Capítulo 57

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📍𝑳𝒖𝒏𝒂 𝑫𝒖𝒂𝒓𝒕𝒆 | 𝟔𝒉𝟎𝟕 𝑨𝑴.


O céu ainda era escuro quando fechei a última mala, a rua dormia, mas meu coração não.

Olhei de relance vendo a minha vó me observando parada na porta do meu quarto, braços cruzados e olhar mole, acho que a ficha dela tá caindo agora que eu realmente vou embora. 

— Tá tudo aí? — Marlene pergunta.

— Tá, vó. Passaporte, passagem, mala... só falta o juízo. — Falo e nós duas sorrimos fraco. 

Respirei fundo antes de fechar a porta do meu quarto pela última vez em um bom tempo, o Uber já esperava na esquina, o motor ligado, como se o mundo não parasse nem um segundo pra quem estava indo embora, tava tudo acontecendo rápido demais.

No banco de trás, olhava pela janela com os olhos lacrimejados, o morro ia se afastando e puta merda, que saudade eu ia sentir desse lugar... minha cabeça ainda estava na última noite, no JP, no nosso beijo, na mão dele segurando a minha como quem implorasse em silêncio pra eu ficar.

Mas não dava pra ficar... pelo menos não agora.

O ponto de encontro com Amanda e Isa foi num café perto do Galeão. As duas já esperavam na calçada, com os olhos brilhando e uma mistura de orgulho e tristeza no rosto, mas a surpresa veio quando eu vejo saindo de um carro a Juliana, meu coração já não aguentava de tanta emoção.

— Minha fotógrafa internacional. — Amanda fala e vem correndo pra me abraçar.

— Assim tu me derruba garota. — Falei sorrindo e puxando minha mala. — O André tá bem? — Aproveito pra perguntar.

— Ele tá sim, e mandou te dizer que se algum gringo mexer contigo lá fora ele e o teu marido atravessa o mundo pra resolver. — Ela fala, posso até imaginar ele dizendo isso. 

— E eu não duvido disso. — Falo. 

— Não acredito que tu tá indo mesmo. — Isa fala e me abraça também.

— Eu ainda tô tentando acreditar também. 

— Meu deus, como eu vou zoar o JP agora que tu não vai tá aqui? — Juliana vem me abraçando também.

Encaro ela que tinha os traços do irmão, menos a arrogância.

Encarava sua íris clara assim como a do João Pedro, a boca levemente rosada com aquele ar de menina, o rosto bem marcado e o sorriso perfeitamente alinhados assim como o do irmão.

— Tu vai fazer tanta falta. — Ela fala, ao longe as risadas das meninas e da minha vó parecem abafar como se só tivesse eu e ela aqui.

— E tu também garota, vê se se comporta e não mata seu irmão do coração, tá? — Nós duas damos risadas. — Você sabe que eu tô aqui, sempre. — Falo.

Juliana foi uma amiga que a vida me deu, antes mesmo de saber que ela era irmã do João Pedro, o universo conspirou pra que nossos caminhos se cruzassem, e ela era realmente especial.

Nunca me julgou, nunca me afastou, mesmo quando tudo ao redor estava ruim, ela sempre estava lá, assim como Vânia que sempre me tratou muito bem, posso dizer que ganhei uma família, eu me sentia acolhida e vista lá.

— E a gente... —  Enfatiza o "gente" — Também vai tá aqui. — Sorri sabendo que falava por ela e pelo irmão. 

Logo as meninas chegam e todas entramos no café, sinceramente eu preferia a padaria da Dona Cida lá no morro, mas aqui ficava mais perto do aeroporto.

DOSE DUPLAOnde histórias criam vida. Descubra agora