📍𝑳𝒖𝒏𝒂 𝑫𝒖𝒂𝒓𝒕𝒆
— É aqui? — Analiso o local.
— É, vamos que já estamos atrasadas. — Vânia fala.
Hoje combinamos de falar com o advogado do JP, tava muito ansiosa porque finalmente ia ver ele.
— Demorô, vou ficar pela área. — Andrezinho fala.
— Valeu chofer. — Gasto ele.
— Vai brincando filha. — Fala rindo também.
[...]
— Então tá combinado assim, dona Vânia, sábado às nove da manhã. — O advogado ajeita os papéis sobre a mesa, o tom de voz firme, mas calmo. — A senhora e a Luna precisam chegar antes pra passar pela triagem, tá?
— Tá certo, doutor Marcelo. — Vânia responde, ajeitando a bolsa no colo. — E lá dentro... como é que funciona?
— É simples, só que um pouco rígido. — Ele cruza as mãos sobre a mesa. — Nada de celular, nada de bijuteria, nem brinco pequeno. Roupas claras, sem decote, sem transparência, nada justo demais. E precisa prender o cabelo, tá? — Termina de falar olhando pra mim.
— Tá... — digo baixinho, meio sem saber onde colocar as mãos. — E tipo... posso levar alguma coisa pra ele?
— Não muita coisa. — Ele balança a cabeça devagar. — Primeira visita é só pra reconhecimento e ajuste de conduta, você pode levar uma muda de roupa e alguns produtos de higiene.
— Eu ainda não acredito que meu filho tá nesse lugar. — Vânia diz.
— Dona Vânia, ele tá bem. — Marcelo tenta acalmar. — Tô acompanhando de perto, teve uns dias complicados, mas ele se manteve firme.
Sinto o estômago revirar com aquilo. Uns dias complicados? O que caralho significa isso?
— E... ele sabe que eu vou? — pergunto baixinho.
Marcelo me encara por alguns segundos antes de responder.
— Ele não sabe. Eu preferi não avisar pra evitar ansiedade, mas acredito que vai ser bom pra ele te ver. — diz.
Vânia suspira e segura minha mão por cima da mesa.
— Ele precisa disso, minha filha... quem sabe te vendo não desperta mais otimismo nele.
Fico em silêncio, apenas acenando com a cabeça, por dentro, já sinto a garganta apertar e o coração acelerando, é como se sábado fosse o dia mais importante da minha vida.
Vânia foi a primeira a sair da sala, agradecendo ao doutor Marcelo e dizendo que ia esperar lá fora. Fiquei alguns segundos parada, segurando a bolsa, tentando criar coragem pra perguntar o que tava rodando na minha cabeça desde o começo da conversa.
O advogado começou a juntar uns papéis, e eu comecei minha investigação.
— Doutor... — comecei, meio sem jeito. — É... tem uma coisa que o senhor não falou.
Ele levantou os olhos por cima dos óculos.
— Pode perguntar, Luna.
Respirei fundo e, mesmo sem saber como explicar, soltei de uma vez.
— Tipo assim... quando um casal se vê lá... tem como... é... tipo... — balancei as mãos tentando achar uma palavra decente. — Visita mais... pessoal, sabe?
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DOSE DUPLA
FanfictionLuna é uma jovem que cresceu no Complexo da Pedreira, no Rio de Janeiro. Sua vida vira de cabeça para baixo quando ela se vê dividida entre dois homens que representam mundos opostos: um sendo da lei e o outro não. À medida que Luna mergulha em um t...
