-Acorda, docinho. — A voz melosa invadiu meus ouvidos, me fazendo despertar.
Abri os olhos lentamente, sentindo minha cabeça pesar uma tonelada. Me situei onde estava e só aí me lembrei que estava longe de casa. Me sentei pra cobrir minha nudez e o sorriso debochado dela foi a primeira coisa que eu vi quando olhei pra frente.
-Anda docinho, temos que ir embora.
-Eu juro por Deus que se você me chamar de docinho mais uma vez, eu te dou uma facada. — Ela gargalhou alto. — Que horas são?
-Hora de levantar, nosso voo sai às 10. —Bufei e peguei no ar o roupão que ela jogou pra mim. —Levanta essa bunda gostosa daí e vá pro banho enquanto eu peço nosso café.
-Você tá muito abusada, ein? — Revirei os olhos e segui pro banheiro.
Ouvi ela resmungando e longo entrei embaixo do chuveiro, tentando mandar aquela dor de cabeça chata embora. Ontem Tato e eu extrapolamos nas caipirinhas, porém foi por uma boa causa.
Estranho pensar que Renato e eu passamos a noite tomando caipirinhas pra fechar negócios com alguns artistas internacionais. Esses três anos aconteceu tanta coisa que é até difícil de explicar tudo. Mas resumindo, minha vida mudou de ponta cabeça.
Estive a beira da morta, Ivy me levou ao inferno, me salvei por sorte. A facada que ela me deu atingiu meu pulmão e chegou a perfurar meu baço, tive uma hemorragia interna ao chegar no hospital, só não morri, pois não era minha a minha hora e as orações das minhas avós eram poderosas.
Falando nisso, Tereza foi um verdadeiro anjo na minha vida. Ela não saiu do meu lado hora alguma. E agora temos uma relação incrível, eu posso dizer que a amo como amo minha vó Madalena. Minha relação com minha mãe também melhoro muito, fizemos as pazes, consegui fazer ela aceitar que Tereza comprasse uma casa melhor pra ela e minha avó, agora as duas moram em um bairro melhor e ela não precisa mais trabalhar na casa de Manu, montei uma loja e agora ela é uma empreendedora.
Parece que agora tudo se encaixou, me sinto mais segura, sou uma mulher totalmente diferente, madura e mais responsável. Acho que a maternidade fez isso comigo. E por falar em maternidade, preciso dizer que dividir isso com Rafaella é uma coisa única.
Mesmo que concordando em mater nossa relação apenas na amizade, tenho certeza que essa foi a melhor decisão a ser feita, pelas crianças. Lulu é apaixonado pela tia Rafa e não imagino minha vida sem eles três.
-Anda Gizelly, morreu aí porra? — Gabi gritou me fazendo revirar os olhos.
-Se arrependimento matasse, eu estaria morta. — Voltei pra sala, enrolada no roupão e secando meus cabelos com a toalha. — Você é paga pra ser minha segurança, não minha babá.
-Eu tenho que ficar de olho, você é sonsa demais pra andar por aí sem supervisão.
Joguei a toalha nela, me sentando pra tomarmos nosso café da manhã. Mas antes de começar a comer, peguei meu celular pra reeler as mensagens que estavam ali.
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