Três dias

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POV MADALENA

Encostei a cabeça no vidro do carro e pensava no olhar triste da minha neta quando nos despedimos. Ver Gizelly nessa situação me despedaçou por dentro, mas eu sei que ela se envolveu com pessoas erradas e agora precisa pagar pelo erro, mas não deixa de ser doloroso. Limpei a lágrima teimosa que desceu pelo meu rosto e logo senti a mão de Tereza tocar meu ombro.

-Tá tudo bem, Madalena? – A mulher perguntou em um tom suave.

-Como eu posso estar bem? – Suspirei fundo. – Gizelly não vai se livrar fácil, ela está encrencada.

-Farei o possível dona Madalena. – A advogada respondeu com delicadeza. – Talvez tenhamos a sorte dela responder em liberdade, vamos tentar até a última instância.

-Eu tô pensando em quando ela sair daquele lugar também. – Olhei para Tereza que esperava que eu continuasse. – Marcia disse ontem que Gizelly vai ter que arrumar um lugar pra ficar, ela não quer ela lá em casa.

-Madalena, você sabe que eu não vou deixar a Gizelly desamparada. – Parei pra ouvir o que ela falava. – Tudo que era do Gael é da Gizelly agora, o apartamento, as ações da minha empresa que era no nome dele, isso tudo vai diretamente pra Gizelly.

-Isso mesmo dona Madalena, o apartamento do Gael é dela agora, Gizelly pode ir pra lá assim que sair da penitenciária, já podemos deixar tudo organizado pra ela. – Foi a vez de Adriana entrar no assunto. – Ela tem lugar pra ficar, pra recomeçar a vida.

-Eu não sei se ela vai aceitar isso, Gizelly é orgulhosa.

-Igualzinho o pai dela, né? – Adriana sorriu. – A senhora se muda pra lá com ela, Gizelly vai precisar de colo de vó quando sair.

-Obrigado por tudo, Tereza. – Apertei as mãos dela como agradecimento. – Nem sei como agradecer isso tudo que você tem feito por ela, pela nossa neta.

-Eu faria o impossível se fosse possível. – Tereza sorriu de lado e me agradeceu.

Em poucos minutos o motorista de Tereza estacionou em frente minha casa, me despedi delas e logo Terza me avisou que me manteria informado caso tivesse alguma novidade, agradeci e desci. Entrei em casa e o silêncio reinou, a casa sem Gizelly ficava vazia, mesmo que ela já estivesse morenão com Rafa, eu sei que ela sempre estava aqui, mas agora é diferente, nossos encontros são semanais durante uma hora por dia. Deixei minha bolsa no sofá e logo fui para o altar que eu mantinha na sala, me ajoelhei e comecei a rezar pela minha neta.

-Oh minha Nossa Senhora, proteja minha menina.

{...}

Os dias viraram semanas, e logo as semanas viraram meses. Cada dia que passava, eu ficava mais apreensiva pelo julgamento que se aproximava. Não havia um único dia em que eu não rezava pra minha santinha, sei que ela vai interceder por Gizelly.

A única coisa que tem me alegrado ultimamente, é ajudar a Rafa com os últimos detalhes do enxoval da Sofia fiquei tão feliz por ela me deixar participar desse momento único, sempre que ela vai comprar algo novo ou em alguma conduta, ela me chama pra ir junto, não vejo a hora da minha bisnetinha nascer e eu poder pegar ela em meus braços.

-A senhora acha que dois pacotes de fraldas dá pra levar pra maternidade? – Estava no apartamento de Rafa ajudando ela com os últimos preparativos antes do parto.

-Dá e sobra, Rafa. – Sorri pra ela e dobrei mais um macacãozinho. – Tá ansiosa, né?

-Eu tô com medo pra ser sincera. – Rafa me encarou e eu segurei suas mãos.

-Deus vai te dar uma boa hora vai ser um parto tranquilo e calmo.

-Eu não queria ter que passar por isso sozinha. – Ela tinha voz embargada e sei bem o que ela queria dizer.

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