POV TEREZA
Eu sempre tive medo da morte, mesmo meus guias me dizendo que eu não devo temer. O pior dia da minha vida sem sombra de dúvidas foi o dia em que perdi meu filho e eu tive que encarar a morte dele. Ter que cuidar de todo o processo do enterro foi a pior coisa que eu passei na vida e reviver esse medo não foi nada fácil. Eu continuo com medo da morte, mas agora eu entendo melhor, tudo acontece por um propósito.
Olhei para os portas retratos em minha mesa, soltando um breve sorriso. Tive que abrir mais espaço ali, pois agora, além da foto do meu filho, precisei abrir espaço para uma de Gizelly e outra com as crianças. Fora a quantidade de desenhos espalhados pela minha sala, Sofia e Luiz Miguel redecoram tudo por aqui. Muita coisa mudou nesses três anos, posso dizer que sou uma Tereza totalmente diferente do que eu costumava ser, vejo a vida com novos olhos.
-Com licença, Tereza. – Natalie bateu em minha porta me tirando do transe. – A senhorita Rafaella está aqui para vê-la.
-Mande ela entrar, por favor. – Sorri para a assistente e me levantei pra esperar Rafa entrar pela sala. – Oi minha querida, aconteceu algo?
-Bom dia, Tereza. – Rafa me cumprimentou com dois beijos de comadre. – Como se sente?
-Estou bem e você? Já deixou os pequenos na escola? – Apontei a cadeira e nos sentamos.
-Estou bem, acabei de deixá-los. – Pedi um segundo e interfonei pra Natalie trazer um café.
-Mas o que te traz aqui tão cedo? Não me venha dizer que já veio falar sobre trabalho. – Ela sorriu de lado e se endireitou na cadeira.
-Não é nada grave, porém é algo que devemos conversar. —Depositei minha xícara sobre a mesa, da do atenção no que Rafa ia dizer. — É sobre o Lulu e as perguntas mirabolantes dele.
-Qual a dúvida da vez? — O Lulu sempre foi muito curioso e suas perguntas estavam cada vez mais elaboradas.
-Ontem ele me perguntou pra onde as pessoas vão quando morrem. — Levantei as sobrancelhas e logo soltei uma lufada no ar. — Não sei onde ele ouviu isso, mas tive que contornar a situação.
-É comum a dúvida, mas talvez a gente possa conversar com ele e explicar tudo. —Rafa assentiu com a cabeça. — E também podemos levá-lo no centro qualquer dia desses.
-Seria bom, ele já passou por tanta coisa. —Dessa vez foi eu quem concordou com a cabeça.
-Ainda bem que ele tem a "titia Rafa" ao lado da dele.
-Eu o amo como filho. —Rafa confessou envergonhada.
-E você sabe que ele te ama como mãe. —Eu era muito grata por ter Rafa em nossas vidas.
Acabamos mudando de assunto até que ela precisou se despedir. Combinamos de almoçar em família no domingo pra comemorar o jogo do Lulu e logo ela se animou com a ideia.
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Passei o resto da manhã concentrada em alguns papeis, mais tarde teria um consulta e se tudo desse certo, eu teria um resultado positivo. Acho que era o que eu mais desejava, principalmente depois de tudo que aconteceu.
Flashback on:
-Eu quero notícias da minha neta. — Falei alto, chamando a atenção das pessoas ali. — Cadê a Gizelly?
-Tereza, se acalme. — Izabella tocou meu braço. — A ligação caiu, não sabemos muita coisa ainda.
-O que vocês estão fazendo aqui ainda? Porque não estão lá?
