Pov Bárbara
- E você tá calada por que, Babi? – Ju perguntou enquanto dirigia rumo à sorveteria.
Ela era uma ótima motorista, impressionantemente.
- Estou interpretando isso como um encontro. Só não sei puxar assunto.
- Acho que ninguém sabe, e relaxa, é um encontro comigo, não tem essas besteiras e formalidades.
- Tá ok.
- Liga o rádio, se o silêncio te incomoda. – mas foi ela quem reclamou que eu estava calada...
- Não, tá bom só te admirando. – também sei ser fofinha, sociedade.
- Assim eu apaixono.
- Como se você já não me amasse, me poupe. – ela passou a mão sobre a boca imitando um zíper. – Quem cala consente.
- Haha, chegamos. – ela estacionou rapidamente e descemos do carro. – Vem, vamos logo ver o tiro que você vai dar no meu bolso,
- Essa é uma aposta de risco calculado. – ela riu, negando com a cabeça e abriu a porta da sorveteria pra mim, agradeci e entrei.
Depois de pegar os sorvetes, sentamos numa das mesas. A Ju havia escolhido bem o lugar, dava pra ver o mar do outro lado da rua. Por outro lado, qualquer um que passasse pela rua nos veria, não que eu me importasse.
Daí ela puxou um assunto bobo e, de repente, estávamos conversando sobre nada e tudo ao mesmo tempo e rindo como duas bêbadas, Nem vi as horas passarem, mas estava feliz por estar com ela.
- Ei – tocou minha mão sobre a mesa e sorriu – Você tava viajando. – ri.
- Desculpa, o que disse?
- Você tava viajando.
- Não, antes.
- Ah, eu perguntei se você não quer mais sorvete, você não quer mais sorvete? – fiquei surpresa com a pergunta, sim.
- Pergunta ao macaco se ele quer banana. Eu quero sorvete, e tenho certeza que o macaco também dirá sim. – rimos.
- Vou comprar pra você.
- Quero flocos.
- Ok. – ela voltou com uma bola de sorvete num copinho e me deu. Tinha um igual em sua mão. – Vem, vamos. – ela abriu a porta da sorveteria novamente. Ao sair, a brisa do mar balançou nossos cabelos levemente.
- Nunca tinha vindo nessa sorveteria. Adorei, Ju.
- É uma das minhas favoritas. Ei, quer esperar ao pôr do sol na praia? É lindo, a gente assiste, o que você acha?
- Acho uma ótima ideia, e já vai começar.
- Vamos lá. – ela me ofereceu o braço, e de braços dados atravessamos a rua, e do mesmo jeito descemos até a areia da praia.
Júlia tirou a sandália que usava e sentou sobre ela, pra não se sujar de areia. Fiz o mesmo, sentando ao seu lado, até perto demais. "Ah, você não era toda cheia de reservas e de medos?" Sabe que eu percebi que isso tudo é besteira? Eu precisava admitir pra mim mesma, o mundo não importa. Tenho medo da reação do meu pai, mas duvido que ele vá fazer algo comigo. Pra que viver com medo, eu quero mais é aproveitar.
O pôr do sol havia acabado de começar.
- Nossa, que lindo. – deixei escapar da minha boca. Era realmente uma visão maravilhosa.
- É uma ótima visão. Na verdade, pra onde quer que eu olhe aqui, só tenho ótimas visões. – olhei em volta, você está parcialmente certa, Júlia.
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Mine
Romansa"É porque eu já tive mulheres, digamos assim, isso parece idiota e clichê, mas com nenhuma delas foi como é com você. Estar apaixonada, pra mim, é novidade. Você diz que é minha, e que gosta de ser. Então, quer ser minha pra sempre? - mas o que? Que...
