POV GIZELLY
Mal pisei em casa e já fui recebida aos berros. Minha mãe estava sem controle após ver fotos minha ao lado de Tereza no evento de ontem. Minha vó pedia calma e eu ainda tentava processar o motivo de tanta raiva.
-Eu te falei que não quero você metida com essa gente, Gizelly. — Ela gritou mais uma vez.
-Por qual motivo mãe? Eu fui acompanhar a Rafa, só isso. — Já estava cansada daquela discussão. — Eu não fui me encontrar com a Tereza, eu estava lá com a Rafa.
-Não me interessa, eu não quero e ponto. — Ela não conseguia se controlar. — Você me deve obediência, quando eu mandar você fazer uma coisa, é pra fazer.
-Eu tenho vinte e quatro anos, mãe! Não sou mais uma garotinha. — Passei a mão no rosto irritada. — Agora eu namoro a Rafaella, e consequentemente irei acompanhá-la nesses eventos e olha só, muito provável que eu encontre a Tereza por lá! Eu não posso obedecer sua vontade, se nem ao menos sei o motivo de tanto ódio, se for pela vovó, me fale o aconteceu, não vejo ela nutrir o mesmo ódio que você.
-Essa mulher não vale nada, Gizelly! — Minha mãe tinha a voz embargada. — Ela é o mal em figura de gente e na primeira oportunidade que ela tiver, ela vai te mostrar isso.
-Eu não quero brigar, mãe. — Suspirei cansada. — Vou pro meu quarto.
Peguei minhas coisas e subi, já estou sem paciência para esses surtos da minha mãe. Não faz sentido algum ela odiar a Tereza e querer que eu sinta o mesmo sem me dar nenhum tipo de explicação.
Me joguei na cama com a cabeça cheia, está passando da hora de tomar o controle da minha vida, minha mãe precisa parar de me controlar, assim que eu me formar, irei começar a procurar um lugar pra mim, principalmente agora que Rafa e eu estamos namorando, vamos precisar de privacidade.
Estava quase pegando no sono quando escutei batidinhas na minha porta, eu estava cansada pela noite de ontem.
-Pode entrar. — Me sentei na cama, quando vi minha vó entrando pelo cômodo. — Oi vó.
-Oi minha filha, vim ver como você estava. — Ela se sentou na beirada meio sem jeito.
-Tô cansada, vó, todo dia a mesma coisa. — Suspirei pesado. — Minha mãe está me deixando maluca.
-Ela só quer o seu bem, Gi. — Minha vó sempre arruma um jeito de colocar panos quentes, mas ela sabe que eu tenho razão. — Ela tem os motivos dela.
-Mas eu preciso saber quais, vó. — Argumentei cansada. — Eu não posso odiar uma pessoa só porque minha mãe quer. A Tereza nunca me fez nada, pelo contrário, em todos os nossos encontros ela sempre foi muito educada, inclusive me ofereceu um emprego na Ambev, e isso seria ótimo pra mim, todas as pessoas querem trabalhar lá.
-E você aceitou? — Minha vó perguntou temerosa com a resposta.
-Não, mas a Rafa acha que seria uma boa. — Ela respirou aliviada. — O que a Tereza fez com vocês? Ela já destratou você, vó?
-Não diretamente. — Minha vó buscava palavras pra me responder. — Ela sempre foi muito arrogante, mas nunca me fez nada diretamente, mas sua mãe tem os motivos dela pra não gostar da Tereza.
-São motivos dela, não meus. — Ela balançou a cabeça e eu dei os ombros. — Enfim, esse assunto já me desgastou.
-Vamos mudar de assunto. — Minha avó soltou um sorrisinho de lado. — Então você está namorando?
A olhei com um sorriso de orelha a orelha. Minha mãe me estressou tanto que nem tive tempo de curtir o sentimento de felicidade que estava no meu peito.
