Capítulo 69

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📍𝑳𝒖𝒏𝒂 𝑫𝒖𝒂𝒓𝒕𝒆 | 𝐒á𝐛𝐚𝐝𝐨, 𝟎𝟕:𝟑𝟎 𝐀𝐌...



— Escova, sabonete... — Espalho as coisas em cima da cama mais uma vez. — Caralho, porque sinto que tô esquecendo alguma coisa? 

Era o dia de ver ele e meu coração já não aguentava mais de tanta ansiedade, já conferi tudo que ia levar uma três vezes, quase não dormi imaginando nosso olhar se encontrando de novo, comprei tudo novinho pra ele depois de insistir já que a Vânia não queria aceitar de jeito nenhum, mas nitidamente estava exausta, além de resolver as coisas do JP, trabalhava na loja e tinha que dá conta da Juliana e do  Victor.

Então eu mesma fiz questão de comprar tudo.

— Cuecas. — Levantei o dedo lembrando do que tinha esquecido. Abri o guarda roupa e peguei nas sacolas, estendi uma imaginando ele na minha frente, puta merda que saudade de sentir ele. 

Dou mais uma olhada no espelho, encaro o anel que ele me deu em cima da penteadeira e acabo colocando, borrifo perfume e pronto, ótimo.

Respiro fundo quando termino e vou saindo do quarto, dou de cara com a minha vó descendo as escadas.

— Minha Nossa Senhora! — ela solta, levando a mão no peito. — Luna, você vai sair desse jeito?

Olho pra mim mesma. Legging preta, camisa larga com uma cor sem graça, cabelo todo preso num coque alto, cara lavada, zero maquiagem.

— Vou, vó. — respondo simples.

Ela me encara daquele jeito dela, misto de preocupação e reprovação, entendo na hora.

— Eu não queria que você fosse naquele lugar...  — fala mais baixo agora. — Não é lugar pra você.

Fico em silêncio por um segundo e engulo seco.

— Eu sei que não é. — digo. — Mas eu... amo ele.

Ela suspira fundo, se aproxima e ajeita a gola da minha camisa como fazia quando eu era criança.

— Você ama demais...  — murmura.

— Amo. — confirmo, sem hesitar. — E não ir seria pior do que ir.

Ela me observa mais um pouco, depois balança a cabeça devagar, rendida.

— Então vai. — diz. — Mas vai com Deus, tá ouvindo? E volta logo por favor.

— Volto. — prometo, abraçando ela forte.

Minha vó beija minha cabeça e segue pra cozinha, ainda meio contrariada, mas entendendo, do jeito dela.

Meu celular vibra na mão.

Dona Vânia ligando.

— Alô?

— Bom dia, minha filha. — a voz dela soa apressada. — Já tô saindo de casa pra te buscar, tá? O André vai levar a gente.

— Tô pronta. — respondo, olhando mais uma vez pra sacola. — Só esperando.

— Então desce que já já a gente chega. — ela diz. — Vai da tudo certo.

— Amém. — sussurro.

Desligo.

Pego as sacolas, minha bolsa, respiro fundo mais uma vez antes de sair. O coração já tá acelerado, a cabeça cheia, mas o corpo indo.

Porque hoje era dia de ver o João Pedro.

E nada mais importava. 

Não demora pra o André chegar com o carro, logo uma moto com dois homens armados chega também.

DOSE DUPLAOnde histórias criam vida. Descubra agora