Capítulo 68

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📍𝑳𝒖𝒏𝒂 𝑫𝒖𝒂𝒓𝒕𝒆



— É aqui? — Analiso o local.

— É, vamos que já estamos atrasadas. — Vânia fala.

Hoje combinamos de falar com o advogado do JP, tava muito ansiosa porque finalmente ia ver ele.

— Demorô, vou ficar pela área. — Andrezinho fala.

— Valeu chofer. — Gasto ele.

— Vai brincando filha. — Fala rindo também.


[...]


— Então tá combinado assim, dona Vânia, sábado às nove da manhã. — O advogado ajeita os papéis sobre a mesa, o tom de voz firme, mas calmo. — A senhora e a Luna precisam chegar antes pra passar pela triagem, tá?

— Tá certo, doutor Marcelo. —  Vânia responde, ajeitando a bolsa no colo. — E lá dentro... como é que funciona?

— É simples, só que um pouco rígido. — Ele cruza as mãos sobre a mesa. — Nada de celular, nada de bijuteria, nem brinco pequeno. Roupas claras, sem decote, sem transparência, nada justo demais. E precisa prender o cabelo, tá? — Termina de falar olhando pra mim.

— Tá... — digo baixinho, meio sem saber onde colocar as mãos. — E tipo... posso levar alguma coisa pra ele?

— Não muita coisa. — Ele balança a cabeça devagar. — Primeira visita é só pra reconhecimento e ajuste de conduta, você pode levar uma muda de roupa e alguns produtos de higiene.

— Eu ainda não acredito que meu filho tá nesse lugar. — Vânia diz.

— Dona Vânia, ele tá bem. — Marcelo tenta acalmar. — Tô acompanhando de perto, teve uns dias complicados, mas ele se manteve firme.

Sinto o estômago revirar com aquilo. Uns dias complicados? O que caralho significa isso?

— E... ele sabe que eu vou? — pergunto baixinho.

Marcelo me encara por alguns segundos antes de responder.

— Ele não sabe. Eu preferi não avisar pra evitar ansiedade, mas acredito que vai ser bom pra ele te ver. — diz.

Vânia suspira e segura minha mão por cima da mesa.

— Ele precisa disso, minha filha... quem sabe te vendo não desperta mais otimismo nele.

Fico em silêncio, apenas acenando com a cabeça, por dentro, já sinto a garganta apertar e o coração acelerando, é como se sábado fosse o dia mais importante da minha vida.

Vânia foi a primeira a sair da sala, agradecendo ao doutor Marcelo e dizendo que ia esperar lá fora. Fiquei alguns segundos parada, segurando a bolsa, tentando criar coragem pra perguntar o que tava rodando na minha cabeça desde o começo da conversa.

O advogado começou a juntar uns papéis, e eu comecei minha investigação.

— Doutor... — comecei, meio sem jeito. — É... tem uma coisa que o senhor não falou.

Ele levantou os olhos por cima dos óculos.

— Pode perguntar, Luna.

Respirei fundo e, mesmo sem saber como explicar, soltei de uma vez.

— Tipo assim... quando um casal se vê lá... tem como... é... tipo... — balancei as mãos tentando achar uma palavra decente. — Visita mais... pessoal, sabe?

DOSE DUPLAOnde histórias criam vida. Descubra agora