Capítulo 83

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Yuri

  Yuri espera por uma resposta do militar que permanece o encarando. Mas não de forma arrogante como antes. Agora de forma serena, calma e até honesta. De guarda totalmente baixa.

- bem... - o homem começara após terminar de engolir um risole que acabara de consumir: - ...tá com fome? Quer alguma coisa?
- eu tô bem, valeu - Yuri responde, secamente. O homem sente o peso de suas palavras e olha para o chão: - ...Yuri... em primeiro lugar eu gostaria de... gostaria de lhe pedir que me perdoe.

  E o bolsista simplesmente teve que se segurar para não deixar sua boca se escancarar de forma transparente.
  O pai de Fred, um militar renomado e com sobrenome reconhecido na alta sociedade ali, bem diante dele, lhe pedindo perdão? Era algo meio chocante de se ouvir e processar: - eu sei que não fui muito bacana contigo e também sei que sou um ser humano muito duro mas... eu venho de uma época antiga e muito difícil. Não que isso justifique meu comportamento. Eu só quero que saiba que eu vou tentar ser alguém melhor daqui pra frente. Pelo meu filho e pelo meu pai. E acho que depois deles dois devo começar por você também - Yuri permanece sem acreditar no que escuta enquanto Miguel dá continuidade ao assunto: - ser um pai melhor também. Eu percebi que tudo isso aconteceu como um castigo para mim. Pra eu abrir os olhos e enxergar ao redor um pouco mais. Como vocês dizem, tentar "sair da minha bolha"... não vou lhe prometer que vai ser fácil pra mim toda essa história. Bem ou mal nós acabamos sem querer projetando uma visão de futuro diferenre em nossos filhos daquilo que eles mesmos pretendem. Sei que é errado e até egoísta mas é algo que... bem, você vai ser pai um dia caso queira então vai me entender - Yuri agora interrompe o mais velho: - preconceito eu nunca vou entender, senhor. Seja eu pai ou não, tenha eu trinta ou até sessenta anos - o militar escuta com atenção enquanto o mais novo toma as rédeas do diálogo: - e me desculpa mas nenhum discurso sobre faixa etária e gerações anteriores vai justificar a forma como o senhor me olhava. Como se eu fosse roubar algo ou coisa assim que entendemos bem onde quero chegar, certo? - O militar abaixa a cabeça. Esfregando as mãos uma na outra ele se prepara para continuar: - eu sei. Nada justifica. Por isso estou aqui. Quero tentar ser alguém melhor. Tudo que eu preciso é de uma chance - Yuri o analisa de soslaio enquanto o homem continua: - eu sei que palavras não são necessárias para isso. Pra justificar tudo isso. Mas eu realmente... tudo que aconteceu me fez refletir para muita coisa que antes eu não me importava. O trato que eu dava ao meu filho, às pessoas. Mas vou entender, claro, se não quiser.

  Yuri ficou pensativo. Estava explicito na cara do mais velho que estava sendo sincero. Mas assim? De surpresa? Dessa forma? Era surpresa demais para um dia só. O homem já estava se retirando quando Yuri o interceptou: - espera, seu Miguel - ele novamente olhou para trás, e Yuri poderia jurar que, pela primeira vez, vira o olhar deste se iluminar. Como quem tinha alguma esperança: - tudo bem. A gente pode tentar de novo. Pelo Fred - Yuri pensara que talvez Fred fosse ficar um pouco feliz com esse avanço quando se recuperasse. E também estava disposto a dar uma nova chance ao chefe da família Monteiro. Já que parecia tão disposto a mudar: - vamo... vamo tentar de novo. - o bolsista finaliza, estendendo a mão para o militar que, incrivelmente, sorri para ele e estende a mão de volta: - sabe, me enganei com você. Você é um bom rapaz. E eu também quero agradecer por tudo que fez pelo meu filho e o carinho dado a ele. De verdade - e de repente, a atitude do homem pega Yuri completamente desprevinido. O militar puxa o bolsista para um abraço caloroso enquanto o deixa estupefato, porém, retribuindo ao gesto. E os dois permanecem ali, selando a paz à frente do hospital enquanto ao longe, seu Nicolau e dona Elisa observam a cena aliviados.

Razões e Emoções (A #Freuri Fanfiction)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora