Capítulo 59

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𝑳𝒖𝒏𝒂 𝑫𝒖𝒂𝒓𝒕𝒆 | 📍𝒞𝒽𝒾𝒸𝒶𝑔𝑜.



— Valeu. — Agradeci ao homem sério que me trouxe até um uma casa, era como se fosse um refúgio com várias pessoas da minha idade, chamavam de casas mas era como quartos, acomodações que abrigavam entre quatro ou cinco pessoas, eu realmente me sentia num filme Americano, dentro de uma fraternidade. 

— Oi, você é nova aqui né? — Uma garota com olhos puxados fala, analiso a franja muito bem alinhada e seu pijama azul, a mesma tinha um casaco por cima e meias nos pés, me apresento a garota que era um pouco mais baixa que eu.

— Luna. — Estendo a mão pra ela.

— Manuela. Mas aqui todo mundo me chama da japa.— Dá risada. — Já achou seu quarto? — Nem espera eu responder e já vem entrelaçando nossos braços. — Vem, vou te mostrar.

— Só tem você aqui? — Passo os olhos pelo local analisando o silêncio.

— Tá todo mundo no evento que tá rolando hoje de boas vindas pra vocês calouros, não tava afim de ir. — Dá de ombros. — É aqui, você vai dividir com a Jade, ela é meio enjoada mas você se acostuma.

— Quanto tempo que tu tá aqui? — Pergunto deixando minhas coisas na única cama vazia do cômodo, passo os olhos pelo lado da cômoda e da parede sem cor, apenas um cinza sem graça, enquanto do outro lado do quarto a decoração chegava a arder meus olhos com tantas cores, em específico o rosa que além de ter nas paredes, tinha também por todo jogo de cama e um urso de pelúcia do Stitch em cima.

— Só seis meses, ainda vou ficar por bastante tempo... você vem de onde? — Me ajuda com a mala.

— RJ. — Falo simples.

— Eu sou do Rio Grande do Sul. — Fala com o sotaque arrastado. — Veio só você de lá da sua instituição? 

— Veio outras pessoas, mas ficaram espalhadas, não faço ideia de por onde estejam, fui a última a ser deixada. — Sorri fraco.

— Então tá, vou te deixar em paz pra você arrumar suas coisas, toda essa parede é sua pode decorar do jeito que preferir. — Fala gentil.

Gente boa pra caramba essa garota.

— Ah, essa aqui é suas chaves. — Tira duas chaves médias do bolso. — Do alojamento e do quarto. — Me entrega. 

— Valeu. — Falo e logo ela sai.

Me jogo na cama, depois de passar horas num voo eu ainda nem acreditava que tava do outro lado do mundo, o que me confortava era que aqui tinha várias pessoas do Brasil espalhadas, então talvez eu me sinta em casa.

Só talvez.

Pego o celular vendo o fuso horário que era totalmente diferente, mando uma mensagem pra minha vó e no grupo das minhas amigas dizendo que estava tudo certo.

Aproveito também pra perguntar as meninas sobre o João Pedro, tudo que eu queria era está perto dele agora, não ter noticias dele acaba comigo, ou ele me enchendo o saco de mensagens, fecho os olhos por um segundo lembrando do último momento em que vi ele, sendo arrastando com a maior brutalidade por aquele filho da puta do Matheus e os outros policiais.

Abro nossa conversa, e encaro sua foto de perfil, a mesma de sempre, só dava pra ver do pescoço pra baixo já que tinha um emoji tampando seu rosto, analiso as correntes e a tatuagem que eu me amarrava, fecho os olhos lembrando que esse maluco escreveu meu nome no ouro e colocou como pingente.

DOSE DUPLAOnde histórias criam vida. Descubra agora