📍𝑳𝒖𝒏𝒂 𝑫𝒖𝒂𝒓𝒕𝒆 | Complexo da Pedreira.
Eu me sentia como se estivesse me afogando, tentando respirar enquanto tudo ao meu redor se desmoronava.
Meu pai, aquele homem que eu achava que estava perdido ou até morto, depois de anos, voltou, e não pra ser parte da minha vida de novo, ele voltou como o maior inimigo do João Pedro. Como isso é possível? Eu não sei, ainda tento entender como tudo virou de cabeça pra baixo assim, e o pior de tudo é que, enquanto eu tentava encontrar um jeito de lidar com isso, meu coração ainda batia forte por ele.
Agora, sentada numa cadeira desconfortável, com a cabeça cheia e as mãos procurando algo pra fazer. O copo descartável que eu tinha na mão parecia o único ponto de foco no meio dessa sala, comecei a girar ele entre os dedos, fazendo ele rodar devagar, como se isso fosse me distrair de tudo o que estava se passando na minha cabeça. Mas a verdade é que eu não estava distraída, estava tentando não pensar, tentando não sentir.
O plástico do copo fazia um barulho baixinho, um som repetitivo que ecoava na minha mente, mas o que eu realmente ouvia era o turbilhão de lembranças que começava a me dominar. Cada giro do copo parecia puxar mais uma memória que eu não queria ter.
(Flashback)
— Luna... — Minha vó balança meu braço enquanto eu ainda encarava o corpo no chão. — Luna! — Ela diz firme então eu olho.
— Ele tá respirando? — Me solto e vou até ele verificar.
Era quase como um corte na garganta, assistia seus olhos piscarem lentamente, enquanto o coração batia cada vez mais fraco, confirmei depois de me abaixar pra verificar, estreitei os olhos quando o mesmo ainda tentava falar, mas logo a porta é aberta por homens armados.
— Luna! — Minha vó me puxa pra longe enquanto assistimos aqueles homens desconhecidos levar o meu pai, todos com fuzis e até armas que eu nunca nem tinha visto antes.
Eu olhava pra ele, tão fraco, num estado que nunca imaginei presenciar, e mesmo assim não conseguia sentir nada. Talvez, se ele tivesse sido o pai que eu sonhei que fosse, se tivesse estado presente todo esse tempo, e se tivesse me mostrado algum amor de verdade... Talvez eu teria conseguido olhar para ele e ver mais do que um homem morrendo.
E, pior ainda, depois de saber a verdade sobre ele... Como eu poderia olhar pra o homem que me deu a vida e sentir alguma coisa? João Pedro, com aquele olhar de ódio que eu conheço muito bem, me fez entender finalmente, que o meu pai não só me abandonou, ele destruiu a vida do JP, tirando dele o que ele mais amava.
(Flashback)
— Ele destruiu a vida daquele homem... e de toda sua família, e era por isso que eu não queria você perto dele filha, eu sinto muito... — Ouvia minha vó falar enquanto digeria tudo aquilo.
— Eu nem posso imaginar como o João Pedro tá agora. — Penso comigo mesma. — O que eu faço, vó? Como eu ajudo ele? Ele vai me olhar e enxergar apenas o meu genitor. — Falo e suspiro.
— Você deveria ir dormir, Luna. Você embarca amanhã, precisa deixar tudo isso pra trás filha, seguir com a sua vida.
— Quer que eu esqueça o que aconteceu hoje, aqui? O que vem acontecendo todos esses meses? Por favor, vó... Não é bem assim, a um tempo atrás eu nem tinha pai, e agora ele simplesmente tava aqui na nossa sala sangrando pela boca. — Falo.
VOCÊ ESTÁ LENDO
DOSE DUPLA
Fiksi PenggemarLuna é uma jovem que cresceu no Complexo da Pedreira, no Rio de Janeiro. Sua vida vira de cabeça para baixo quando ela se vê dividida entre dois homens que representam mundos opostos: um sendo da lei e o outro não. À medida que Luna mergulha em um t...
