Doutora Izabella Borges

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POV RAFA

Rolava de um lado para o outro sem conseguir pregar olho, olhei para o lado e meu celular marcava três e quarenta da manhã, suspirei mais uma vez e senti minha filha chutar minha barriga.

-Também tá sem sono, meu amor? – Alisei minha barriga e senti Sofia se mexer ainda mais. – Tem dias que são mais difíceis, mas a mamãe estará sempre aqui com você.

Limpei meu rosto, mas as lágrimas teimam em cair, desde que Gizelly saiu da minha vida, minhas noites de sono tem sido assim, eu não consigo dormir, minha mente gira em looping, com tudo que a gente viveu até aquele dia horroroso.

Flash back on:

-O que você viu em mim? Eu não sou nada. – A voz dela estava embargada. – Não tenho nada pra te oferecer, Rafa.

-Amor, o que você tá falando? – Tentei levantar seu rosto. – Gi, não fala isso, o que aconteceu?

-Eu me dei conta que não tenho muito pra te oferecer.

-Olha só, eu não quero você falando isso, tá me ouvindo? – Fiz Gizelly me olhar. – Você tem muito a me oferecer, você me deu amor, me deu atenção, você me deu um filho, Gizelly!

-Até minha mãe sabe que eu não tenho nada, que eu não sou nada. – Ela continuava repetindo isso. – Eu te amo Rafa, mas eu não sinto que sou o suficiente pra você.

-Você é o suficiente pra mim, você é tudo que eu quero. – Puxei ela pra um abraço. – Eu nunca me importei com bens materiais, eu quero o seu amor, a sua lealdade, o seu companheirismo e você sempre me deu isso, não pense o contrário, amor.

-Posso te pedir uma coisa? – Gizelly se afastou com lágrimas nos olhos e eu assenti com a cabeça. – Aconteça o que acontecer, nunca duvide do meu amor por você e nem do amor que eu sinto pelo nosso bebê.

-Eu te amo Gizelly. – Segurei seu rostos entre as mãos olhando dentro dos olhos dela. – Eu não duvido do seu amor, eu acredito nele. Você me ensinou que o amor não dói.

Flash back off:

Agora tá doendo, como nunca achei que doeria, eu pensei que não seria tudo aquilo que o Zé me fez sentir, mas dessa vez eu estou sentindo muito mais. Não queria acreditar que todas aquelas juras de amor eram mentira, tudo que ela me disse fazia parte de um grande teatro para estar mais perto do esquema de golpe dela, como eu pude ser tão burra? Respirei fundo e virei para o lado onde Gizelly costumava dormir, passei a mão pelo colchão, pedindo a Deus pra tirar todo esse sentimento do meu coração.

{...}

Na manhã seguinte acordei cedo e com uma vontade absurda de comer bolo de milho. Olhei no google todas as receitas possíveis e comecei a minha tarefa de preparar um bolo. Devo ter ficado umas três horas concentrada nessa tarefa, mas os dois bolos que fiz, deram errados e eu estava a ponto de chorar. Sai da minha inércia, quando minha campainha tocou. Abri a porta limpando as mãos e Manu se fez presente em minha porta.

-Bom dia? – Ela me olhou de cima a baixo, notando o caos em que eu me encontrava.

-Oi Manu, entra. – Dei passagem e suspirei.

-Vem ver como você está. – Minha amiga parou no meio da sala, mas eu a chamei pra ir até a cozinha. – Se você estiver como a sua cozinha, sugiro terapia de urgência. O que aconteceu aqui?

-Tô tentando fazer um bolo. – Olhei pro forno e o bolo descia lentamente, depois de ter entornado quase todo. – Acho que não deu certo.

-Eu sabia que você era ruim na cozinha, mas eu não imaginava que era tanto. – Desliguei o forno e comecei a chorar sem parar. – Hey, calma! É só um bolo, Rafa.

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