse ao ICAES para resolver seus assuntos, melhor.

- quero sim - Disse o mais novo enquanto atravessava num salto a rua até o carro de Kaíque, que Yuri percebeu que ficara estranhamente empolgado por ele ter aceitado sua oferta.

Durante o percurso até a faculdade Yuri e Kaíque conversaram sobre vários assuntos. Kaíque lhe contara alguns poucos lugares que conheceu mas que lhe fascinaram enquanto Yuri lhe contou tudo o que aconteceu após sua partida. Os dois também riram juntos relembrando alguns momentos que tiveram na infância.

- lembra quando cê começou a ficar direto com o Jorginho? - Kaíque perguntara, ainda gargalhando: - aquele foi um dos dias mais tristes da minha vida. Achei que você não queria mais ser meu amigo depois que conheceu ele - Yuri retribuiu o sorriso e a risada do amigo enquanto refutava: - e eu achando que cê tinha ficado puto comigo já que depois disso eu ia te chamar na sua casa e sua mãe sempre inventava uma desculpa de que cê não podia sair. Ou então só não me atendia mesmo - Kaíque mordiscou o lábio inferior enquanto ouvia o mais novo falar. Uma tensão, sem nenhuma explicação e sentida por Yuri pairava no ar.

- cara, sério. Sua companhia sempre fez um bem da porra pra mim - Kaíque diz, sua expressão com uma euforia discreta: - nossa, valeu cara. Também sempre gostei bastante de você. Sempre foi como um irmão.

O brilho no olhar do mais velho sumira quase como instantaneamente sem que o mais novo percebera: - irmão? Ah... claro po. Você também pra mim. Sinto o mesmo, saiba - diz Kaique tentando disfarçar uma certa decepção enquanto fazia a última curva para encerrar o percurso até o ICAES. Logo os dois jovens estavam no estacionamento da universidade, que fazia ponte com o prédio da instituição.

- chegamos - diz Kaíque, desligando os motores - vai querer companhia ainda? Cê ainda tem quanto tempo até sua aula? - Yuri olhou o relógio. Percebera que estava mais adiantado que o normal. As aulas começavam às oito e eles estavam no estacionamento não eram nem sete e quinze ainda: - claro, é bom que a gente toma um café. O expresso daqui é muito bom, por incrível que pareça - diz enquanto dá um tapinha carinhoso no braço do mais velho.

Kaíque retribui com um sorrisinho charmoso e bobo de lado. Como de relance, Yuri reparou algo que nunca havia notado antes: Kaíque tinha um sorriso encantador. Era algo bonito de se ver. Mas logo dispersou com o pensamento embora não fosse nada mais que um singelo elogio que ele nem chegou a exaltar expressivamente.

Caminhavam juntos rumo ao campus da universidade quando Yuri teve uma leve e talvez desagradável surpresa.

Vindo em direção aos dois rapazes, andava Fred que logo dá de cara com eles. "Mas que merda" pensou Yuri. "Esse cara nunca chega cedo, justo hoje..."

E sente um clima tenso e talvez um pouco pesado pairando no ar enquanto os três se entreolham diretamente.

Razões e Emoções (A #Freuri Fanfiction)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora