𝑱𝒐ã𝒐 𝑷𝒆𝒅𝒓𝒐 📍 | Continuação...
— Não me deixa sozinha! — Ouvia a garota ao meu lado enquanto parava o carro na entrada da favela.
— Tu tá maluca cara? — Encarava seus olhos.
— Eu quero ficar com a minha vó, me leva agora! — Falava nervosa.
Eu não sabia o que fazer, pela primeira vez na vida eu não sabia como agir, eu não sabia de porra nenhuma.
— Porra, me escuta caralho! — Pude perceber prender seus lábios querendo chorar. — Se liga, eu vou mandar uns homens verificar a casa da Marlene, tranquilo? — Ela apenas concorda com a cabeça.
— Oh chefe, o bagulho tá ficando sinistro lá, precisamos subir agora. — Escuto um dos homens falando fora do carro.
Não era pra ela tá aqui, não era pra isso está acontecendo, eu não devia ter saído do morro.
— Espera aqui. — Falo pra ela e logo saio pra falar com os homens que aguardavam só minha ordem.
Separei os homens pra que tivesse mais chances de matar esses filhos da puta.
E tu, leva ela pra esse endereço. — Entrego um pedaço de papel velho que tinha no carro depois de escrever o endereço do meu apartamento no asfalto.
— Demorô chefe. — Concorda pegando o papel analisando.
— Fica de olho nela. — Falo pro mesmo que concorda com a cabeça. — Bora porra! — Falo com os outros homens e logo subimos o morro.
O suor escorria pelo meu rosto, mas não era só por causa do calor, o peso da situação apertava no peito, cada passo na subida do morro era mais pesado que o anterior. Eu conhecia cada curva aqui, cada beco, cada olhar, e de certa forma já esperava por invasões, mas essa me pegou de surpresa.
O barulho dos tiros ecoava pelas vielas como um aviso de que a guerra já tinha começado. A minha favela, o meu território, estava sendo atacada por uma facção rival, e era eu quem tinha que dar um jeito de colocar ordem aqui.
— LK na escuta? — Falei com radinho em mãos enquanto entrava pelos becos.
— Manda chefe.
— Tem vigia na casa da Vânia? — Pergunto.
— Tem cinco homens lá chefe. — Ouvia ruídos e barulho de tiros.
— Manda alguém verificar a casa da Marlene. — Digo e desligo.
O cheiro de pólvora pairava por todo lado, joguei o fuzil nas costas e continuei caminhando pelo beco escuro, até avistar um dos rivais, pude ver perfeitamente a cena, parei só pra ouvir o filho da puta apontando pra cabeça de um dos meus vapores.
— Cadê teu chefe? — Atrás de um pequeno muro de concreto ouvia o cara falar, o homem não fala nada, inteligente, sabe muito bem qual a lei pra X9. — Não vai falar não? — Com cuidado coloco a arma na cintura e puxo o fuzil pra frente. — Abre a porra da boca! Vai caralho, eu vou te estourar por dentro filho da puta.
Me posiciono olhando pela pequena mira, porra fica difícil quando o cara não para de se mexer.
— Pela saco... — Bufo.
Observo o cara empurrando o cano da arma na boca do LK, devagar escuto desengatilhar a arma pronto pra pipocar o cara, mas eu sou mais rápido, o tiro é certeiro na cabeça, dou risada vendo o filho da puta cair pro lado que nem saco de bosta.
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DOSE DUPLA
Fiksi PenggemarLuna é uma jovem que cresceu no Complexo da Pedreira, no Rio de Janeiro. Sua vida vira de cabeça para baixo quando ela se vê dividida entre dois homens que representam mundos opostos: um sendo da lei e o outro não. À medida que Luna mergulha em um t...
