LUNA DUARTE
Eu estava encantada com cada parte dessa galeria, parecia nunca ter fim, já estava de noite enquanto numa sala eu olhava as últimas fotografias.
— Como achou esse lugar? — Pergunto vendo JP encostado na beira de uma das mesas que tinha na sala.
— Achando pô. — Simplesmente dá de ombros.
— Aqui é tão lindo. — Sinto o celular vibrar e vejo que era algumas mensagens do Mateus, logo bloqueio a tela ignorando.
— Tu gostou mermo? — Ele vem na minha direção.
— Eu amei, mas porque tu fez isso? porque me trouxe pra cá? — Seu rosto sério encarava o meu, observava seus olhos de tons claros, muito lindo por sinal.
— Só pensei em como fosse gostar.
— Pensou? que bandido sentimental.
— Ih, sou bandido mal filha, isso aqui é só uma exceção. — Ele abre um sorriso.
— Vou acreditar. — Sorri. — Eu nunca vi nada assim, minha vó ia amar isso aqui. — Vou andando e analisando os lustres pendurados, tinha uma luz amarela fraca que deixava o ambiente perfeito.
— Tu mora com ela né?
— Moro.
— E teus pais?
— Eu não conheci meus pais. — Paro quando sinto uma frustração invadir meu corpo, o vazio de não saber minha origem, de onde eu vim.
— Caralho, tua vó não fala deles? — Fico quieta olhando pro nada pensando que de fato ela nunca falava nada. — Não precisa falar se não quis... — Interrompo ele na hora.
— Na verdade não, ela nunca fala deles, sabe... eu sou muito feliz com minha vó, a amo mais que tudo nessa vida, não sei se minha mãe me abandonou, não sei de nada, sempre que pergunto sobre ela e meu pai, ela acaba mudando de assunto rapidamente, sinto que ela me esconde alguma coisa.
Às vezes, quando olho pro céu à noite, vejo as estrelas e me pergunto se meus pais estão lá em cima, olhando pra mim, minha avó sempre foi maravilhosa, cuidou de mim desde que eu era apenas um bebê, ela me deu todo o amor e carinho que alguém poderia desejar, mas ainda assim, há um vazio que cresce dentro de mim.
Eu sei que não posso mudar o passado, que meus pais se foram antes que eu pudesse conhecê-los. Mas às vezes, especialmente nos momentos mais silenciosos da noite, a ausência deles parece mais intensa do que nunca, agradeço a minha vó por tudo o que fez por mim, mas o desejo de conhecer meus pais ainda permanecia como uma estrela distante que brilha no horizonte, mas que parecia impossível de alcançar.
— Talvez ela só queira te proteger. — Ele vem andando atrás de mim.
— É, mas ás vezes de tanto querer cuidar, acaba machucando.
JP se aproxima e na medida em que passa sua mão no meu rosto afastando o cabelo, sinto a sensação boa que ele me proporcionava, eu não costumava conversar com ninguém sobre minha vida, mas com ele parecia ser diferente, apesar da vida que levava, JP parecia viver em outra realidade quando estávamos juntos, por um breve momento parecia esquecer das armas, das drogas, do tráfico.
— Tu é uma caixinha de surpresa garota. — Ele me olhava fixamente.
— Eu sou um poço de caos João Pedro.
Na mesma hora sinto sua mão na minha cintura, vou dando pequenos passos pra trás na medida em que levava meu corpo até encostarmos numa coluna que tinha no meio da sala, sinto seu rosto perto demais quando vem passando seu nariz pelo meu pescoço me arrepiando, jogo a cabeça pro lado sentindo a sensação que me causava, não demora muito pra sua boca encontrar a minha e assim me beijar intensamente.
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DOSE DUPLA
Fiksi PenggemarLuna é uma jovem que cresceu no Complexo da Pedreira, no Rio de Janeiro. Sua vida vira de cabeça para baixo quando ela se vê dividida entre dois homens que representam mundos opostos: um sendo da lei e o outro não. À medida que Luna mergulha em um t...
