📍𝑨𝒏𝒅𝒓𝒆𝒛𝒊𝒏𝒉𝒐 | Complexo da Pedreira.
— Fala tu pô. — FP entra na salinha, já esperava o cara fazia umas meia hora. — Como é que tá o faturamento da semana? — larga enquanto dava um trago no baseado.
— Ainda vou terminar hoje a contabilidade. — respondi meio cansado, rabiscando uns números na caderneta.
— Caralho, lento pra porra em.— Soltou uma risada junto com a fumaça. — JP já tinha fechado essa porra na sexta.
— Porra, quem fazia isso era ele, né? Eu só tô tentando segurar o tranco aqui. — E era verdade, não entendia porra nenhuma de faturamento, não como o JP, o cara era brabo mermo.
— Se o JP quisesse mermo, eu já teria dado um jeito de tirar ele de lá, tu tá ligado.
— Tô ligado pô. — Largo o papel e caneta na mesa.
— Mas não sei que porra ele tem na cabeça, é como se ele quisesse se punir por tudo que aconteceu. — Fala puxando outra vez.
Concordei com a cabeça pensando, porque era verdade. O cara não era de fugir da própria sombra.
Depois que o JP foi preso, tudo ficou mais difícil. Aqui nós não confiava em quase ninguém, e com razão, era difícil saber quem era quem, às vezes o inimigo tá do teu lado, sorrindo, dividindo até o mesmo baseado, e sem ele por perto, parecia que todo mundo queria testar até onde a gente aguentava, mas nós não ia deitar pra nenhum safado não.
Troquei umas ideias rápidas com o FP, mas logo precisei correr pra buscar minha gata. A mulher não parava em casa não, mas porra também, o coroa dela botou ela nos negócios, então tinha que ficar lá e cá, resolvendo várias parada, esse bagulho de escritório é sinistro, documento, conta, ligação quase o dia todo, pô não é pra qualquer um, mas não posso negar a garota é inteligente pra caralho, lógico que o engravatado não ia querer perder ela assim, ainda mais sabendo o que ela vale.
Depois de sair da sala do FP, liguei a moto e desci pro asfalto, o lugar não ficava muito longe, fui na cautela pra não levar um enquadro, hoje tinha que passar na casa da mãe do JP também e levar uma grana lá que o mesmo tinha me pedido, tá maluco não via a hora desse puto voltar, agora eu entendo o porque sempre tava com a cara de acabado, dei risada sozinho porque se ele me ouvisse dizer isso ia mandar eu tomar no cu.
Não demoro pra chegar no lugar chique, de longe avisto a Amanda toda gostosa com aquela roupa que costumava usar pra vir pra cá, o vestido até abaixo do joelho e o blazer escuro por cima, parecia andar em câmera lenta levantando o óculos do rosto até a cabeça, fiquei paralisado vendo ela sorrir pra mim.
— Oi amor. — Chega até mim dando um selinho.
— Oi minha gata. — Analiso ela. — Pô tá lindona hoje em?
— E ontem eu tava feia? — Pergunta.
— Caralho, pode nem fazer um elogio mais? — Falo e ela dá risada.
— Te amo. — Me beija devagar quando a gente ouve a voz masculina chamando.
Ela olha pra trás e meu olhar encontra o do pai dela que tinha trazido a pasta que a garota tinha esquecido, de longe observo ela abraçar ele que continuava me encarando, não dá o cara não ia com a minha cara mesmo.
— Porra, teu pai me odeia mermo. — Comento quando chega perto de novo.
— Como se você ligasse. — Ela fala e eu dou risada porque era verdade.
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DOSE DUPLA
FanfictionLuna é uma jovem que cresceu no Complexo da Pedreira, no Rio de Janeiro. Sua vida vira de cabeça para baixo quando ela se vê dividida entre dois homens que representam mundos opostos: um sendo da lei e o outro não. À medida que Luna mergulha em um t...
