POV GIZELLY
Rafa estava deitada sobre a minha barriga, deslizando os dedos sobre toda a extensão, enquanto eu tinhas os dedos em seu couro cabeludo, fazendo movimentos uniformes, tínhamos acabado de nós entregar mais uma vez e estávamos ali conversando nos recuperando da maratona de sexo que tínhamos feito.
Quando Rafa me confessou estar com ciúmes da Natálie, senti vontade de rir da situação, pois eu de fato não vi maldade nenhuma, me senti diferente, senti que Rafa tem muitos traumas e por isso estamos aqui conversando sobre isso.
-Eu sempre tive ciúmes, mas depois que descobri a traição, acho que pirou, minha insegurança fala mais alto, entende? — Sua voz saiu baixa, me fazendo soltar uma resposta nasal. — Não que eu não confie em você, mas me sinto ameaçada.
-Eu consigo te entender, mas eu não faria isso com você, se algum dia eu senti atração ou vontade de ficar com outra pessoa, eu serei bem honesta com você. — Respondi com sinceridade e Rafa se calou por um tempo.
-Não gosto de pensar nessa hipótese, quero te privatizar, quero você só pra mim. — Ela cruzou as mãos embaixo do queixo apoiando em minha barriga, e seus olhos verdes se prenderam aos meus. — Mas sinceridade é algo que eu prezo muito, pois eu sempre serei sincera com você.
Assenti com a cabeça e dessa vez foi eu quem se calou. Me veio à minha relação com Ivy na cabeça, ando me sentindo culpada por ter me envolvido com ela, afinal ela está noiva e pra piorar, noiva do irmão da Rafa. Não sei se devo contar isso, não quero me envolver ainda mais nessa história, talvez seja melhor omitir essa parte, sei que Ivy não falaria nada também, pois pra ela o dinheiro sempre falou mais alto.
-Meu último relacionamento me deixou muitos traumas, me feriu demais, eu achei que não seria capaz de me reerguer outra vez. — Sua confissão me tirou do transe. — Eu aguentei muita coisa, coisas que eu nunca contei pra ninguém, eu tinha vergonha de que soubessem das coisas que ele fazia comigo, afinal de contas eu sempre mostrei um namorado perfeito que ele aparentava, mas não era verdade, ele nunca foi bom de fato, eu apenas estava acreditando na versão que eu inventei dele.
-Quando eu descobri que estava grávida, senti um fio de esperança nascer em mim, achei que ele ficaria feliz com a notícia e pudéssemos superar todas as nossas diferenças, preparei um jantar pra nós dois e embrulhei o resultado do exame junto com uma rosa. — A voz dela estava embargada, mas mesmo assim, ela continuou. — Esperei ele por umas três horas, quando eu desisti, ele chegou dizendo que estava trabalhando, mas eu sabia que tinha algo estranho, minha intuição gritava dentro de mim, mas mesmo assim eu ignorei e contei a ele sobre o nosso filho que estava dentro de mim. A reação dele foi tudo que eu menos esperava, ele me culpou, me disse coisas horríveis, do tipo: que eu só engravidei pra conseguir meu visto permanente nos Estados Unidos, brigamos feio e nessa noite ele não dormiu em casa.
Ouvi ela fungando, mas não disse nada, apenas continuei ouvindo o seu desabafo.
-Prometi ao meu bebê que daria todo o amor do mundo, mesmo que o pai dele não o amasse. — Rafa me encarou com os olhos ainda mais verdes. — Os dias foram passando e nossa relação estava cada vez mais distante, ele até começou a aceitar melhor a ideia de ter um bebê, mas ainda sim estava relutante. Quando descobri que era uma gravidez delicada, senti muito medo, fiz de tudo para poupar o meu filho, mas o pai dele não teve o mesmo empenho, na mesma semana descobri que ele tinha um caso com uma outra aluna dele, e era com ela que ele estava todas as vezes que eu precisei dele. Passei mal quando soube, tive um desmaio e quando acordei eu já esperava pelo pior, eu havia perdido o meu bebê.
-Eu sinto muito, Rafa. —Sussurrei tocando sua face e secando as lágrimas com o polegar.
-Em partes eu me sinto culpada, eu devia ter me prevenido, deveria ter perguntado se ele queria ser pai. — Meu coração estava apertado ao ouvir aquilo. — Por isso hoje, eu estou aqui pedindo pra você ser sempre sincera comigo, se você não quiser mais ficar comigo, se você não quiser levar isso adiante, seja sincera. E se a gente construir algo juntas e você não quiser ter filhos comigo, me fala também, eu vou entender.
