Capítulo 70

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📍𝑳𝒖𝒏𝒂 𝑫𝒖𝒂𝒓𝒕𝒆


— Então essa era a surpresa? — Isa pergunta, jogando o corpo pra frente, analisando.

Eu só balanço a cabeça devagar, com um sorrisinho que já entregava tudo.

— FALA, CARALHO. — Ela ri, impaciente. — Como assim? conta tudo!

— Tá... — Respiro fundo sorrindo. — Ontem na visita ele já tinha dito que tinha uma surpresa né, lá pelas nova horas o André e a Amanda falaram pra eu ir com eles rapidinho. Sem explicar nada, eu achei que era mais uma parada aleatória deles, né.

— Claro. — Isa revira os olhos. 

— A gente chegou num galpão lá pra baixo... fechado, vazio, mó clima estranho. Eu já tava tipo que porra que tá acontecendo? — Dou uma risada nervosa lembrando. — Aí o André some por dois segundos... volta, para na minha frente e joga uma chave em cima de mim.

A garota arregala os olhos.

— Caralho em...

— Sim. — Dou de ombros, ainda incrédula. — Eu nem entendi. Fiquei olhando pra chave, pra cara dele... aí ele só aponta.

Morro de rir com as caras e bocas que fazia.

— Uma Audi, cinza. Linda pra um caralho. — Engulo seco. — Presente do JP.

O silêncio cai por um segundo.

— Meu Deus do céu... — Isa fala baixinho. — Esse homem é maluco.

— É incrível amiga, ele tá ali, preso... mas mesmo assim é tão presente, e cuida tão bem de mim, da família. — Sorri aliviada.

— E tu fez o quê? Chorou igual uma coitada, né? — ela ri.

— Igual uma criança. — Limpo os olhos. — E ainda xinguei ele mentalmente por uns cinco minutos.

— Óbvio. — Isa sorri. — Mas e agora? onde tu vai guardar esse carro?

— Eu não tinha pensado nisso, e acho que o João Pedro também não. — Nós duas rimos

— Mas agora entra porque a gente vai dar um giro e resolver uma coisinha ali. — falo já abrindo a porta do motorista.

— Um giro? Coisinha? Ihhh...  — Isa entra no carro desconfiada. — Tu sabe dirigir essa porra mesmo? Não vai matar nós duas, não.

— Aprendi lá fora, garota. — rio, ajustando o banco. — Agora cala a boca e deixa eu me concentrar.

— Olha aqui Luna, presta atenção, hein. — Ela puxa o cinto devagar. — Isso aí não é um Golzinho não.

— Coloca o cinto. — falo rindo. — Deixa eu ver... caralho, é tudo muito automático mesmo, né?

— Amiga, tu nem é habilitada! Pelo amor de Deus! — ela já começa a rir de nervoso.

— Relaxa. — dou partida no carro, sentindo o ronco baixo do motor. — Qualquer coisa o Andrezinho salva a gente.

— Tu é maluca. — ela balança a cabeça. — Bora então.

Saio devagar, sentindo o volante firme na mão, o carro deslizando suave demais pela rua. Ainda tava meio sem acreditar que aquilo era real.

— Tá, mas a gente tá indo pra onde? — Isa pergunta, virando pra mim.

— A gente vai lá no polo do meu curso.

— Fazer...? — Investiga.

Antes que eu responda meu celular vibra, assim como o painel do carro mostra o número desconhecido. 

DOSE DUPLAOnde histórias criam vida. Descubra agora