Capítulo 61

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📍 𝑳𝒖𝒏𝒂 𝑫𝒖𝒂𝒓𝒕𝒆


— Vamos, Luna! Só hoje, pelo amor de Deus. — A Brenda praticamente se arrastava do meu lado, fazendo aquele drama básico enquanto empurrava a porta da biblioteca.

— Só hoje o cacete, tu fala isso todo dia. — Respondo com preguiça, segurando a risada.

— Tá, mas é sério agora. Hoje vai rolar a festa da fraternidade Zeta sei lá o quê, vai ser no alojamento dos meninos do bloco B, e olha... só os gato. — A Thais completou vindo do meu outro lado, com aquele sorriso de quem já tava imaginando até o after.

— Gente, pelo amor de Deus, eu não tenho roupa, não tenho energia e nem clima. — Me encolhi nos ombros, ajeitando a mochila enquanto a gente atravessava aquele salão enorme da biblioteca.

Era fim de tarde e a luz do sol entrava pelas janelas altas, dando um ar incrível pro lugar. Muita gente espalhada entre livros, computadores, uns dormindo em cima das mesas. Eu já tava acostumada com a vibe, mas ainda me impressionava às vezes.

— Tu tá precisando se distrair, garota. A gente sabe que tua cabeça tá cheia, acha que a gente não percebe? — A Brenda falou um pouco séria.

Franzi a testa e eu juro por Deus que na hora tive um flashback da Isa e Amanda me convencendo a subir no baile pela primeira vez, mas antes que eu pudesse responder qualquer coisa, ela me cutucou discretamente com o cotovelo.

— Ih, olha lá teu fã número um... — Deu risada sozinha.

Segui o olhar dela e dei de cara com ele.

O tal do bibliotecário ou sei lá o quê aquele garoto era, só sei que o cara vivia empurrando aquele carrinho de livros pra lá e pra cá e, desde o meu primeiro dia ali, parecia ter me escolhido como alvo do olhar dele. Alto, pele clara, cabelo bagunçado e uns olhos que eu não sabia dizer se eram castanhos ou pretos, mas sempre me encaravam como se soubessem de tudo sobre a minha vida.

Ele tava de camisa preta dobrada nos cotovelos, fone pendurado no pescoço e uma pilha de livros na mão, e claro... o olhar grudado em mim, se fosse na favela ele não durava um dia encarando os outros dessa forma.

— Ele tá te comendo com os olhos, amiga. — A Thais cochichou.

— Deixa ele passar fome, então. — Dei de ombros ignorando.

 A gente acelerou o passo até a seção onde Thais ia pegar um livro emprestado, e eu aproveitei pra me esconder por uns segundos atrás de uma estante. Não sei, por mais que o tal do gato fosse até bonito, meu coração ainda tava preso em outro canto, literalmente do outro lado do mundo.

Mas talvez... talvez só hoje, eu topasse ir nesse rolê. Só pra espairecer, rir um pouco, fingir que tava tudo bem.

— Achou seu livro? — Brenda pergunta á Thais.

As vozes das duas são ofuscadas porque me virei respondendo a mensagem das minhas amigas e minha vó que vivia mandando foto da cachorrinha que adotou, ela se sentia muito sozinha então por uma vídeo chamada conseguir convencer ela junto as meninas a adotar a Mel, sugeri esse nome pelo tom de pelos que tinha, muito fofinha.

— Eu também acho... — É a única coisa que consigo ouvir da conversa das duas quando guardo de volta o celular, me deparo com as duas me encarando.

— Que foi? — Pergunto sem entender.

— É que a gente tava aqui pensando... — Ela começa, com um tom meio debochado.

— Você não acha esquisito? — Thais entra no embalo. — Aquele bibliotecário gostoso te olha como se fosse te pedir em casamento, e tu? Nada! Nem um sorrisinho, nem um joguinho, nem um olharzinho de volta, porra nenhuma. — Abre os braços, indignada.

DOSE DUPLAOnde histórias criam vida. Descubra agora