Capítulo 63

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📍𝑳𝒖𝒏𝒂 𝑫𝒖𝒂𝒓𝒕𝒆 | 𝑺𝒆𝒎𝒂𝒏𝒂𝒔 𝒅𝒆𝒑𝒐𝒊𝒔....





— Luna, tem um minuto? — Ricardo chamou, ajeitando a câmera em cima da mesa de edição.

— Claro, o que foi? — me aproximei, já imaginando que vinha trampo por aí.

— Hoje eu vou precisar sair mais cedo, tenho um evento pra marcar presença, coisa chata de networking — ele fez careta. — E vou precisar que você feche o estúdio pra mim.

— Sério? — Arregalei os olhos. — Eu sozinha?

— Você não só dá conta, como já tá dando, faz tempo — ele sorriu, jogando a confiança em cima de mim como se fosse uma capa de super-heroína.

Conheci o Ricardo através do Wesley, os dois eram amigos e depois que o Wesley soube que eu estava fazendo fotografia fez a ponte pra eu trabalhar ajudando o Ricardo que já tinha sei lá quantos anos de carreira.

— O último ensaio é às cinco. É um trabalho pra uma marca de roupas masculinas, coisa simples, clean. Só um modelo, tudo tranquilo, já deixei o cenário montado e a luz no jeito certinho.

— Roupa masculina. Então tipo camisa social, jeans, essas coisas?

— Aham... mais ou menos — ele desviou o olhar. — Depois você vê. Mas nada muito elaborado, só faz os testes, segue a pose de referência e manda ver. Ele é modelo profissional, não vai te dar trabalho.

— Tranquilo então. — balancei a cabeça, não muito convencida, mas topei. — Pode deixar comigo.

— Sabia que podia contar com você. E olha, esse é pago à parte, tá? Depois acertamos. — Fala.

— Agora ficou interessante. — brinquei, e ele piscou antes de sair.

Fiquei sozinha no estúdio, reorganizando as câmeras e ajustando a luz, enquanto o relógio corria até a hora marcada. Cinco em ponto, ouvi a campainha tocar, respirei fundo, ajeitei o cabelo como se fosse eu a ser fotografada e fui abrir a porta.

Um homem alto, moreno, com cara de quem saiu de uma campanha da Calvin Klein, estava parado ali... só de roupão.

— Boa tarde. Luna, certo? Sou o Davi. — Se apresenta com um sotaque meio americano e meio brasileiro.

— E-eu mesma — gaguejei, dando um passo pro lado pra ele entrar. — Fica à vontade.

Ele entrou tranquilo, como se estar seminu fosse a coisa mais normal do mundo, maluco.

— O Ricardo avisou que seria um ensaio mais... íntimo? — Pergunta.

— Ele disse que era pra uma loja de roupas masculinas. — tentei soar profissional, mas minha voz saiu um pouco aguda demais.

— Uhum, então... É uma marca de underwear. Ele deve ter esquecido de te contar esse detalhe — ele deu uma risadinha simpática, sem constrangimento algum. — Mas é só seguir o roteiro, nada demais.

— Ah, claro. Super tranquilo. — fingi naturalidade, andando em direção à câmera. Por dentro, meu cérebro gritava "roupa íntima???"

Tentei me concentrar no visor da câmera, lembrando da luz, da posição do tripé, da ISO... e não olhar pra coxa dele.

— Vamos começar? — ele perguntou, já desamarrando o roupão.

— Vamos, sim! — Apertei o botão da câmera como se fosse um detonador. — Um, dois, e...

Meu Deus.

Mas que porra eu tava pensando quando aceitei isso?

Ah, lembrei... no dinheiro.

DOSE DUPLAOnde histórias criam vida. Descubra agora