𝑱𝒐ã𝒐 𝑷𝒆𝒅𝒓𝒐 | 📍𝑩𝒂𝒏𝒈𝒖 ll, 𝒖𝒎 𝒎ê𝒔 𝒅𝒆𝒑𝒐𝒊𝒔...
Quatro semanas.
Vinte e oito dias nesse buraco, tempo aqui não passa pô, ele se arrasta. E quanto mais ele se arrasta, mais aperta a saudade. Já me acostumei com tudo que tinha pra acostumar, o cheiro, a comida podre, os gritos, a tensão no ar... menos com a porra da saudade.
A única coisa que me mantinha em pé era saber que lá fora tinha gente tentando por mim, minha família, e principalmente ele, o doutor Marcelo, o advogado mais brabo que a gente conseguiu, o cara era sinistro pra caralho, do tipo que não abaixa a cabeça pra juiz nenhum.
Nas últimas duas semanas, ele correu atrás de uma porra de autorização que parecia impossível... uma chamada de vídeo com a Luna.
Não era fácil não, era burocracia, era papel, era espera, mas ele conseguiu.
— João Pedro! — o guarda grita da grade. — Advogado tá te esperando.
Levanto sem entender muito. Penso que é só mais uma conversa sobre o processo, o juiz, sei lá o quê. Mas quando vejo o Marcelo, ele já tá ajeitando o notebook em cima da mesa de ferro enferrujada.
— Senta aí, consegui. — ele fala.
— Conseguiu o quê?
Ele me olha, meio sério, meio vitorioso.
— A chamada, com a garota. Tu tem cinco minutos. — Fala e logo sai me dando privacidade.
Eu travei.
Cinco minutos?
Depois de um mês sem ver a cara dela? Depois de vinte e oito dias vivendo nesse inferno, com a cabeça girando só em torno dela?
Cinco minutos não era nada.
Cinco minutos não ia dar nem pra dizer o tanto que eu tava sentindo.
Não ia dar nem pra olhar direito, nem pra ouvir a risada que eu me amarrava, nem pra dizer o quanto ela me fazia falta.
Mas era o que tinha, e aqui dentro, a gente aprende a valorizar cada migalha de afeto que a vida ainda deixa escapar.
Conectando...
Fixo o olhar na tela, o coração batendo forte, a mão suando.
A imagem aparece devagar, toda embaçada no começo... mas aí vejo ela, do outro lado do mundo, com cara de cansada, o cabelo preso num coque como sempre fazia, mas ainda com aquele olhar que me desmontava inteiro, tá maluco.
— João Pedro?! — ela sorri.
Fiquei mudo por uns segundos, não tinha voz, não tinha chão, só ela.
— Caralho garota... — solto baixo, quase num sussurro.
— Tu tá bem? Fala comigo, por favor... — ela tenta rir, mas a voz tá embargada.
— Bem? pô nem sei mais o que é isso, mas ver tua cara agora já valeu mais do que qualquer coisa, preta. — Falo e ela sorri.
— A Ju falou que tu tava tentando conseguir isso. — ela respira fundo. — Eu tava contando os dias.
— Eu também, aqui dentro o tempo é outro, cada dia parece um ano tá ligado.
— Eu soube que o pedido de fiança foi negado... — Fala.
— Pois é pô, mas tamo vendo isso ai, bate cabeça não.
— Eu tô morrendo de saudades, como eu odeio essa tela, como eu queria poder pelo menos te encostar. — Fala.
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DOSE DUPLA
FanficLuna é uma jovem que cresceu no Complexo da Pedreira, no Rio de Janeiro. Sua vida vira de cabeça para baixo quando ela se vê dividida entre dois homens que representam mundos opostos: um sendo da lei e o outro não. À medida que Luna mergulha em um t...
