Capítulo 54

53 4 2
                                        

𝑱𝒐ã𝒐 𝑷𝒆𝒅𝒓𝒐 📍 | Continuação...



— Não me deixa sozinha! — Ouvia a garota ao meu lado enquanto parava o carro na entrada da favela.

— Tu tá maluca cara? — Encarava seus olhos.

— Eu quero ficar com a minha vó, me leva agora! — Falava nervosa.

Eu não sabia o que fazer, pela primeira vez na vida eu não sabia como agir, eu não sabia de porra nenhuma.

— Porra, me escuta caralho! — Pude perceber prender seus lábios querendo chorar. — Se liga, eu vou mandar uns homens verificar a casa da Marlene, tranquilo? — Ela apenas concorda com a cabeça.

— Oh chefe, o bagulho tá ficando sinistro lá, precisamos subir agora. — Escuto um dos homens falando fora do carro.

Não era pra ela tá aqui, não era pra isso está acontecendo, eu não devia ter saído do morro.

— Espera aqui. — Falo pra ela e logo saio pra falar com os homens que aguardavam só minha ordem.

Separei os homens pra que tivesse mais chances de matar esses filhos da puta.

 E tu, leva ela pra esse endereço. — Entrego um pedaço de papel velho que tinha no carro depois de escrever o endereço do meu apartamento no asfalto.

— Demorô chefe. — Concorda pegando o papel analisando.

— Fica de olho nela. — Falo pro mesmo que concorda com a cabeça. — Bora porra! — Falo com os outros homens e logo subimos o morro.

O suor escorria pelo meu rosto, mas não era só por causa do calor, o peso da situação apertava no peito, cada passo na subida do morro era mais pesado que o anterior. Eu conhecia cada curva aqui, cada beco, cada olhar, e de certa forma já esperava por invasões, mas essa me pegou de surpresa. 

O barulho dos tiros ecoava pelas vielas como um aviso de que a guerra já tinha começado. A minha favela, o meu território, estava sendo atacada por uma facção rival, e era eu quem tinha que dar um jeito de colocar ordem aqui.

LK na escuta? — Falei com radinho em mãos enquanto entrava pelos becos.

Manda chefe.

Tem vigia na casa da Vânia? — Pergunto.

Tem cinco homens lá chefe. — Ouvia ruídos e barulho de tiros.

Manda alguém verificar a casa da Marlene. — Digo e desligo.

O cheiro de pólvora pairava por todo lado, joguei o fuzil nas costas e continuei caminhando pelo beco escuro, até avistar um dos rivais, pude ver perfeitamente a cena, parei só pra ouvir o filho da puta apontando pra cabeça de um dos meus vapores.

— Cadê teu chefe? — Atrás de um pequeno muro de concreto ouvia o cara falar, o homem não fala nada, inteligente, sabe muito bem qual a lei pra X9. — Não vai falar não? — Com cuidado coloco a arma na cintura e puxo o fuzil pra frente. — Abre a porra da boca! Vai caralho, eu vou te estourar por dentro filho da puta. 

Me posiciono olhando pela pequena mira, porra fica difícil quando o cara não para de se mexer.

— Pela saco... — Bufo.

Observo o cara empurrando o cano da arma na boca do LK, devagar escuto desengatilhar a arma pronto pra pipocar o cara, mas eu sou mais rápido, o tiro é certeiro na cabeça, dou risada vendo o filho da puta cair pro lado que nem saco de bosta.

DOSE DUPLAOnde histórias criam vida. Descubra agora