Vai embora

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POV GIZELLY

As últimas palavras de Rafa rodavam em looping na minha cabeça, eu tenho certeza de que ela nunca vai me perdoar, tenho certeza de que ela vai acreditar em tudo que Ivy disser contra mim e vai ser impossível provar que eu fui apenas uma peça no jogo dela. Eu não conseguia ver saída nesse inferno que eu estou vivendo, ver minha vó chorando por minha causa, me dava raiva de mim mesma. Fiz tudo ao contrário do que eu sempre prometi a ela.

Pensei em Tereza também, a forma com que ela está empenhada em me ajudar, sei que isso é remorso ou culpa. Só aceitei ajuda pela insistência da minha vó, quero provar que  eu não roubei aquele dinheiro e pra isso eu preciso da ajuda de Tereza, infelizmente. A doutora Izabella me explicou como anda minha situação. Estou sendo acusada de lavagem de dinheiro, corrupção e sou cúmplice do esquema de desvio do tal Daniel que eu não faço ideia de quem seja. Izabella teve acesso às provas contra mim, existem conversas minhas e dele, transações milionárias na conta da minha avó, mas eu sei que isso tudo é armação de Ivy, sei que ela me usou pra tirar muito dinheiro das contas da empresa do Renato.

-Bicalho, visita? – A agente bateu na cela, me tirando do transe.

Minhas colegas de cela me encararam com uma expressão nada agradável, sei que quando eu voltar elas iriam me encurralar novamente. No meu segundo dia aqui, algumas detentas me bateram simplesmente por me achar "bonita" demais, foi essa a desculpa. Me levantei desviando das minhas companheiras de cela e dei as mãos para a agente me algemar.

-Todo dia uma mulher bonita vem te ver, queria saber como funciona sua lábia. – A carcereira dizia com deboche, senti meu peito bater apressado com a hipótese de ser Rafa. – Vamos, não tenho o dia todo.

Ela me guiava pelo braço e a cada passo eu rezava internamente pra Rafa me ouvir, me deixar explicar tudo o que aconteceu, eu falaria tudo, desde o dia em que conheci Ivy. A agente me levou até a sala de visitas, quando levantei a  cabeça a raiva me dominou, eu não estava acreditando no que meus olhos estavam vendo.

-Meu amor. – Ivy se levantou tocando meu rosto. – Que bom te ver.

-O que você está fazendo aqui? – Travei a mandíbula, sentindo o ódio correr em minhas veias.

-Eu vim ver você, meu amor. – A agente soltou as algemas e se afastou, saindo da sala. – Quem fez isso com você? Como você está?

-Você tá brincando comigo, né? – Soltei suas mãos do meu rosto. – Vai embora, Ivy.

-Gi, eu não faria isso com você, tá tudo uma bagunça, a polícia está investigando a empresa, eu ainda não sei como você caiu no meio disso tudo. – Ela dizia em desespero, tentando me convencer que ela não tinha nada  a ver com isso. – Eu tenho minhas desconfianças, eu vou te tirar daqui.

-Eu não caio nos seus jogos, não mais. – Sorri sem humor. – Você acabou com minha vida, você acabou com tudo que eu tinha, você me tirou a Rafa.

-Tudo o que eu fiz foi por amor. – Vi raiva em sua voz. – Cadê ela que não tá aqui? Ela nunca te amou Gizelly, ela só queria um filho, você deu um a ela e ela te largou na primeira oportunidade. Eu continuo aqui e eu não vou desistir de você, não vou desistir de nós, tá me ouvindo?

-Não existe nós, você tem noção do que fez minha vó passar?

-Eu errei sim, mas não foi eu quem te colocou aqui, eu nunca faria isso, temos um filho juntas, eu te amo, Gizelly, você sabe que eu sou louca por você. – Passei as mãos no rosto de forma irritada. – Eu vou provar pra você que eu não fiz nada, vou te tirar desse inferno.

-Então quem foi? Abre o jogo.

-Eu não posso acusá-la sem provas, eu preciso juntar tudo que sei pra provar que ela tá por trás de tudo.

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