Epílogo 1\3
POV TEREZA
Quase não fechei os olhos essa noite e o pouco que dormi, sonhei com meu filho. Sonhava que ele estava em perigo, que algo o perseguia, mas eu não conseguia identificar quem era. Com isso sentia meu peito apertado, com uma sensação estranha me preenchendo. Acordei assustada e com aquela intuição de que algo não estava bem.
Decidi começar meu dia na fazenda e esquecer aquele sonho horrível. Depois que nomeei Rodolffo e Gizelly para a presidência, dediquei meu tempo em descansar, meu corpo e mente precisavam disso e com isso eu praticamente me mudei pra fazenda onde passo a maior parte do meu tempo cuidando dos meus cavalos que trouxe do haras. Era minha terapia.
Zelino e eu passávamos quase o dia todo cuidando dos bichos e em especial o Harry o cavalo de Gizelly que misteriosamente apareceu machucado. O antigo peão que trabalhava aqui estava com ele no dia em que ele se machucou e o homem não soube explicar o que aconteceu, sendo assim, decidi dispensar o homem, acertei com ele todos os seus direitos e o mandei embora da fazenda, ele não foi com muito gosto, mas aceitou o pagamento e sumiu.
-Zelino, acho que vou pra Goiânia hoje a tarde, quero ir fazer uma visita pra meninas e pras crianças. — Avisei meu caseiro, que organizava as celas dos cavalos. — Acordei com uma saudade estranha deles.
-Vai mesmo dona Tereza, aproveita e trás eles pra passar uns dias aqui. — Todos na Fazenda eram apaixonados pela minha neta e pela esposa dela. — As crianças fazem falta, o Lulu e a Sofia trazem paz pra cá.
-Estou morrendo de saudades dos meus pequenos. — Sorri ao me lembrar dos meus bisnetos. — Vou ligar pro piloto, vou pra Goiânia depois do almoço.
{...}
Quando entrei em minha casa em Goiânia, meu relógio de pulso marcava 14:40 da tarde. O calor estava presente na cidade, aproveitei pra dar uma olhada em tudo, afinal foram muitos dias longe. Avisei alguns empregados que estava de volta e logo fui pro meu quarto, onde tomei um banho e mandei mensagens para Rafa, queria encontrá-la e ver a crianças. Não obtive resposta imediata, e como sabia que Gizelly estaria ocupada na empresa, liguei pra Dri.
Marcamos de nos vermos para um chá, estava morrendo de saudades da minha nora e queria desabafar um pouco sobre o meu sonho. Me vesti e liguei pro Ramires, meu ex motorista e segurança particular que agora é o motorista das crianças.
Meia hora depois, Ramires estacionava em frente ao café onde Adriana me aguardava, minha nora estava sentada em uma das mesas na esplanada, sorri brevemente e vi meu motorista abrir a porta do carro pra mim.
-Que saudades! – Meu tom de voz saiu suave, fazendo Dri me encarar e abrir um sorriso.
-Oi Tereza. – Dri se levantou, me recebendo com um abraço caloroso. – Que saudades, parece que tem meses que a gente não se vê.
Nos acomodamos e logo começamos a colocar o papo em dia. Havia menos de um mês que não nos víamos, mas sempre parecia uma eternidade, Dri e eu temos uma ligação que eu tenho certeza que vem de outras vidas. Ela me contou do novo namorado, e de como as coisas estavam fluindo com ele, fiquei imensamente feliz por ela, Adriana merece alguém que a ame com todo amor do mundo.
-Tenho a impressão que você está preocupada com alguma coisa. – Ela deu um gole no chá e me encarava como se lesse minha alma.
-Sonhei com o Gael essa noite, aqueles sonhos horriveis. – Soltei um suspiro. – Sempre acordo preocupada, com a intuição gritando.
-Foi só um sonho, não entre nessa neura. – Dri tinha um tom compreensivo, ela melhor do que ninguém pra me aconselhar. – Você está saudável, sua família está bem, não tá?
