Capítulo 53

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𝑳𝒖𝒏𝒂 𝑫𝒖𝒂𝒓𝒕𝒆 📍


Depois de passar a tarde com as minhas amigas, subi pra organizar tudo o que ainda faltava, quando elas foram embora, encontrei meu quarto em um silêncio estranho. Meu armário já estava quase vazio, com as últimas roupas ainda dobradas e os espaços agora vazios me encarando.

 A prateleira do banheiro também estava limpa, como se eu estivesse preparando um adeus, deixando apenas o que usava no dia a dia, para não ter que retirar da mala. Fora isso, tudo já estava embalado e pronto, mas, mesmo com tudo resolvido, algo me segurava ali, parada no meio do quarto.

 Olhei em volta, como se esperasse que algo, ou alguém, me dissesse o que fazer, e eu percebi que, apesar de todo o planejamento, minha mente estava longe de estar organizada, o coração apertado e a cabeça cheia de dúvidas estavam tomando conta.

— O que tá fazendo? — Minha vó entra no quarto.

— Acho que eu não quero ir. — Falo.

— Luna... — Se aproxima sentando na cama.

— Eu... eu não sei, vó. Eu sempre sonhei com isso, sempre quis estudar fora, viver novas experiências, aprender coisas novas, mas agora que está tudo certo, estou com o coração apertado, como se eu tivesse que escolher entre o que sempre sonhei e o que estou deixando pra trás. — Falo com a voz embrulhada, sinto o nó na garganta na hora.

— Essa sensação de partir, de deixar o que amamos... é normal, querida. O que você sente não diminui a beleza da oportunidade que você tem, mas você tem direito de sentir tudo isso, é o seu coração, a sua alma tentando entender o que essa mudança significa. — Ela fala me olhando através do espelho.

— Eu fico pensando... será que tô preparada? Tipo, sempre quis isso, mas agora que está acontecendo, eu sinto medo. Medo de não ser capaz, de não dar conta de tanta mudança, e também... sinto que vou sentir falta de todo mundo aqui, a sensação de que posso estar deixando algo importante pra trás me dói. — Falo.

— É difícil filha, mas às vezes, o que parece uma despedida é, na verdade, um começo. Você não está indo pra longe de mim, você está indo pra mais perto de si mesma, ás vezes, a gente precisa sair pra poder descobrir quem realmente é, e eu confio em você, Luna. Você tem a força do mundo dentro de si, mesmo quando não a sente. — Sinto sua mão acariciar meus cabelos.

— Eu te amo, Vó... Obrigada... — Encaro seu rosto e vejo um simples sorriso se formar.

— Eu te amo, querida. — Vem até mim deixando um beijo rápido na minha cabeça. — Agora se arrume, você não ia sair?

— Eu vou... com o JP... — Falo olhando pros meus dedos mexendo.

— Bom, você ainda tem dois dias aqui, aproveite. — Sorri fraco e logo sai me deixando sozinha.

Pego o celular vendo que já era quase oito horas, então sem demora levanto e já começo a me arrumar, uma mistura de felicidade e tristeza me invadia, porque parecia que seria a última vez que eu iria vê-lo.

Rapidinho e eu já estava pronta, optei por um top faixa branco e uma saia cargo, amava esse estilo, tinha várias de tonalidades diferentes, mas hoje usava a marrom claro, borrifo perfume por todo corpo depois de passar o hidratante, por último solto os cabelos que antes  estava num coque, amasso pra arrumar os cachos e agora assim tô pronta.

Aguardo uns minutos depois de mandar mensagem pro JP sinalizando que já estava pronta, desço as escadas quando o mesmo responde dizendo que chegou, mas antes que eu pudesse abrir a porta, vejo minha vó conversando com ele na porta.

DOSE DUPLAOnde histórias criam vida. Descubra agora