POV RAFA
A respiração compassada de Gizelly, sinalizava seu sono tranquilo. Eu não consegui pregar o olho, então me dediquei a observar minha namorada enquanto ela dormia. Apoiei meu queixo em seu ombro e fiquei ali pensando em como será que o nosso futuro, se vamos ter mais filhos, se vamos nos casar em breve, se vamos ter uma casa maior... pensar nisso me aquece por dentro, pois eu tenho certeza de que Gizelly deseja o mesmo que eu.
Ela me conquista todos os dias um pouquinho mais, o olhar intenso sobre mim, me faz sentir que o sentimento é real e recíproco. O jeito que ela falou com o José mais cedo, fez meu coração bater tão forte que eu até esqueci meu nome por alguns segundos. A forma com que ela se impôs contra ele, me deixou admirada e com a certeza de que posso me sentir segura ao lado dela.
Não esperava ver o José no Brasil, ele nunca teve perspectiva alguma de voltar aqui. Sempre disse que era um país de terceiro mundo e que não pretendia vir nem a passeio, tanto que nosso casamento seria realizado em Chicago.
Suspirei pesado com essas memórias importunas e Gizelly se remexeu na cama, passando o braço pelo meu corpo e me puxando pra mais perto. Sorri pequeno, pois ela nem acordou pra fazer o gesto, mas ela sabia que era exatamente ali que eu queria estar.
Na manhã seguinte, nos despedimos em casa, Gizelly preferiu que eu não a levasse na Ambev, por um lado eu agradeci, não quero ter a chance de esbarrar com o José novamente.
Meu dia na C&K estava completamente estressante, além dos levantamentos de Ivy, ela resolveu querer minha ajuda para todos os detalhes do casamento com meu irmão e isso estava me tirando do sério, porém tentei manter a calma e passamos a manhã toda escolhendo lugares para a cerimônia, que seja algo íntimos e familiar.
-Ocupada, Rafa? — Meu irmão colocou a cabeça pra dentro da minha sala.
-Oi Tato, vem cá. — Ele entrou e sentou na cadeira a minha frente.
-Vim te chamar pra almoçar. — Franzi o cenho, pois Ivy disse que ia chamar meu irmão pra almoçar.
-Cadê a Ivy? — Ele sorriu de lado e suspirou.
-Foi almoçar com a Bia, ela vai convida-la pra ser madrinha. — Meu irmão sorriu de lado. — Não quero comer sozinho e tem tempo que não temos nossos momentos fraternais.
-Aí, como é carente. — Gargalhei e me levantei pegando minha bolsa.
Tato e eu saímos de braços dados, avisamos Dani que demoraríamos um pouquinho e pedimos pra ela adiar os compromissos pra mais tarde. Meu irmão é eu seguimos para o nosso restaurante favorito e depois de acomodados, fizemos nossos pedidos.
-Como tá o bebê? — Ele perguntou depois de dar um gole no vinho branco.
-Crescendo, forte e saudável. — Alisei minha barriga com um sorriso enorme no rosto.
-Eu acho que nunca estivemos tão felizes. — Meu irmão e eu sempre fomos melhores amigos e um sempre entendeu o outro. — Eu vou me casar com a mulher da minha vida, ela tá esperando um filho meu, nossa empresa está conseguindo sair dessa maré ruim. Eu sou um homem grato por tudo.
-Você merece ser feliz. — Alisei a mão dele.
-Você também, cabeçuda. — Ele retribuiu o gesto, me olhando nos olhos. — Quero que Gizelly te faça muito feliz, Rafa.
-Ela já me faz. — Suspirei apaixonada.
-Quando vem o casamento? — Ele brincou, mas meu peito bateu apressado.
-Espero que em breve.
Tato e eu conversamos bastante sobre o casamento e os detalhes que faltavam para a cerimônia. Meu irmão levaria Ivy para o norte brasileiro e a viagem internacional viria depois que o bebê deles nascesse.
