𝑱𝒐ã𝒐 𝑷𝒆𝒅𝒓𝒐 | 𝑪𝒐𝒎𝒑𝒍𝒆𝒙𝒐 𝒅𝒂 𝑷𝒆𝒅𝒓𝒆𝒊𝒓𝒂
— JP? Porra, responde filho da puta!
Ouvia uma voz de longe mas não sabia ao certo quem era, nem mesmo distinguir se era real ou coisa da minha cabeça.
— Vem, levanta pô.
— O que tu tá fazendo aqui? — Falo sem nem mesmo conseguir enxergar quem era, mas pergunto fingindo só por instinto.
— Caralho, que merda tu fez aqui?
— Eu vi eles. — Falo descansando os olhos, caralho maior cansaço vai se fuder... nem raciocino direito, apenas expulso as palavras da minha boca.
— Eles quem porra?
— O pai dela, o filho da puta do Marcola pô. — Sinto a mão passar pelo meu ombro me dando sustentabilidade, logo fico de pé e apenas sigo os passos até o banheiro onde sou jogado dentro do box, lá é como se a água gelada me trouxesse de volta á realidade como um choque, depois de alguns segundos sentindo a água descer pelo meu rosto, abro os olhos finalmente confirmando quem tava ali, era o André que ainda me olhava em pé na porta.
— Porra tu tá legal? — Faz essa pergunta idiota, porra será que não tá vendo que tô fudido?
— Não, que horas são? — Pergunto ainda com as mãos apoiadas no box e a cabeça baixa.
— São quase cinco da manhã. — Fala.
— E o que porra tu tá fazendo na minha casa essa hora? — Pergunto.
— Pô, a Amanda tava piando no meu ouvido hoje cedo tá ligado, só porque deixei a toalha molhada em cima da cama, apertou minha mente legal irmão. — Dá risada sozinho parecendo pensar. — Meti o pé pra boca pra buscar um bagulho pra fumar e os cara comentou que tu tinha saído de lá todo torto, já logo estranhei no bagulho, liguei pra caralho e tu não atendeu então eu vim assim mermo.
Fico pensando o que porra esses dois tava fazendo tão cedo, mas sabia que o André não parava em casa, então nem rendo muito.
— Valeu. — Falo e logo saio do box, sem camisa apenas com uma bermuda, meu corpo já não sentia mais tanto frio, olhei pro espelho vendo que minhas pupilas ainda estavam dilatadas, passei a mão no rosto sentindo o cansaço como se eu acabasse de sair de uma luta com dez caras, caralho a ressaca da droga já queria bater.
— E aí, o que rolou? — André pergunta ainda parado na porta do meu banheiro, mas não falo nada indo até a porta do armário pegando uma toalha enxugando a cabeça e em seguida o corpo.
— Dá pra sair do meu banheiro? — Falo.
— Pô não vai da não, tu poderia tá morto tá ligado né, desenrola aí pô. — Ele fala, apenas nego com a cabeça.
— Tu tá querendo ver meu pau? — Encaro ele que só me olha sério.
— Vai se fuder. — Ouço dele que logo sai me deixando sozinho. — Vou descer que eu não quero me frustrar vendo esse parafusinho que tu tem aí. — Dá risada sozinho.
Encosto no balcão da pia pensando em toda merda que tinha acontecido, não costumava usar cocaína, não mais.
Antes era um escape, pra toda vez que eu lembrava do meu pai, sentia um alívio nessa porra mas depois aprendi a viver sem, a controlar a vontade.
Respiro fundo e vou até o quarto trocando de roupa, depois de jogar um perfume no corpo assim como o rexona desço as escadas encontrando André andando pela sala que parecia mais um lixão segurando alguns cacos de vidro.
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DOSE DUPLA
Fiksi PenggemarLuna é uma jovem que cresceu no Complexo da Pedreira, no Rio de Janeiro. Sua vida vira de cabeça para baixo quando ela se vê dividida entre dois homens que representam mundos opostos: um sendo da lei e o outro não. À medida que Luna mergulha em um t...
