Capítulo 64

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📍 𝑳𝒖𝒏𝒂 𝑫𝒖𝒂𝒓𝒕𝒆 | 𝑫𝒊𝒂𝒔 𝒅𝒆𝒑𝒐𝒊𝒔...


Não era normal.

O JP sempre dava um jeito de me ligar, mesmo que fosse rápido. Mesmo que fosse só pra ouvir minha voz por dois minutos e dizer que tava tudo bem. Mas fazia dias... dias que o telefone não tocava,  nada, nenhuma ligação, nenhuma notícia.

As noites estavam cada vez mais longas e frias, como se o inverno tivesse resolvido se alojar dentro de mim. Eu tentava não pensar no pior, tentava me manter ocupada, mas era inevitável. A cabeça ia longe.

E se aconteceu alguma coisa? e se ele se meteu em confusão?

E se...?

— Luna, você tá bem? — Thais me cutuca de leve enquanto caminhávamos no pátio da faculdade.

— Pô, pior que não... O JP simplesmente sumiu, ele não me liga há quase duas semanas. — Balancei a cabeça, voltando pra realidade.

— Já tentou falar com a Juliana? Ou com a mãe dele? — Japa pergunta vindo atrás também.

— Sim, já falei. A mãe dele disse que suspenderam as visitas e não deram explicações. O advogado tá tentando descobrir o que houve... mas até agora nada, isso não é normal cara.

— Pode ser só alguma mudança no sistema da prisão... ou sei lá, greve... — Brenda fala, tentando aliviar.

Mas o olhar dela entregava o mesmo medo que eu tava sentindo.

 — Eu só queria saber se ele tá bem, nem que fosse um bilhete, uma mensagem de fumaça, qualquer coisa, é a pior sensação do mundo, não saber. — Falo enquanto sento num banco de pedra.

— Como ele te enviaria um bilhete? — Japa pergunta, franzindo a sobrancelha, fazendo todas nós olharmos pra ela.

— Sei lá, podia pedir pra alguém colocar numa garrafa e jogar na praia. — Brenda diz rindo, dando de ombros como se fosse uma ideia super possível.

— Calem a boca, vocês duas. — Thais reclama, balançando a cabeça, já acostumada com as teorias malucas das outras.

Enquanto elas discutiam, eu só fiquei ali, meio desligada, ouvindo de fundo as vozes das três enquanto girava no dedo o anel que ele tinha me dado.
A peça simples, prateada, que ficou guardada no fundo de uma caixinha por um tempo.

Thais percebe o brilho discreto no meu dedo e franze os olhos.

— Ué... — ela aponta com o queixo. — Desde quando você usa esse anel?

Brenda e Japa viram na hora, se aproximando mais pra olhar.

— É verdade. — Japa arregala os olhos. — Eu nunca tinha visto você com ele antes.

— Ele te deu, né? — Brenda pergunta, quase sussurrando.

Respiro fundo e olho pro anel girando devagar no meu dedo.

— Deu... antes de tudo acontecer.

— Mas por que não usava antes? — Thais pergunta na lata.

Levanto o olhar pra elas, tentando encontrar as palavras certas.

— Porque doía, sei lá só de olhar... parecia que eu ia desmoronar.

— E agora? — Japa pergunta.

— Agora é diferente, agora é como se ele estivesse aqui comigo. — Falo sorrindo.

— Tipo um pedacinho dele. — Brenda completa.

DOSE DUPLAOnde histórias criam vida. Descubra agora