Pov Júlia
- Passa a bola aqui! – gritei, chateada, depois de levantar várias vezes o braço, pedindo a bola e não ser notada. A garota nem me olhou, mas passou a bola pra mim, agradeci mentalmente, dominando e já driblando a primeira zagueira à minha frente.
Vi o caminho aberto, pronto pra aquele chute colocado. Preparei a perna direita, chegando à entrada da área, quando fui cruelmente levantada do chão. Foi um carrinho, puta merda. Senti as travas da chuteira da moça se chocarem com força contra meu tornozelo. Doeu, doeu e doeu. Mas não machucou, ainda bem.
A torcida gritou em protesto. Eu tenho certeza que a cena deveria ter parecido mil vezes pior no telão. Sentei no gramado e recebi a ajuda de uma colega de time, que me estendeu a mão pra levantar. O árbitro marcou a falta e deu cartão à miserável que tentou me deixar aleijada. Cartão amarelo.
- Quase ninguém entende seu português aqui, Becker.
- Hã?
- Pede a bola em espanhol ou inglês, boba. – ela era de Portugal, cheia daquele sotaque. Nunca fui muito chegada, mas ela é bem sexy.
- É força do hábito, portuga. – ela riu, apertando meu ombro. Olhei pro telão e nossa rápida interação estava lá. Posicionaram a bola, me prontifiquei a cobrar a falta. Faltas na entrada da área eram, normalmente, um jeito fácil de fazer gols. Não tão fácil quanto um pênalti, mas um carrinho dentro da área era praticamente impossível de acontecer.
Eu e a bola, a bola e eu. E o telão. E milhares de pessoas vendo esse meu rostinho com uma expressão levemente tensa. Vamos lá, Becker.
Corri pra bola e chutei-a, pegando do jeitinho que eu gostaria. Ela foi no ângulo, perfeita, e eu gritei gol um segundo antes dela entrar. Sorri ao ouvir o coro da torcida acompanhando-me no grito. E corri pra um dos lados da torcida, comemorando muito e mandando beijinhos pros homens que me mandavam beijinhos. Sempre achei graça nisso.
Segurei o belo escudo em minha camisa, beijando-o com todo o carinho e gratidão que eu tinha pelo time. E com amor também, por que não? Amo o Real Madrid e daqui não saio. A câmera pegou esse momento, e também a minha piscadinha sexy.
Era só mais um jogo normal, não era nenhuma final da UEFA ou algum clássico. Só mais um jogo, e eu me firmando na artilharia do campeonato. Mais um jogo de casa cheia, com o melhor apoio e o melhor tipo de energia, da torcida e dos meus fãs. Já estava acabando, e lá no placar dizia Real Madrid 2 X Rayo Vallecano 0. Não dei meu melhor, nem cansei muito nesse jogo.
Até porque durante a semana tinha Champions League, e íamos pegar o Paris Saint-Germain, nas semifinais. Jogo dificílimo, e só pra lembrar a vocês, Luana Sánchez joga no time francês. Ouvi que está pra sair, na verdade ela está sendo cobiçada pelo Barcelona. Ela me contou. Não sei o que dizer, a quero mais perto de mim, mas poxa, logo no rival? Disse logo que não ia opinar e que ela fizesse o que quisesse.
Fim de jogo. Mais uma vitória, sorri pra nosso grupo. Somos unidas, e acho que esse ano vamos ser campeãs. Finalmente, porque desde que cheguei aqui, nunca vencemos a Liga Espanhola. Ano passado ficamos em segundo, tive que aguentar encheção da Luana por ser vice, quando ela foi campeã da Liga Francesa. Ela tá arrasando lá, tanto quanto eu aqui.
Nada modesta, né? Parece que eu sou tirada, mas nem é, sou até bem simpática com a galera. É porque, em campo, eu tenho que mostrar outra postura, essa tem que ser confiante. Até porque eu confio em minhas habilidades.
- Não foi nosso melhor jogo, mas pelo menos saímos com a vitória. – falei em espanhol. Vou poupar vocês do meu sotaque horroroso e só traduzir. Prefiro inglês. Espanhol é uma língua bem sexy, mas não é minha praia.
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Mine
Romance"É porque eu já tive mulheres, digamos assim, isso parece idiota e clichê, mas com nenhuma delas foi como é com você. Estar apaixonada, pra mim, é novidade. Você diz que é minha, e que gosta de ser. Então, quer ser minha pra sempre? - mas o que? Que...
