📍𝑳𝒖𝒏𝒂 𝑫𝒖𝒂𝒓𝒕𝒆
— Então essa era a surpresa? — Isa pergunta, jogando o corpo pra frente, analisando.
Eu só balanço a cabeça devagar, com um sorrisinho que já entregava tudo.
— FALA, CARALHO. — Ela ri, impaciente. — Como assim? conta tudo!
— Tá... — Respiro fundo sorrindo. — Ontem na visita ele já tinha dito que tinha uma surpresa né, lá pelas nova horas o André e a Amanda falaram pra eu ir com eles rapidinho. Sem explicar nada, eu achei que era mais uma parada aleatória deles, né.
— Claro. — Isa revira os olhos.
— A gente chegou num galpão lá pra baixo... fechado, vazio, mó clima estranho. Eu já tava tipo que porra que tá acontecendo? — Dou uma risada nervosa lembrando. — Aí o André some por dois segundos... volta, para na minha frente e joga uma chave em cima de mim.
A garota arregala os olhos.
— Caralho em...
— Sim. — Dou de ombros, ainda incrédula. — Eu nem entendi. Fiquei olhando pra chave, pra cara dele... aí ele só aponta.
Morro de rir com as caras e bocas que fazia.
— Uma Audi, cinza. Linda pra um caralho. — Engulo seco. — Presente do JP.
O silêncio cai por um segundo.
— Meu Deus do céu... — Isa fala baixinho. — Esse homem é maluco.
— É incrível amiga, ele tá ali, preso... mas mesmo assim é tão presente, e cuida tão bem de mim, da família. — Sorri aliviada.
— E tu fez o quê? Chorou igual uma coitada, né? — ela ri.
— Igual uma criança. — Limpo os olhos. — E ainda xinguei ele mentalmente por uns cinco minutos.
— Óbvio. — Isa sorri. — Mas e agora? onde tu vai guardar esse carro?
— Eu não tinha pensado nisso, e acho que o João Pedro também não. — Nós duas rimos
— Mas agora entra porque a gente vai dar um giro e resolver uma coisinha ali. — falo já abrindo a porta do motorista.
— Um giro? Coisinha? Ihhh... — Isa entra no carro desconfiada. — Tu sabe dirigir essa porra mesmo? Não vai matar nós duas, não.
— Aprendi lá fora, garota. — rio, ajustando o banco. — Agora cala a boca e deixa eu me concentrar.
— Olha aqui Luna, presta atenção, hein. — Ela puxa o cinto devagar. — Isso aí não é um Golzinho não.
— Coloca o cinto. — falo rindo. — Deixa eu ver... caralho, é tudo muito automático mesmo, né?
— Amiga, tu nem é habilitada! Pelo amor de Deus! — ela já começa a rir de nervoso.
— Relaxa. — dou partida no carro, sentindo o ronco baixo do motor. — Qualquer coisa o Andrezinho salva a gente.
— Tu é maluca. — ela balança a cabeça. — Bora então.
Saio devagar, sentindo o volante firme na mão, o carro deslizando suave demais pela rua. Ainda tava meio sem acreditar que aquilo era real.
— Tá, mas a gente tá indo pra onde? — Isa pergunta, virando pra mim.
— A gente vai lá no polo do meu curso.
— Fazer...? — Investiga.
Antes que eu responda meu celular vibra, assim como o painel do carro mostra o número desconhecido.
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DOSE DUPLA
FanfictionLuna é uma jovem que cresceu no Complexo da Pedreira, no Rio de Janeiro. Sua vida vira de cabeça para baixo quando ela se vê dividida entre dois homens que representam mundos opostos: um sendo da lei e o outro não. À medida que Luna mergulha em um t...
