📍 𝑳𝒖𝒏𝒂 𝑫𝒖𝒂𝒓𝒕𝒆 | 𝑫𝒊𝒂𝒔 𝒅𝒆𝒑𝒐𝒊𝒔...
Não era normal.
O JP sempre dava um jeito de me ligar, mesmo que fosse rápido. Mesmo que fosse só pra ouvir minha voz por dois minutos e dizer que tava tudo bem. Mas fazia dias... dias que o telefone não tocava, nada, nenhuma ligação, nenhuma notícia.
As noites estavam cada vez mais longas e frias, como se o inverno tivesse resolvido se alojar dentro de mim. Eu tentava não pensar no pior, tentava me manter ocupada, mas era inevitável. A cabeça ia longe.
E se aconteceu alguma coisa? e se ele se meteu em confusão?
E se...?
— Luna, você tá bem? — Thais me cutuca de leve enquanto caminhávamos no pátio da faculdade.
— Pô, pior que não... O JP simplesmente sumiu, ele não me liga há quase duas semanas. — Balancei a cabeça, voltando pra realidade.
— Já tentou falar com a Juliana? Ou com a mãe dele? — Japa pergunta vindo atrás também.
— Sim, já falei. A mãe dele disse que suspenderam as visitas e não deram explicações. O advogado tá tentando descobrir o que houve... mas até agora nada, isso não é normal cara.
— Pode ser só alguma mudança no sistema da prisão... ou sei lá, greve... — Brenda fala, tentando aliviar.
Mas o olhar dela entregava o mesmo medo que eu tava sentindo.
— Eu só queria saber se ele tá bem, nem que fosse um bilhete, uma mensagem de fumaça, qualquer coisa, é a pior sensação do mundo, não saber. — Falo enquanto sento num banco de pedra.
— Como ele te enviaria um bilhete? — Japa pergunta, franzindo a sobrancelha, fazendo todas nós olharmos pra ela.
— Sei lá, podia pedir pra alguém colocar numa garrafa e jogar na praia. — Brenda diz rindo, dando de ombros como se fosse uma ideia super possível.
— Calem a boca, vocês duas. — Thais reclama, balançando a cabeça, já acostumada com as teorias malucas das outras.
Enquanto elas discutiam, eu só fiquei ali, meio desligada, ouvindo de fundo as vozes das três enquanto girava no dedo o anel que ele tinha me dado.
A peça simples, prateada, que ficou guardada no fundo de uma caixinha por um tempo.
Thais percebe o brilho discreto no meu dedo e franze os olhos.
— Ué... — ela aponta com o queixo. — Desde quando você usa esse anel?
Brenda e Japa viram na hora, se aproximando mais pra olhar.
— É verdade. — Japa arregala os olhos. — Eu nunca tinha visto você com ele antes.
— Ele te deu, né? — Brenda pergunta, quase sussurrando.
Respiro fundo e olho pro anel girando devagar no meu dedo.
— Deu... antes de tudo acontecer.
— Mas por que não usava antes? — Thais pergunta na lata.
Levanto o olhar pra elas, tentando encontrar as palavras certas.
— Porque doía, sei lá só de olhar... parecia que eu ia desmoronar.
— E agora? — Japa pergunta.
— Agora é diferente, agora é como se ele estivesse aqui comigo. — Falo sorrindo.
— Tipo um pedacinho dele. — Brenda completa.
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DOSE DUPLA
FanficLuna é uma jovem que cresceu no Complexo da Pedreira, no Rio de Janeiro. Sua vida vira de cabeça para baixo quando ela se vê dividida entre dois homens que representam mundos opostos: um sendo da lei e o outro não. À medida que Luna mergulha em um t...
