Capítulo 73

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📍𝑺ã𝒐 𝑷𝒂𝒖𝒍𝒐 | 𝟖 𝒎𝒆𝒔𝒆𝒔 𝒅𝒆𝒑𝒐𝒊𝒔...


𝑳𝒖𝒏𝒂 𝑫𝒖𝒂𝒓𝒕𝒆


— Olha quem chegou. — Ouço da minha assessora Eduarda. — Tá atrasada. 

— Ai foi mal Duda, tive um probleminha com o carro. — sorri fraco. — Tá tudo pronto?

— Vai lá e arrasa. — pisca pra mim.

Respirei fundo antes de entrar na sala. 

Segundo e último dia participando de um congresso de fotografia e, enquanto ajeitava o blazer no corpo, ainda custava acreditar que aquele já era o quinto. Já tinha feito parte de mais quatro em outros estados, finalizava agora em São Paulo.

O barulho lá dentro diminuía aos poucos, como se o ambiente sentisse a minha chegada antes mesmo de me anunciarem. Caminhei até o palco sentindo o salto bater firme no chão, o coração acelerado, mas não de medo, era aquele um frio na barriga bom.

— Com vocês, Luna Duarte. — Ouço meu nome ecoar nos alto-falantes.

Alguns aplausos, alguns rostos curiosos, câmeras levantadas, sorrio automático.

— Bom dia. — começo, a voz segura, mesmo com toda ansiedade. — Eu poderia começar falando de técnica, de enquadramento, de luz... mas fotografia, pra mim, sempre foi sobre sentir.

Passo os slides enquanto falo dos meus primeiros trabalhos, das fotos feitas no improviso, da rua, das pessoas comuns, das histórias que ninguém para pra ouvir. Mostro imagens do morro, do cotidiano, de olhares cansados e sorrisos resistentes.

 A sala fica em silêncio.

— Nem toda foto é bonita ou confortável. — digo. — Às vezes ela machuca. Às vezes ela denuncia, e às vezes... ela salva.

Vejo gente anotando, gente emocionada, gente se reconhecendo ali.

Quando termino, os aplausos vêm mais fortes, sinceros. Dou um sorriso largo, agradeço, respondo algumas perguntas, falo de mercado, de processos, de erros, porque errar também me trouxe até aqui.

Saio da sala com as pernas finalmente tremendo, como se o corpo só agora tivesse entendido o peso do momento.

— Mandou bem. — Eduarda aparece do meu lado, entregando meu celular. — Tá todo mundo comentando.

— Nem me fala. — rio, soltando o ar. — Preciso de um café e cinco minutos de silêncio.

— Sonha. — ela brinca. — Tem gente querendo falar contigo, convites, propostas... — balança o celular em mãos.

Assinto, ainda meio zonza. 

Oito meses tinham passado rápido demais, entre trabalho, estrada, noites mal dormidas e saudade apertada, eu cresci. 

Virei referência, virei nome.

Mas, no fundo, ainda era a mesma Luna.

— Olha, preciso que tu confirme isso aqui e... — vira a tela do Ipad mas meu celular começa a tocar mostrando o nome da minha cunhada.

Juliana. 

— Oii. — atendo fazendo sinal de espera pra Duda.

— Luna? Tu volta hoje? — Fala um pouco eufórica.

— Eu não tenho certeza Juli. — vou caminhando até o carro que alugamos. — Depende do vôo, porque? aconteceu alguma cois... — não me deixa terminar.

DOSE DUPLAOnde histórias criam vida. Descubra agora