Yuri
Na manhã seguinte, a cabeça de Yuri não parava de girar. Pela primeira vez, havia sonhado com Fred. Não se lembrava com riqueza de detalhes, a única parte que se recordava era de que estava abraçado com o playboy e os dois estavam de mãos dadas em um lugar muito bonito, cercado de verde e de toda a natureza. E os dois estavam sentados no que parecia uma relva vasta de grama e das mais belas flores admirando um possível pôr do sol.
Yuri não podia continuar desse jeito. O sentimento por Fred não lhe fazia sentido algum. Como e quando aquilo aconteceu? Não deixava de pensar. Quando o playboy havia lhe conquistado daquela forma? Quando havia se deixado levar e permitir que uma algo assim pudesse lhe acontecer?
Sem falar na série de problemáticas que enfrentaria caso fosse descoberto: a primeira e mais óbvia seria rejeição do próprio Fred. Porque duvidava muito que tal sentimento pudesse ser retribuído por ele. Para Yuri, Fred gostava e ficava apenas com mulheres. Não tinha a menor hipótese de que o mais velho pudesse a vir sentir algo por ele. A segunda era a reação de seus pais. Jamais aceitariam o fato dele estar apaixonado por alguém do mesmo gênero e sexo. Sem falar que sua família era religiosa e frequentadora assídua da igreja. Jamais suportariam essa idéia. E o que fariam com ele?
E os amigos? O que pensariam? E quando ele havia descoberto que também se atraía por homens? Quando isso havia acontecido? Isso não era errado? Era uma série de obstáculos que matavam qualquer coisa a mais que amizade que pudesse sentir por ele. O que faria? Se afastaria novamente e dessa vez de forma definitiva até matar aquilo dentro de sí? Não. Não poderia e nem iria conseguir. Já havia se afastado uma vez de Fred e a situação o matou por dentro. Não conseguiria mais ficar longe do playboy por tanto tempo, por mais que quisesse. Evitá-lo? Talvez fosse uma boa idéia. Afinal isso não seria uma distância definitiva, apenas fugir de certos encontros até que seus sentimentos estivessem em ordem.
Estava decidido. Iria evitar Fred o máximo que conseguisse. Era o melhor a se fazer naquele momento. À começar não iria mais ficar pensando nisso. Só piorariam as coisas. Estava decidido a esquecer. Rapidamente deu um salto da cama e foi para o banheiro à fim de um banho bem gelado para ver se lhe congelariam as idéias. Logo estava pronto para mais um dia de faculdade. Arrumou rapidamente todo o material em sua mochila enquanto tomou um único e singelo gole de café. Dona Quitéria percebera a pressa do menino e prezava por sua alimentação e cuidados como toda boa mãe fazia.
- pelo amor de Deus meu filho, que pressa toda é essa? Senta aí, toma seu café direito - Ela dizia enquanto lhe empurrava o cesto de pães fresquinhos e um pequena vasilha com queijo: - tem pão, queijo... seu pai comprou tudo que cê gosta: - Yuri se vira encurralado. Não queria ser ríspido com sua mãe. Não deveria. Ainda mais se sentindo tão culpado como estava perante sua situação atual. Podia sentir algumas lágrimas querendo se formar em seus olhos mas logo as encurralou e as fez voltar de onde vieram. Não iria chorar naquele momento e nem havia sentido algum: - deixa pelo menos eu fazer um pãozinho pra cê levar e comer lá, vai - Dona Quitéria pedira. Via que não adiantaria insistir com Yuri, era teimoso feito o pai: - tá, pode ser - Yuri cedera. Quitéria dá um beijo no rosto do filho enquanto prepara o sanduíche para o jovem levar. Não demora muito para que nesse meio tempo uma buzina soasse em sua porta. Kaíque estava ali, finalmente. Yuri logo pega o sanduíche pronto feito pela mãe, lhe dá um beijo no rosto e se despede enquanto sai porta à fora ao encontro do jovem.
- e aí, Kaíque. Vamo logo? - Yuri sai entrando no carro com tanta pressa quem nota a diferença nos carros e cumprimenta se não fosse por um detalhe: não era Kaíque que havia ido buscá-lo. Sentado em sua frente, Fred está com as sobrancelhas arqueadas e encarando o mais novo: - tá todo todo com esse Kaíque né - O playboy resmunga, deixando Yuri em desespero e com uma expressão de frustração: - foi mal ter te decepcionado. Põe o cinto aí - Yuri queria correr mas era inútil. Só se atrasaria para a faculdade e aquilo não o ajudaria em nada. E depois que se deu conta de seu sentimento as coisas só pareceram piorar. Logo que vira Fred seu coração parece retumbar em seu peito e a respiração novamente lhe falha: - que foi mano? Tá passando mal? - Fred começa a se aproximar e tocar no rosto de Yuri cheio de cuidados e verificando se o mais novo estava com febre ou algo pois vira o rapaz travar na sua frente e seu rosto rapidamente empalidecendo. Yuri rapidamente o afasta, porém, de uma forma brusca. Na verdade, brusca até demais. Fred logo estranha a reação do rapaz e se recosta novamente em seu assento ao volante, encarando o mais novo de forma confusa e defensiva.
- qual foi, Yuri? Nao te entendi agora. O que tá rolando contigo? - pergunta de forma sentida. Yuri sente as lágrimas se formarem em seus olhos com a reação do rapaz. A última coisa que queria era magoá-lo. Principalmente ele. Sentia sua respiração pesar e um turbilhão em sua mente e seu estômago enquanto o rapaz continuava ali, cada vez mais confuso com suas reações enquanto aguardava uma única resposta do mais novo.
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Razões e Emoções (A #Freuri Fanfiction)
FanfictionUma história abordando uma realidade paralela a da novela "Vai Na Fé", de Rosane Svartman, exibida atualmente na rede globo. Centralizada na narrativa e pontos de vista dos personagens Fred e Yuri, também de autoria de Rosane Svartman. Sinopse: Fred...
